OBSERVANDO

Wellington Medeiros (*)

welingtonmedeiros@bol.com.br 


 

Mapa coroplético

            Wellington Medeiros*

 

Quem passa pelo local após a ocorrência de um acidente de moto, a primeira impressão é a da existência de vítima fatal. Devido a sua fragilidade, quando a batida ocorre contra um veículo de grande porte, sempre é esse mesmo o resultado. Mas, na semana passada, em meio aos inúmeros acidentes, dois deles chamaram atenção: um, na Rota do Sol, em Natal e o outro na rodovia que liga Almino Afonso / Frutuoso Gomes, na região do alto oeste. Nos dois acidentes, os motociclistas que dirigiam sozinhos e em alta velocidade sobraram em curvas e morreram ao se estatelaram em cima de um poste e no meio-fio, respectivamente.

Esses acidentes, não só ampliam a lista e o mapa coroplético do Detran, como chamam atenção para o fator velocidade associado à imprudência que no trânsito coloca em risco também a vida e o patrimônio dos outros motoristas e pedestres. Também ensejam o registro de um atropelamento ocorrido no último dia do ano, em frente ao Bompreço Alexandrino de Alencar. Uma moto, em alta velocidade, atropelou e matou dona Graça, a proprietária da cigarreira que tem o mesmo nome da Avenida, num instante em que não havia trânsito algum. Só o pequeno veículo conduzido por uma mulher que, também sozinha, sofreu apenas o susto e vinte dias depois o remorso, com o falecimento da dona de casa e comerciante muito estimada pela vizinhança e clientes.

Se nesses três acidentes, onde não havia o envolvimento de outros veículos, três vidas foram ceifadas dá para imaginar como estão as estatísticas, como uma pesquisa do Ministério da Justiça constatando que desde a década de 90 as motocicletas se tornaram o ponto crítico do trânsito brasileiro e devido ao assustador aumento no número de acidentes, também se transformam em problema para a saúde pública. Não precisa de qualquer estudo para, em algumas horas, comparar algumas avenidas, com seus viadutos, giradouros e obstáculos com o cenário que se vê de fora no famoso desafio circense chamado “globo da morte”. Nele, observam-se as motos passando a alguns centímetros umas das outras. Não se tem notícia de acidente, porque existe concentração e responsabilidade. Já no trânsito é o salve-se quem puder.

Na verdade, o número de motos no trânsito bombou – para usar um termo bem atual – nesses últimos anos e somente nas duas principais cidades do Estado circulam hoje cerca de 100 mil motos, mais precisamente 56.012 registradas em Natal e 36.958 em Mossoró e um dado a chamar atenção é que na capital do oeste este número supera ao registro de automóveis, 33.128. Em Natal, os automóveis são atualmente 178.351. Mas, uma passagem pelo site www.detran.rn.gov.br  permite constatar que além de Mossoró, em muitos outros municípios o número de motos já supera o de automóveis: em Assu, Acari, Areia Branca, Apodi, Caicó, Canguaretama, Currais Novos, Macau, Nova Cruz, Pau dos Ferros, Santa Cruz e Touros, entre outros.

O Conselho Nacional de Trânsito considera que a motocicleta tem qualidades, mas também reúne defeitos próprios de sua estrutura instável e frágil que podem provocar acidentes quando de sua condução negligente. A vantagem é que encurta distâncias e abrevia o tempo da viagem, mas o emprego da velocidade além dos limites permitidos inibe os reflexos do condutor, atirando contra o asfalto a vida apressada. Também chama atenção para a aproximação rápida, muitas vezes fator surpresa que assusta os motoristas - diante do uso freqüente desses veículos pela bandidagem - e, muitas vezes, desequilibra emocionalmente o pedestre.

Isso não exime os motoristas mesmo atordoados pelo grande número de motos. Uns não dão mesmo atenção suficiente aos espelhos retrovisores, outras vezes não sinalizam nas conversões e mudanças de pista. Também esquecendo que as motos não conseguem frear com da mesma forma que um carro. Precisam de mais espaço para que o piloto não seja içado para longe. O ideal é que todos dirigissem compartilhando o espaço que é público. E se conscientizando que o trânsito flui bem se todos estiverem pensando no bem comum que em último caso é o próprio bem de quem deseja um final de trajeto em segurança. Sem perigo de figurar no mapa coroplético – aquele com pontinhos coloridos que identificam cada tema, no caso os diversos tipos de acidentes.

 

(*) Wellington Medeiros é Jornalista. 

. Artigo publicado também no Jornal de Hoje, edição de 01.02.2010

 

 

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Leia também a coluna Notícias, de Wellington Medeiros, no Site da Rede Tropical

 

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