OBSERVANDO

Wellington Medeiros (*)

welingtonmedeiros@bol.com.br 


 

Mito e realidade

            Wellington Medeiros*

 

A esta altura ninguém se importa mais com a decoração natalina da cidade, no começo do mês bastante criticada pelo mau gosto de algumas peças penduradas nos postes e até as figuras colocadas nos canteiros da BR-101 acusadas nos pequenos acidentes de desviar atenção dos motoristas. É que a poucas horas da celebração do Natal, muitos se voltam mesmo é para as festas que a partir de agora se estenderão até o Ano Novo e com direito a prorrogação pelo feriado de Reis Magos, na quarta-feira, 6 de janeiro.

O clima já envolveu a todos – o comércio não tem do que reclamar – e as reuniões de confraternização vão se sucedendo – umas terminando em tristeza, como a ocorrida na madrugada deste domingo em uma granja de São Gonçalo do Amarante. Abraços – uns de tamanduá – se repetindo. Sorrisos – alguns de hiena - e os desejos – a maioria só da boca pra fora - de Feliz Natal. Tem ainda os cartões de Natal que agora chegam também pela internet, muitos em forma de mensagens, a maioria de reflexão sobre a festa que mobiliza toda a humanidade esta semana.

Uma dessas mensagens parece traduzir com mais força o clima da festa, vista por Ele mesmo. Entre as diversas versões, umas até assinadas, outras de autor desconhecido, a que mais desenha o cenário atual, começa com uma hipotética pergunta do aniversariante e o seu desdobramento: - Como você sabe, o Meu aniversário está chegando. Todos os anos tem festa em minha homenagem e creio que este ano acontecerá a mesma coisa. Nesses dias as pessoas estão fazendo muitas compras. No rádio, jornal e televisão saem muitos anúncios. Por toda a parte não se fala de outra coisa a não ser nos preparativos para o grande dia.

É bom saber que pelo menos um dia no ano algumas pessoas pensam um pouquinho em mim. Já faz muitos anos que começaram a comemorar o meu aniversário. No início parecia que as pessoas se davam conta e estavam agradecidas por tudo o que eu havia feito por elas, mas a maioria, hoje, não parece saber direito a razão de tanta festa. Apesar disso, gosto de ver as pessoas se reunirem e se divertirem. Fico feliz por ver tantas crianças sorrindo felizes. No ano passado, quando chegou a época do meu aniversário fizeram uma grande festa – coisas deliciosas na mesa, tudo bem decorado e havia muitos presentes – mas, sabem de uma coisa? Não me convidaram.

Imagine tudo preparado com antecedência, mas esqueceram de convidar o homenageado. A festa era para mim e quando chegou o dia, deixaram-me de fora. Na verdade, não estranhei, porque nos últimos tempos muitos me fecham a porta. Apesar de não ter sido convidado, achei que seria bom entrar de mansinho, sem fazer ruído e ficar num cantinho. Todos estavam bebendo, comendo e se divertindo quando, de repente, entrou um homem gordo com uma roupa vermelha e uma barba branca postiça, tentando imitar uma risada: “ho, ho, ho!”. Parecia ter bebido demais e deixou-se cair pesadamente numa cadeira e todos correram para ele gritando: “Papai Noel, Papai Noel!”, como se a festa fosse para ele.

Quando chegou meia-noite, todos começaram a abraçar-se. Estendi meus braços, esperando que alguém me abraçasse. Ninguém me abraçou. De repente, todos começaram a entregar presentes. Um a um os pacotes foram sendo abertos. Cheguei perto para ver se, por acaso, havia algum para mim e nada! Compreendi que estava sobrando na festa. Sai sem fazer barulho, fechei a porta e fui embora. Cada ano que passa é a mesma coisa: as pessoas só se lembram da ceia, dos presentes, das festas. Nem sequer mencionam o nome do aniversariante. Só dizem “Boas Festas”.

O Natal - não custa lembrar - é o Aniversário de Jesus Cristo que, para os cristãos, ainda vive, pois morreu e ressuscitou. Assim, não se trata de uma festa qualquer, mas a celebração daquele que é descrito como o Filho de Deus, o Rei dos reis, o Príncipe da Paz, o Cordeiro de Deus, o Salvador. Quanto a Papai Noel é uma figura natalina surgida em 1823, cujas atuais roupas vermelhas só apareceram no século 20, em uma tentativa da Coca-Cola de conquistar o público infantil.

Direito de pergunta: Você vai ter um Natal com Jesus ou com Papai Noel? Quem vai enfeitar as janelas de sua casa: um presépio com Jesus, Maria e José ou Papai Noel com suas renas e pinheiros cobertos de neve, em pleno verão nordestino? Quem dos dois existiu de fato e quem é apenas uma lenda? As crianças da sua família ouvirão falar mais de Jesus Cristo ou do Papai Noel? Se ainda não dá para decidir entre a realidade e o mito, convide os dois e Feliz Natal.

 

 

 

(*) Wellington Medeiros é Jornalista. 

. Artigo publicado também no Jornal de Hoje, edição de 21.12.2009

 

 

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Leia também a coluna Notícias, de Wellington Medeiros, no Site da Rede Tropical

 

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