OBSERVANDO

Wellington Medeiros (*)

welingtonmedeiros@bol.com.br 


 

A luta do rádio

            Wellington Medeiros*

 

A CBN Natal, que nesta segunda-feira completa 14 anos, é uma prova de que o rádio, em especial o AM, resiste e vai, ao longo do tempo, se adaptando às mudanças. Inicialmente Trairy – anos 60/70/80 – Tropical de 21 de setembro de 1984 a 1º de março de 1996 quando se tornou mais uma das afiliadas da Central Brasileira de Notícias/CBN – a rádio que toca notícia. Quando aqui chegou definitivamente - já era sintonizada em prefixos de São Paulo, Rio, Brasília, Belo Horizonte e Recife há pelo menos cinco anos - mostrou desde logo a existência de profissionalismo e sensibilidade dos gestores da rede, especialmente com a preservação da mão-de-obra.

Nesses 19 anos, as afiliadas CBN cumprem a sua parte, com horários reservados para a cobertura local, como sempre reitera a diretora executiva da Rede, jornalista Mariza Tavares ao afirmar que “um dos aspectos mais fascinantes do rádio é justamente a proximidade com o ouvinte, o que torna crucial que ele não se afaste de sua comunidade, do que se convencionou chamar de “quintal das pessoas”. Em nível Natal, além dos intervalos (breaks) das 6 às 9 horas no Jornal da CBN, em seguida é apresentado um programa em rede estadual, ancorado pelo jornalista Franklin Machado e a participação de toda equipe de jornalismo da Rede Tropical. À tarde, novamente os breaks com a equipe local.

A propósito, quem acompanha o rádio desde os 60, percebe o quanto o desenvolvimento tecnológico contribuiu para mudanças e sempre para melhor. Do rádio-escuta – com as notícias gravadas de emissoras do Sul e transmitidas instantes depois – para o tempo real como atualmente. Do telefone fixo e constantes demoras quando não linhas cruzadas – para o celular. Do teletipo, com as notícias sendo muitas vezes recebidas pelo código Morse – para ferramentas modernas como a Internet e o notebook. Sem falar no chiado das transmissões à distância via linha telefônica para o sinal via satélite. Comparando é que se entende porque sintonizar a CBN é hoje, o privilégio de se ter uma agência de notícias ao alcance da mão - 24 horas.

Do rádio antigo, para os quais os maiores requisitos profissionais eram a dedicação, desprendimento, senso de observação para o que ocorria em centros maiores e criatividade, muitos nomes contribuíram para que esse veículo fosse durante algumas décadas o maior instrumento de lazer, cultura e informação. Muitos buscaram outros caminhos, enquanto uns dedicaram a vida inteira a essa atividade. Entre estes, um se destacou como sonoplasta, operador de áudio – controlista como é mais conhecido esse profissional. Trata-se de Luth Lopes, 62 anos, a vida inteira dedicada à rádio Cabugi – hoje Globo Natal – falecido neste sábado, após dois anos de luta contra um câncer de próstata.

Disse bem o locutor Santos Neto, outro decano do rádio natalense, ao afirmar ter sido uma perda para o radiojornalismo potiguar. Luth Lopes começava na profissão quando dirigi o Jornalismo da então rádio Cabugi. Contribuía com a calma que lhe era característica, somada a paixão e o senso de responsabilidade, como também lembra - outra lenda do rádio, o diretor técnico Ailson Bonifácio - para o sucesso que foi o rádio AM naquele nosso tempo. “O alemão, naturalizado brasileiro”, como ficou famoso, graças ao apelido que ganhou de Hélio Câmara, outra referência do radialismo, Luth deixa a sua marca no rádio norte-rio-grandense.

Daí, as justas e merecidas homenagens prestadas na manhã deste domingo, com as presenças, entre tantos, do senador Garibaldi Filho, um dos dirigentes da rádio Cabugi nos anos 70, Ricardo Gobat, filho do eterno diretor do grupo José Gobat Alves, desportistas, entre estes César Virgílio, Edivaldo Pereira, Aquino Neto e colegas que conviveram ao longo dos anos com um dos mais competentes profissionais da área. Também foi alvo de outra homenagem, desta vez no segmento onde deixou o seu nome definitivamente gravado: o esporte.

Coube ao ABC, clube pelo qual torcia homenageá-lo, entrando neste domingo em campo com uma fita preta na camisa, simbolizando luto. Nos demais jogos, um minuto de silêncio. Em respeito àquele que dava brilho às transmissões esportivas, neste domingo, por sinal, completamente opacas pelo menos para ABC e América.

 

(*) Wellington Medeiros é Jornalista. 

. Artigo publicado também no Jornal de Hoje, edição de 01.03.2010

 

 

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Leia também a coluna Notícias, de Wellington Medeiros, no Site da Rede Tropical

 

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