OBSERVANDO

Wellington Medeiros (*)

welingtonmedeiros@bol.com.br 


 

Haja suspense

            Wellington Medeiros*

 

A cada quatro anos o cenário se repete e nesta época dois assuntos se incorporam naturalmente ao dia-a-dia das pessoas: futebol, agora quando só falta um mês para o início da Copa do Mundo da África do Sul – a abertura será dia 11 de junho em Johanesburgo – e política, com a eleição daqui a pouco mais de quatro meses para os mandatos federais - Presidente da República, Vice-Presidente, Senador e Deputado Federal - e estaduais - Governador e Vice-Governador de Estado e Deputado estadual.

Tanto na Copa como nos preparativos para as eleições, muitos gestos secretos, a começar pela lista de jogadores convocados para a Seleção brasileira que o treinador Dunga deve guardar como segredo de estado até amanhã, dia 11, às 13h, quando dará coletiva em um hotel do Rio de Janeiro. Para as eleições de 3 de outubro, somente no dia 6 de julho é que os candidatos poderão fazer propaganda, uma vez que até as convenções, entre 10 e 30 de junho, devem ser feitas em recinto fechado.

É certo que até o dia 11 de julho – data da final da Copa do Mundo – e ainda com as festividades de São João pelo meio, as atenções estarão lá e cá. Mais lá, se o Brasil chegar à final. Cá, pra valer somente passadas as comemorações pelo hexa e assim mesmo – diante das restrições da legislação – no rádio e televisão de 17 de agosto a 30 de setembro. É o período em que o jornalismo no rádio e televisão se movimenta sobre um fio de navalha, sob a vigilância não somente da justiça eleitoral, mas dos partidos que se transformam em “dedos-duros” dos concorrentes.

Na fase pré-eleitoral, travada pelas alegações de campanha antecipada, os candidatos se mobilizam como podem. Nem mesmo no horário destinado aos partidos é permitido falar em eleição ou candidatura. Manter o noticiário político no rádio e televisão é ousadia. O subjetivismo que sempre envolve uma vedação/proibição é um momento de desafio. A vedação – na verdade uma forma de censura – vai desde advertência sobre a manipulação de dados das pesquisas até “difundir opinião favorável ou contrária a candidato, partido ou coligação, a seus órgãos ou representantes”.

Com o rádio e TV receosos, daí os números de multas virem caindo a cada ano, os candidatos estão ligados em outra ferramenta, as redes sociais e várias tecnologias disponíveis na internet. Espelham-se na campanha presidencial americana de 2008, na qual o presidente eleito Barack Obama usou esse meio para recrutar eleitores, conceder entrevistas e até arrecadar verba para a campanha. Muitos acham improvável que fenômeno semelhante se repita no Brasil. Mas, pelo sim pelo não, quase todos os candidatos já utilizaram a web nas últimas campanhas eleitorais, embora não possam medir claramente os seus resultados.

Diante da dificuldade de mobilidade urbana – comícios interditando ruas e irritando os motoristas, eleitores temerosos de atos de violência, carreatas inibidas pelo preço dos combustíveis e a fiscalização sobre o fornecimento pelos candidatos – a principal arma deverá ser mesmo o Guia Eleitoral. Deverão fazer caminhadas para produzir imagens positivas nos programas nos quais irão necessitar de uma mensagem convincente ao exigente eleitor que a cada campanha dá provas de amadurecimento.

No Rio Grande do Norte, seja no horário eleitoral, na internet, nos debates, caminhadas ou nos raros comícios o eleitor – as pesquisas deverão começar a mostrar – irá distinguir a mensagem consistente pela experiência, firmeza de posições, ampla e limpa folha de serviços prestados de quem aposta no marketing e na memória curta da população. A carapuça poderia ser bem mais desenhada caso os veículos de comunicação de massa não fossem tolhidos desde a fase da pré-campanha de exercer o papel de esclarecer, debater, denunciar, diante da existência do manto do “favorecimento” ou de “campanha antecipada”. Tarefa agora para Blog, Twitter, Orkut, Youtube, Flickr, Buzz, Faceboock. Sim, e o Chat.

 

 

(*) Wellington Medeiros é Jornalista. 

. Artigo publicado também no Jornal de Hoje, edição de 10.05.2010

 

 

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Leia também a coluna Notícias, de Wellington Medeiros, no Site da Rede Tropical

 

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