BELO MUNDO

Tarcísio Gurgel * - tarsousa@terra.com.br 


   

LEIRIA

 

             O interesse para incluir Leiria no meu roteiro português nasceu através de uma reportagem em periódico turístico que casualmente li, arquivei e assegurei que na próxima iria conhecê-la. Cidade histórica tradicional, natural e “debutante” em modernidade, é um pouco de tudo para os seus habitantes, os “leirenses” e para turistas assim como eu, cheios de curiosidade e entusiasmo para conhecê-la.  

            Dista na direção norte de Lisboa, 2 horas aproximadamente (de autobus, assim como chamam). Abrange uma área geográfica bastante diversificada, permitindo ao turista em seu primeiro contato, ascendendo para o seu castelo pelas suas ladeiras tortuosas, vislumbrar o rio Lis, serras, vales e um complexo diversificado arquitetônico único. O rio Lis que o contorna, desloca-se serpenteando por suas ruas, pelo seu maciço calcário e desembocando suavemente suas águas pelo Atlântico.

            No meu roteiro cheguei ao topo do castelo por ruas em pedras, adquiri o meu “ticket” e tive acesso não apenas a uma beleza singular da arquitetura medieval por ele representado, mas também ao seu museu, sua história e o acervo bélico e domiciliar do homem, que neste sitio habitou há milênios.

            Em 1135, D. Afonso Henrique iniciou a sua construção para a defesa das terras ao norte já conquistadas aos mouros. Suas terras foram ocupadas antes pelos romanos e visigodos e subseqüentemente pelos mouros. No interior do castelo foi erguida também uma igreja a mando de D. Afonso Henrique. Foi destruída e posteriormente erguida a igreja Nossa Senhora da Pena. Após a construção do castelo começou a ser formado um aglomerado urbano expandindo-se na direção sul. Tornou-se um centro importante de minérios, madeiras, produtos alimentares e artesanais. Foi a primeira cidade portuguesa onde se registrou em 1411 o fabrico do papel, para qual D. João I mandou instalar moinhos e a primeira tipografia em Portugal. Apenas em 1545, no tempo de D. João III, Leiria foi elevada à categoria de cidade.

            A influência da igreja católica sempre foi muito marcante ao povo português e Leiria não foge da regra. Destacaríamos aqui neste processo histórico a igreja S. Francisco (século VIV), em cujas obras de recuperação foram descobertas importantes pinturas murais do século XV; a Sé Catedral (século XVI) que sucedeu a igreja de S. Pedro. A igreja da Misericórdia (século XVI), o convento e igreja de Santo Agostinho (século XVI-XVIII), cuja miscelânea de estilos é o reflexo do seu longo período construtivo. Finalmente a igreja do Espírito Santo (século XVIII).

            Dos edifícios civis destacaria entre outros os marcantes solares barrocos, dos ataídes no terreiro, dos verdes na rua Tenente Valadim, e o mercado de Santana, hoje um vibrante centro cultural.

            O grande “boom” na pacata e histórica Leiria surgiu nos meados do século XX quando a mesma cresceu em superfície e população residente. Infelizmente parece nos dias atuais que tudo está em obras: centro, arredores e o caminho do Lis. A renovação urbana, segundo dados colhidos, transformou sua paisagem. Novos bairros residenciais, industriais (plásticos, cimento, serrações. mobiliário, moagem, etc.). A preocupação como em toda a Europa nos dias atuais é a preservação do meio ambiente: tratamento das margens, recuperação de obras hidráulicas e espaços verdes (jardim Luís de Camões e Parque da Cidade) além de cinco novas pontes pedonais.

            Destacaria nos dias atuais a visitação da praça Rodrigues Lobo com seus logradouros, depósitos de materiais para reciclagem do lixo em cores distintas, além dos seus sanitários públicos super higienizados, exemplo para qualquer cidade do mundo.

            Culturalmente é uma cidade vibrante e destacaria as festas da cidade em maio, celebração em 22 deste e feriado municipal, Festival de Música (junho), festas em agosto em homenagem a Nossa Senhora da Encarnação, padroeira da cidade.

            Seus festivais gastronômicos são famosos durante todo o ano, não apenas na cidade, mas nos arredores também. O prato típico original é a Morcela de Arroz, mas muitos outros já se tornaram habituais. As fritadas de carne de porco, as migas de hortaliça com feijão frade e arroz, o leitão à boa vista. No restaurante do Seu Pinto, convém testar algumas especialidades, no centro, às margens do Lis, um lugar super agradável.

            No seu próximo roteiro a capital lisboeta, fuja um dia rapidinho e conheça este pedaço medieval e moderno desta cidade portuguesa e volte à noite para jantar no Chiado. Boa sorte!  

 

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* Tarcísio Gurgel é médico

 

 

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