OBSERVANDO

Wellington Medeiros (*)

welingtonmedeiros@bol.com.br 


 

Elas decidem

            Wellington Medeiros*

 

Insere-se entre tantos outros este artigo em homenagem à mulher, cujo Dia Internacional foi instituído oficialmente pela ONU, em 8 de março de 1977, embora desde o início do século passado – há exatos 100 anos – a data já fosse comemorada. Ao longo da história, a mulher foi alvo de preconceito e discriminação – hoje ainda ocorre, embora em segmentos localizados – mas paciente, obstinada e corajosamente chega aos dias atuais como exemplo de superação e resistência. Agora, contam-se nos dedos os espaços que ainda não são ocupados pela mulher. Este JH, por exemplo, ostenta no expediente a assinatura de uma delas, a Diretora de Redação, Sylvia Sá.

No Brasil, munidas do direito constitucional da igualdade, as mulheres estão presentes atualmente nos mais diferentes segmentos sociais, políticos e econômicos. Quem já dobrou a esquina do meio século de vida, recorda que poucas profissões – até meados do século passado - abriam espaço para o trabalho feminino. Além dos chamados afazeres domésticos, lhes eram reservadas as profissões de professora, secretária, enfermeira, telefonista, balconista, porteira de cinema e as mais aguerridas buscavam a carreira artística, de cantora, artista, atriz, funcionária pública, onde geralmente ocupavam funções de menor destaque. Na política, nem pensar.

Há 78 anos, por exemplo, a mulher não tinha sequer o direito de votar. É onde o Rio Grande do Norte contribuiu para escrever um capítulo importante na história do Brasil. Em 1927, se tornou o primeiro Estado do país a permitir que as mulheres votassem. A professora Celina Guimarães, de Mossoró, se tornou a primeira brasileira a fazer o alistamento eleitoral. Também é do Rio Grande do Norte, a primeira mulher a ocupar um cargo eletivo: Alzira Soriano, eleita em 1928, prefeita de Lages, pelo Partido Republicano.

Hoje, é expressiva a presença da mulher na política norte-rio-grandense e em todos os postos eletivos. Se assim ocorreu na política – Legislativo e Executivo – não está sendo diferente no Judiciário e o braço fortalecido pelas últimas constituições – o Ministério Público. De forma ainda mais intensa, em profissões antes privativas ou restritas ao homem, como a Medicina, o Jornalismo e outras atividades liberais, como o Direito e cargos relevantes na administração pública de todos os níveis.

Na semana que antecedeu a este Dia Internacional da Mulher, pude testemunhar e até me valer do papel que esta desempenha com firmeza, competência e determinação em diferentes segmentos em que me envolvi, ou fui instado a me envolver, por força de doença em familiar próximo. Em um dos considerados mais modernos hospitais de Natal, graças a um plano de saúde contratado há cerca de 30 anos, o diagnóstico, depois de um popular cateterismo: comprometimento cardíaco. Procedimento conduzido na Hematologia por uma médica. Decisão, internamento para possível cirurgia de fortalecimento do músculo cardíaco, mais conhecido como ponte de safena. A partir daí, outras mulheres cuidando da parte burocrática, entre as quais vaga em apartamento, todos então ocupados. Resolvido em 24 horas.

Paciente internada, um complicador. É procuradora junto ao INSS da mãe, também incapacitada de se locomover. E março, coincidentemente, é o mês da chamada “prova de vida” junto ao banco. Para quem sobrou, sobraram também barreiras e até desconfianças no triângulo banco-cartórios-INSS. Mais uma vez, demonstrada a firmeza e senso da mulher para separar as coisas. Enquanto homens se reuniam para lembrar trambiques, estelionatos, golpes e a letra fria da burocracia, mulheres à luz dos fatos documentados e do bom senso sabiam fazer a distinção entre o joio e o trigo, o marginal e o cidadão – e, principalmente, decidir. Problema solucionado em outras 24 horas.

Se elas agiam com tal atenção e competência na Medicina e na burocracia bancária, previdenciária e cartorária, não foi diferente na área que me compete profissionalmente: a Comunicação. Durante a ausência das tarefas na equipe de edição do jornalismo da Rede Tropical, o apoio solidário da mulher jornalista, através da coordenadora e líder da redação Cris Vidal.

Enquanto as horas passam sem que possa retomar o ritmo normal chega o dia dela e das colegas que hoje, merecidamente recebem todas as homenagens: Patrícia Cordeiro, Kaline Mesquita, Ana Carla Queiroz, Juliana Fernandes, Mariana Cremonini, Mariana Pinto, Heloísa Guimarães, Ana Paula Davim, Marcella Mendes, Priscila Tavares, Eliane Bezerra, Daniela Freire, Elizabeth Venturini, Mércia de Souza, Sílvia Galdino, Rose Araújo, Suerda Morais, Ana Patrícia - as meninas, como costumo tratá-las - que ao lado da resignada minoria masculina fazem o jornalismo da TV Tropical.

 

(*) Wellington Medeiros é Jornalista. 

. Artigo publicado também no Jornal de Hoje, edição de 08.03.2010

 

 

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Leia também a coluna Notícias, de Wellington Medeiros, no Site da Rede Tropical

 

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