OBSERVANDO

Wellington Medeiros (*)

welingtonmedeiros@bol.com.br 


 

Clima de fé

            Wellington Medeiros*

 

Transcorrido metade do período da Quaresma - os 47 dias que vão da quarta-feira de cinzas, 17 de fevereiro até o Domingo de Páscoa, 4 de abril - estamos na semana em que o nordestino também manifesta todos os anos a sua crença baseada em alguns sinais emitidos pela natureza de que o ano será ou não de bom inverno. É que a próxima sexta-feira, 19 de março, é o Dia de São José, padroeiro dos agricultores. Segundo a tradição é a data em que poderá ser confirmada a previsão dos técnicos da meteorologia que já anunciam inverno abaixo da média para este ano. A semana é de expectativa.

Já a Quaresma é um tempo repleto de simbolismo, que compreende provação a lembrar os 40 dias do dilúvio, os 40 anos da peregrinação dos judeus pelo deserto quando fugiam do Egito e o período em que Jesus Cristo ficou 40 dias sem comer no deserto e antecede a sua Paixão e Morte. Assim, para seguir essa tradição católica é necessário dedicar esses 40 dias para orações, abstinência e caridade. É também marcada pela realização da Campanha da Fraternidade, idealizada pelo cardeal Eugênio Sales, que em recente mensagem afirma ser um tempo propício à reflexão cristã, a uma conversão do coração, a uma prática de penitência.

Nesse conjunto de eventos, dá para refletir - porque bem oportuno - sobre um tema bastante amplo, presente em todos os atos que irão culminar com a Páscoa – ou a Ressurreição do Cristo – e de diversas formas no dia a dia das pessoas: a fé. O conceito de fé é muito amplo. A começar pela crença que cada um tem em si mesmo. Esta é necessária porque se não acreditarmos em nossa própria capacidade, estaremos fatalmente destinados ao fracasso em qualquer tentativa. Quem tem fé, demonstra coragem, arrojo, confiança, sem prepotência ou orgulho. Sabe retirar de toda e qualquer situação desagradável uma oportunidade de aprendizado.

A pessoa que tem a verdadeira fé mostra-se paciente e calma. Não se desespera diante das dificuldades, porque acredita na bondade e na justiça divinas. Mesmo assim tem seus medos, também se sente frágil, também chora, experimenta a solidão, mas graças à fé sempre ergue a cabeça, não desanima. Diante de situações como doenças em que a solução é arriscada, sabe que não existe meio termo entre fazer ou não fazer, tentar ou não tentar. Diferente de quem não têm fé e recua diante do primeiro obstáculo. Que prefere não enfrentar as dificuldades e apenas se lamentar, muitas vezes até botando a culpa em Deus, esquecendo que quanto mais lamentações menos fé, mais covardia, maior a fraqueza. Quem tem fé, sabe que tudo é passageiro e acredita num Poder Superior bem maior do que qualquer problema que pode nos atingir.

Fé (do grego: pistia e do latim: fides) é a firme convicção de que algo seja verdade, sem nenhuma prova de que este algo seja verdade, pela absoluta confiança que depositamos neste algo ou alguém. A fé remove montanhas é a frase bíblica que significa a remoção de montanhas de desespero; de noites mal dormidas, sonhos desfeitos ou ainda doenças de tratamento de alto risco. Existem estudos e pesquisas científicas que documentam a ligação entre fé e boa saúde. Chegam a mostrar que pessoas que freqüentavam a igreja todas as semanas tinham menos probabilidade de serem internadas e, se o fosse, não passavam tanto tempo no hospital quanto às que iam com menos freqüência.

Uma pesquisa co-dirigida pelo epidemiologista norte-americano Jeff Levin, autor de “God, faith and health” (Deus, fé e saúde), constata que pacientes confortados pela fé apresentam probabilidade três vezes maior de sobrevivência após cirurgias cardíacas abertas. Foi a experiência que vivi nesses dias com familiar próximo e pude observar o resultado. Claro que não se trata de cura pela fé, mas da fé na cura. E na mão invisível de Deus a auxiliar a Medicina nas horas em que se percebe a vida segura por um fio. Um fio de esperança. Sustentado pela fé.

 

 

(*) Wellington Medeiros é Jornalista. 

. Artigo publicado também no Jornal de Hoje, edição de 15.03.2010

 

 

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Leia também a coluna Notícias, de Wellington Medeiros, no Site da Rede Tropical

 

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