OBSERVANDO

Wellington Medeiros (*)

welingtonmedeiros@bol.com.br 


 

Como diz o ditado

            Wellington Medeiros*

 

Cada cabeça uma sentença. Esta frase foi uma das mais reproduzidas durante toda semana, antes, durante e depois do resultado do júri popular que condenou o casal Alexandre Nardoni a 31anos e Anna Carolina Jatobá a 26 pela morte na noite de 29 de março de 2008 da menina Isabella, de apenas cinco anos. Depois da sentença – a mesma e idêntica na maioria das cabeças - outra expressão bastante ouvida: Aqui se faz aqui se paga.

A assertiva dessas frases, fez com que voltasse a remexer nos alfarrábios e encontrasse uma folha contendo anotações de frases antigas, mas bastante atuais e relembrasse através de algumas que pincei como forma de resgatar os ensinamentos maternos dos quais Clemilda e Walter Medeiros são testemunhas porque também ouviram com muita freqüência quando crianças e até na adolescência.

São os ditados, expressões que se repetiam, sempre proferidos em forma de advertência, mas, sobretudo com o sentido construtivo, contendo exemplos morais, filosóficos e religiosos na tradicional “criação” dos filhos no século passado. Muitos escritores e historiadores já se dedicaram à descoberta da origem dos ditados populares e não encontraram tarefa muito fácil. Todos foram construídos em anos e épocas diferentes e não há muito o que explicar.

É certo que cada frase de advertência atingia muito mais o objetivo do que muitos sermões moralistas. “Antes só do que mal acompanhado”, “Quem se mistura com porcos, farelo come”, “Ninguém nasce sabendo”, “Em boca fechada não entra mosca”, “A ociosidade é mãe de todos os vícios”, “O homem prevenido vale por dois”, “Junte-se aos bons, serás um deles; junte-se aos maus, serás pior do que eles”, “Diz-me com quem andas e te direi quem és”, “Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje”, “Para o bom entendedor, meia palavra basta”.

Quanto à realidade do dia-a-dia: “Boa romaria faz, quem em sua casa está em paz”, “Cada macaco no seu galho”, “Cada um sabe onde o sapato aperta”, “Cautela e caldo de galinha não faz mal a ninguém”, “Não coloque o carro na frente dos bois”, “Nunca diga desta água não beberei”, “Quem semeia ventos colhe tempestades”, “Quem vê cara não vê coração”, “As aparências enganam” ou “Quem com ferro fere com ferro será ferido”.

E ainda os ditados com apelos religiosos: “Deus escreve certo por linhas tortas”, “Deus dá o frio conforme o cobertor”, “O futuro a Deus pertence”, “O homem põe e Deus dispõe”, “Deus ajuda quem cedo madruga”, “Quando a esmola é grande o santo desconfia”, “O pouco com Deus é muito, o muito sem Deus é nada”, “Santo de casa não faz milagres”, “Dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” ou “A Voz do povo é a Voz de Deus”.

Ou filosóficos: “Com tempo tudo se cura”, “Depois da tempestade vem a bonança”, “Mais vale perder um minuto na vida do que a vida num minuto”, “Água mole em pedra dura tanto bate até que fura”, “As aparências enganam”, “É difícil agradar a gregos e troianos”, “Depois da tempestade vem a bonança”, “Em terra de cego quem tem um olho é rei”, “Macaco velho não mete a mão em cumbuca”, “Mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo”.

Também os genéricos: “Onde há fumaça, há fogo”, “Águas passadas não movem moinhos”, “Casa de ferreiro, espeto de pau”, “Cesteiro que faz um cesto faz um cento”, “Gostos não se discute”, “Quem tem boca vai a Roma”, “Nada melhor que um dia atrás do outro”, “No aperto e no perigo é que se conhece o amigo”, “Não há sábado sem sol, domingo sem missa, nem segunda sem preguiça” ou “Uma andorinha só não faz verão”.

Se esses 50 ditados serviram para alicerçar a formação de muitas gerações – quem nasceu por volta da metade do século passado para cá deve lembrar pelo menos de grande parte – por curiosidade resolvi pesquisar e encontrei algumas pérolas desses tempos modernos. E que estão contribuindo para a formatação das novas gerações. São pelo menos 15 velhos ditados adaptados à chamada Era Digital:

“Diga-me que computador tem e te direi quem é”, “Quando um não quer dois não teclam”, “Amigos, amigos, senhas à parte”, “A pressa é inimiga da conexão”, “Quem clica seus males multiplica”, “Quem semeia e-mails, colhe spams”, “Em briga de namorados virtuais não se mete o mouse”, “Mais vale um arquivo no HD do que dois baixando”, “O barato sai caro. E lento”, “Quem envia o que quer, recebe o que não quer”, “Vão-se os arquivos, ficam os backups”, “Quem nunca errou que aperte a primeira tecla”, “É melhor prevenir do que formatar”, “O problema do computador é o USB (Usuário Super Burro)” e ainda “Na informática nada se perde, nada se cria. Tudo se copia... e depois se cola”.

 

 

(*) Wellington Medeiros é Jornalista. 

. Artigo publicado também no Jornal de Hoje, edição de 29.03.2010

 

 

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