OBSERVANDO

Wellington Medeiros (*)

welingtonmedeiros@bol.com.br 


 

A força do Carnaval

            Wellington Medeiros*

 

Nesta semana que antecede ao carnaval dá para perceber a existência de um verdadeiro cabo-de-guerra envolvendo o consumo do álcool para esse período. De um lado, a indústria de bebidas tentando ocupar todos os espaços, desde a mídia aos locais mais privilegiados nos supermercados. Do outro os agentes públicos de saúde, segurança e trânsito alertando sobre os riscos do abuso do consumo de bebida alcoólica mesmo durante o período em que é sempre mais tolerado. Apesar da indústria, impelida pelas desgraças provocadas pelo álcool adotar slogans como “beba com moderação”, o carnaval é tradicionalmente marcado pelos excessos e suas notórias conseqüências.

Se um lado argumenta com números, danos e problemas causados pela bebida, como acidentes de carro traumáticos, violências e agressões, conflitos familiares e mortes acidentais, o outro mostra sempre a imagem de festas, bebedeiras, alegria, só com um detalhe: todas apenas na fase inicial. Quem assiste, pode muito bem fazer, mentalmente, uma projeção sobre o saldo final de muitos desses eventos, como a vida real mostra todos os dias. Dados oficiais indicam que, no Brasil, o consumo excessivo de álcool - ou intoxicação aguda por álcool - está presente em 25% dos suicídios, grande parte dos homicídios e 50% das mortes no trânsito.

Em uma das extremidades deve ser destacada a presença e a força que é dada pela Polícia Rodoviária Federal. Além de mostrar ação e eficiência na fiscalização que executa, valoriza a transparência, com a sua área de Comunicação Social sempre à disposição da imprensa, pelo menos no Rio Grande do Norte e os mapas geralmente atualizados das ocorrências. Já se sabe que no mês de janeiro foram realizados 3.531 testes de bafômetro – média de 114/dia – e que resultaram na autuação de 126 motoristas dirigindo embriagados. No ano passado, foram 28.162 testes, 1.050 motoristas autuados e 636 presos.

Não é segredo nenhum - mas também não existem números atualizados como faz a PRF semanalmente – que a maioria das pessoas vitimadas em acidentes ou agressões físicas e que chegam ao Walfredo Gurgel e as prisões em qualquer delegacia policial, tem o componente bebida alcoólica. Se o álcool faz parte do cotidiano e em alguns casos como elemento “socializador”, imaginemos no carnaval, período em que os abusos são historicamente conhecidos. Mesmo sabendo dos riscos, muitos enchem a cara e o que poderia ser uma festa marcada pela alegria, pode terminar mal. Quem está do lado do cabo-de-guerra do alerta e advertência, lembra que o álcool provoca lesões nas células cerebrais e neurônios, produz a cirrose hepática destruindo o funcionamento do fígado e também do pâncreas. Além de atuar diretamente no sistema nervoso, prejudicando a coordenação motora.

Mas, enquanto a torcida é por um equilíbrio no cabo-de-guerra, vale lembrar, porque verossímil, uma versão/fábula sobre o surgimento do Carnaval: - O povo andava triste. Todos cabisbaixos, de rostos cansados, sem ânimo. O rei andava preocupado. Queria ver o povo feliz. Precisava disso, pois assim seria mais fácil manipulá-lo. Poderia aumentar impostos, criar outros, viajar à vontade, roubar, fazer leis absurdas e outras coisas deste tipo. Precisava deixar o povo alegre. Como parecia uma missão quase impossível, o rei contratou os melhores especialistas em diversas áreas: psicólogos, músicos, artistas, animadores de festas, humoristas, bobos da corte, filósofos, entre outros.

Ordenou que se reunissem o tempo que fosse necessário para realizar o trabalho. Então esses profissionais ficaram discutindo durante horas e horas, dias e dias, semanas… Após vários meses de reuniões ininterruptas dentro do castelo, eles estavam cansados e abatidos como o povo do reino. Decidiram então, que deveriam descansar e se divertir um pouco. Pediram ao rei comidas e bebidas a vontade, dizendo que esta festa seria indispensável à continuação do trabalho. O rei atendeu.

Comeram e beberam até ficarem tão embriagados que começaram a cantar e pular e agarrarem-se. Resolveram fazer uma brincadeira: todos iriam trocar de roupas uns com os outros. Sentiram-se tão alegres que dançaram e cantaram o mais que podiam. Do lado de fora da sala, o rei nada entendia, ouvindo toda aquela cantoria. No dia seguinte estavam exaustos, jogados pelo chão, de caras amarrotadas e com a maior ressaca de suas vidas. Mas estavam felizes como nunca. Foi aí que lhes ocorreu um estalo: a resposta estava aí! O rei deveria organizar uma festa, regada a muita bebida, música e dança, onde todos trocariam de roupas com todos. O rei adorou a idéia. Assim instituiu o carnaval. E alcançou o seu objetivo.

 

(*) Wellington Medeiros é Jornalista. 

. Artigo publicado também no Jornal de Hoje, edição de 08.02.2010

 

 

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Leia também a coluna Notícias, de Wellington Medeiros, no Site da Rede Tropical

 

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