OBSERVANDO

Wellington Medeiros (*)

welingtonmedeiros@bol.com.br 


 

De olho nos olhos

            Wellington Medeiros*

 

Ao se preparar fisicamente para a passagem de ano, muita gente aproveita o mês de dezembro para um check-up. O coração é, normalmente, o primeiro da fila. O exame da vista muitas vezes é até mesmo deixado para depois. Com a estação quente do verão, o que se observa é que todos ficam em contato com excessiva claridade e mais ainda necessitando do ar condicionado, se for às praias é o cloro e a areia, considerados agentes irritantes dos olhos e que podem causar sérios problemas visuais. É no verão, a maior incidência de conjuntivites, alergias e irritações oculares e a procura de socorro especializado.

Os oftalmologistas esclarecem que a excessiva claridade pode provocar reações alérgicas e queimaduras graves. A exposição dos olhos aos raios ultravioletas provoca nos olhos a sensação de desconforto, como se houvesse um cisco, porém sem secreção, além de provocar vermelhidão. Aconselham, para evitar os raios ultravioletas, óculos escuros com lentes adequadas. Além dos óculos escuros de procedência, que bloqueiem pelo menos 99%da radiação ultravioleta, o kit básico de cuidados com os olhos nesse período, deve incluir sabonete neutro, protetor solar, creme hidratante e colírio de lágrima artificial.

Tudo isto é resultado de uma consulta que fiz nesses últimos dias, depois de observar vermelhidão nos olhos. A princípio atribuía ao computador, onde por dever de ofício, é o meu foco visual em pelo menos oito horas diárias. Um dos conselhos é a cada hora, descansar 10 minutos fora da tela. O outro, usar um colírio lubrificante. Já começando a sentir o resultado, eis que vejo na internet uma notícia no mínimo bizarra. É que nos Estados Unidos as autoridades descobriram que dois presos tinham sido submetidos a um doloroso e perigoso processo de tatuagem nos olhos. A intervenção consiste em aplicar tinta colorida na parte branca dos olhos. Isso mesmo, eles pintam totalmente os olhos. As fotos aparecem na notícia.

Como se não bastasse, no Canadá, o tatuador Pauly Unstoppable – conhecido por ter modificado o próprio corpo inúmeras vezes, com tatuagens, piercings faciais e implantes – consegue mudar a cor dos olhos. Usa uma agulha, com tinta – no caso azul – misturada com antibiótico de lavagem de olhos e faz no mínimo 40 aplicações no olho do voluntário. Avisa que as pessoas devem estar cientes dos riscos e complicações, mas especialistas recomendam mesmo é que ninguém tente tatuagem desse tipo. Os presos que ficaram com o branco dos olhos vermelho e azul, comemoram: “Aposto que ninguém no mundo tem a mesma cor de olhos, como eu tenho”. Não dizem como fizeram, mas advertem: “É doloroso, é como se alguém estivesse tocando com pontas de faca nos olhos”.

A notícia bizarra misturada à estupidez humana faz lembrar a história de um príncipe que morava num belo castelo, vivia nos jardins e não sabia o que se passava além dos muros da fortaleza. Quando atingiu a idade adulta, o rei pediu que percorresse seu futuro reino. Alegre, o jovem príncipe saiu pelo mundo. Logo cruzou com um enterro e ouviu pela primeira vez falar em morte. Encontrou pobres pelas ruas e tomou conhecimento da miséria. Viu leprosos que pediam comida e descobriu a doença.

 

Desesperado, voltou ao castelo. “Descobri horrores da vida”, disse assim para o sábio da corte. “Existe alguma maneira de não ter que enxergar mais isto?”, perguntou preocupado. “Existe”, disse o sábio. “Corrija o que estiver errado. Lute para melhorar o mundo”. “Mas isto é muito difícil”, disse o príncipe. “Não existe nenhuma solução mais fácil?”. “Existe”, responde o sábio: “Basta furar os olhos”.

Mas, para quem tem juízo, lucidez e quer voltar a ver – e no caso precisa de transplante de córnea - o ano começa com uma boa notícia. A Central de Transplantes do Rio Grande do Norte recebeu 34 córneas doadas pelos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Os tecidos que já estão sendo transplantados nos pacientes potiguares não foram utilizados em razão dos dois estados doadores não possuírem mais filas de espera para transplante de córnea, enquanto por aqui são mais de 370 pessoas vivendo a expectativa de doadores. E, como a maioria, não veem graça nenhuma em se brincar com coisa tão séria.

 

(*) Wellington Medeiros é Jornalista. 

. Artigo publicado também no Jornal de Hoje, edição de 11.01.2010

 

 

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Leia também a coluna Notícias, de Wellington Medeiros, no Site da Rede Tropical

 

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