OBSERVANDO

Wellington Medeiros (*)

welingtonmedeiros@bol.com.br 


 

As campanhas

            Wellington Medeiros*

 

Enquanto as atenções já se voltam para a campanha eleitoral de 2010 marcada para começar oficialmente no dia 6 de julho – no rádio e televisão, dia 17 de agosto – outra está em curso há um mês, atinge direta ou indiretamente a toda sociedade e mesmo assim está limitada aos comerciais no rádio, televisão e peças na mídia impressa. Com a primeira fase já com data para terminar – 31 de janeiro – trata-se da campanha do Ministério da Saúde, alertando para os perigos do consumo do crack no país. O objetivo é tentar evitar a disseminação do consumo dessa droga que cresceu de forma assustadora nos últimos cinco anos, causando dependência e, diariamente, matando jovens que caem nas garras do tráfico.

A vigência dessa etapa da campanha - durante o período de festas e das férias escolares - foi proposital, uma vez que a idéia é tentar mostrar, principalmente aos jovens, os riscos desse consumo. O próprio ministro José Gomes Temporão, reconhece que “os jovens são mais propícios à experimentação. A campanha – ao lado de um pacote de medidas nesse mesmo sentido – visa também mostrar algo que no princípio pode parecer sedutor, mas transforma-se sempre num grande pesadelo”. Subproduto da cocaína o crack é considerado uma droga barata – por isso atinge os jovens das camadas mais baixas – mas os fatos mostram que qualquer jovem pode ser um usuário em potencial.

Com o slogan “Nunca experimente o crack. Ele causa dependência e mata”, essa primeira fase visa alcançar a época em que as famílias se encontram e podem ter uma conversa mais aberta sobre tema tão grave. Em seguida, deverá envolver as escolas, os professores, além dos pais e da sociedade em geral. Na televisão, um dos anúncios, mostra uma narração com um fundo preto e branco, pedindo a atenção dos telespectadores e repetindo o slogan contra o uso da droga. Em outro, conta a história de um rapaz que roubou a própria família para consumidor o crack. No rádio, a campanha ganha o ritmo de rap com um jingle de 60 segundos, bem ao gosto da juventude.

O Rio Grande do Norte é um dos beneficiados com o pacote de medidas que pretende ampliar a rede de assistência médica a usuários de álcool e drogas e a pacientes com transtornos mentais. Prevê a abertura de novos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e incentivos financeiros para internações curtas – até 20 dias – de pacientes em crise. Está constatado que quando os efeitos da droga diminuem no organismo, a pessoa tem sintomas de depressão e sensação de perseguição. Outros sintomas comuns são desnutrição, rachadura nos lábios, sangramento na gengiva e corrosão dos dentes; tosse, lesões respiratórias e maior risco para contrair o vírus HIV e hepatites.

Mesmo assim, foi no atual veraneio, onde bandos agiram em praias do litoral, causando indignação num jurista e ex-deputado que chegou a ser feito refém ou roubando objetos da casa de praia de um promotor de justiça, além da sucessão de delitos relatados com freqüência na imprensa, de pessoas assaltadas em ônibus, ruas, residências e estabelecimentos comerciais. São sempre jovens entre 15 e 29 anos, cujo produto dos crimes vai parar, sem exceção, nas mãos dos traficantes do crack.

Estes fatos mostram que estamos no mesmo barco, ou na mesma praia. E que o problema é de todos, cujo cenário – ou indiferença – está muito bem retratado no famoso poema do russo Vladimir Maiakovski: “Na primeira noite, eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim e não dizemos nada. Na segunda, já não se escondem. Pisam as flores, matam o nosso cão e não dizemos nada. Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada”.

Quanto à outra campanha, também deve ter o engajamento de todos. Como adverte o não menos famoso Bertolt Brecht: O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem de decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio dos exploradores do povo.

 

(*) Wellington Medeiros é Jornalista. 

. Artigo publicado também no Jornal de Hoje, edição de 18.01.2010

 

 

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Leia também a coluna Notícias, de Wellington Medeiros, no Site da Rede Tropical

 

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