BELO MUNDO

Tarcísio Gurgel * - tarsousa@terra.com.br 


  

VIAJANDO PELA ALEMANHA

 

            Na história das últimas décadas do país germânico, muitos aspectos fizeram surgir em mim um maior interesse para conhecer melhor algumas das suas principais cidades. Dentre estes fatores destacaria o dia 9 de novembro de 1989, quando o violinista Mstislav Rostropovitch se apresentou aos pés do muro de Berlin, divisor histórico da cidade em partes leste e oeste. Esta integração contribuiu fortemente para a aproximação da Alemanha dividida com o mundo. 

            A segunda forte razão foi a copa do mundo. Um grande investimento de marketing para o país. Um vasto acervo bibliográfico e televisivo me fez despertar e direcionar minha impulsiva curiosidade para lá também chegar e conferir o que me interessava. Finalmente um convite de um casal amigo, Hans e Mercia Bodenmüller, habitantes de Stuttgart, fator importantíssimo para uma viagem em um convívio familiar, com gente, lugares e eventos. Estrategicamente foi perfeito.

            Passarei, portanto a relatar alguns aspectos gerais do país e específicos das suas principais cidades como Stuttgart, Nuremberg, Heidelberg, Frankfurt, Colônia, Koblenz e, a mais bonita e elegante de todas, Berlin.

            Na maior parte do ano, entre setembro e maio, a temperatura média do país oscila entre 15 e 20°C. A neve surge entre dezembro e janeiro, no inverno europeu. Escolhi setembro, como sempre faço em se tratando de Europa. Não é necessário o visto, mas apenas o passaporte e nos desembarques internacionais aéreos apenas devemos nos dirigir para a fila dos “non E.U”. É um pequeno constrangimento discriminativo, mas certamente muito brevemente estaremos nos dirigindo a fila(s) única(s) de cidadãos do mundo. O aeroporto de Frankfurt, no coração do país, é o mais importante e também imponente, proporcionando conexões imediatas para toda a Europa e trens confortabilíssimos que transportam seus passageiros em horas para qualquer fronteira de todo o país. Especialmente no moderno “Ice”.

No convívio na família, a educação é fator preponderante e os estudos são no tempo integral, e escolas de excelente qualidade. As crianças saem cedo, às vezes ainda sem a luz do dia e retornam no final da tarde. O filho mais velho assume inúmeras responsabilidades em relação aos irmãos menores, especialmente quando os pais trabalham.Os fatores comunidades e ambiente são tema escolar e distrital.

             As prefeituras têm leis de cessão de pequenos lotes para as famílias passarem finais de semana em convívio com a natureza. Regras rígidas de acompanhamento municipal e comunitário. Este processo chama-se “garten” e as famílias entram em filas para receber a concessão de uso. Participei com Hans, meu anfitrião, de uma visita ao seu garten, com amigos e lá não tinha energia elétrica, mas luz com bujão de gás e os animais em volta sem qualquer receio de violência. Todo o lixo é cuidadosamente retirado após qualquer confraternização. Qualquer benefício, por mínimo que seja não pode agredir a natureza e na persistência do erro a municipalidade interrompe o uso pela família.

            Outro aspecto da vida alemã é de que os teatros, cinemas, museus, zoológicos, proporcionam “quotas culturais”. A municipalidade distribui os tickets para uso anual, pelo correio, para que os munícipes participem das atividades comunitárias.

            Segurança. Não apenas a Inglaterra e Espanha, mas também a Alemanha encontra-se com rígido controle, “neurotizante” até, mas necessário em se tratando das surpresas nos atentados terroristas. No princípio da viagem, já na França, aeroportos Orly e Charles de Gaulle excessivamente controlados. Nas plataformas de trem idem.

 

            Transporte. Continuo a achar que o trem para mim em se tratando de Europa é a maneira melhor de viajar. Exige de nós alguns procedimentos rápidos, pois entre desembarque e próxima saída são 10 minutos geralmente. Necessitamos nesta rotina de viajeiro como primeiro passo a visão do painel da estação com as principais saídas, chegadas, destinos, horários e plataformas. Importante também não apenas o trem certo, mas também o vagão e preferencialmente a reserva prévia do assento. 

São confortáveis, higiênicos, com restaurantes e dormitórios opcionais, e rapidíssimos. O sistema de transporte férreo alemão é excelente. Nas cidades dispomos do U-Bahn (metrô) e o S-Bahn (metrô de superfície). Com os bilhetes de metrô pode-se usar também os ônibus. Se o ônibus passar às 9:27, fique certo, ele abrirá as portas exatamente neste horário. Os passes são vendidos em máquinas automáticas, de fácil operacionalidade.

            Dinheiro. A Alemanha é adepta de primeira hora do Euro. É participante e forte na União Européia. Cartões de crédito são largamente aceitos, caixas eletrônicos mesmo em vilarejos. Munique é considerada a mais cara das cidades. O mais caro como brasileiro foi em um bar em Stuttgart, uma caipirinha por 8 euros.

            Comunicação. Se houver necessidade de comunicar-se com o Brasil a cobrar, é ligar 0800 800 55, serviço Brasil Direto, Embratel. Cartões telefônicos são baratíssimos. Com sorte podemos adquirir por 5 euros, suficiente para uma fofoca de 120 minutos.

            Idioma. O alemão é a língua oficial do país, e para nós brasileiros falar exige um certo esforço e sacrifício. Surpreendeu-me expressando-me em inglês, não ter qualquer dificuldade em solucionar meus questionamentos. Os jovens já são praticamente bilíngües, não apenas pelos ensinamentos escolares, mas também pela prática das viagens continentais em suas férias.

            O registro desta nova experiência que recentemente vivi, não gostaria que ficasse apenas na minha mente e nos meus acervos bibliográficos de viagem, mas sim compartilhar com o leitor, desta aventura fascinante que é viajar, conhecendo gente, lugares, ensinando e aprendendo. Veremos nas próximas matérias um pouco mais deste bonito país.

 

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* Tarcísio Gurgel é médico

 

 

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