OBSERVANDO

Wellington Medeiros (*)

welingtonmedeiros@bol.com.br 


 

Gossipterapia

            Wellington Medeiros*

 

Se ela está em toda a parte, tem mesmo que ser tratada como um fenômeno social dos mais populares. Livros já foram editados tratando-a como um antídoto contra a monotonia e a solidão e na universidade norte-americana de Knox College tem até um especialista que chegou à conclusão de que ajudou na evolução humana. Neste mês de confraternização, em que as pessoas se encontram com mais freqüência, reuniões entre amigos, vizinhos, colegas de trabalho e familiares se sucedem, ela está presente sutil ou ostensivamente nas mais diferentes formas. É a velha fofoca.

Para o professor norte-americano Frank McAndrew, falar da vida alheia é um hábito do tempo das cavernas. Para obter sucesso nos grupos sociais, os homens pré-históricos tinham de saber sobre a vida das outras pessoas e o que elas sabiam fazer. Para ele, quem tinha mais informação conhecia as fraquezas dos adversários – sabia tirar vantagem disso. Assim, espalhar boatos sobre os outros é hábito antigo, mas somente nos últimos 30 anos historiadores e antropólogos resolveram estudar o que pode estar por trás da fofoca. Para muitos deles, histórias inventadas ou meias-verdades dizem bastante sobre os medos, desejos e preconceitos de quem os espalha.

Terapia da fofoca, ou como é traduzido o livro intitulado “Gossipterapia”, lançado por duas italianas, Elena Mora e Luisa Ciuni, mostra que preocupar-se com a vida alheia e falar cotidianamente das alegrias e tristezas dos outros não é considerado apenas sinal de inveja ou maldade e, sim, uma excelente terapia. Considera a fofoca um importante instrumento de integração social. Consolida a participação num determinado grupo, alivia as tensões, o estresse acumulado e permite descarregar a agressividade. Para as escritoras, falar da vida alheia faz bem para a pele. No momento em que se ri de uma fofoca, os músculos do rosto relaxam. Melhor do que botox.

As italianas afirmam ainda que a fofoca como terapia e diversão é típica do universo feminino. Segundo elas, os homens não possuem o mesmo tipo de confiança que as mulheres têm umas nas outras, da qual nasce a fofoca leve e alegre. E disparam: “Quando eles fofocam, são malvados, vulgares. Fazem apenas para obter informações importantes que servem para atrapalhar a carreira de alguém, ou melhorar suas posições profissionais. Também inventam mentiras, falam de fantasias, geralmente sobre sexo e mulheres”, atacam injustamente. Mas, reconhecem que muitas vezes não acontece nada interessante nas nossas vidas e fofocar tem um efeito tão consolador como comer chocolate. A vantagem – aconselham – é que não engorda. E concluem que o salão de cabeleireiro, a academia de ginástica, festas de aniversários, casamentos e corredores de hospitais são alguns dos locais preferidos por mulheres de todas as idades para fofocar.

Gossipterapia também é associada a uma série de livros publicada no Brasil pelo selo da editora Record. Conta histórias de um grupo de adolescentes da alta sociedade nova-iorquina, com muito dinheiro para gastar, muita privacidade (seus pais nunca estão em casa) e com fins de semana preenchidos por festas e compras. Mas no meio destes adolescentes, há uma pessoa, intitulada "Gossip Girl", que comanda um site de fofocas que escancara os segredos da elite teen de Nova York. Lá estão todos os podres: quem traiu quem (e como), quem dorme com quem, os alcoólatras, bulímicos, drogados, anoréxicos e mentirosos.

Fofoca, traduzida no Brasil como rádio-peão, rádio-corredor, bochicho têm vários estilos: Sinceridade – “Olha, eu vou lhe contar uma coisa sobre fulano, mas porque sou amigo dele. O meu intuito é apenas ajudar”; Afirmação – “Será que fulano é homossexual?”; Baixaria – “O cara estava com fulana no restaurante, mas não conta nada para o chefe, senão, já viu né?”; Misericórdia – “Vou contar uma coisa da Fulana que é para prejudicá-la mesmo, pois ela merece!” e o estilo Tapete – “Olha, não quero puxar o tapete de ninguém, mas...”. A novidade agora é a fofoca virtual. Está no Orkut, fotolog, twitter, myspace e até mesmo no blog pessoal. Nem precisa sair da caverna.

 

 

(*) Wellington Medeiros é Jornalista. 

. Artigo publicado também no Jornal de Hoje, edição de 14.12.2009

 

 

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Leia também a coluna Notícias, de Wellington Medeiros, no Site da Rede Tropical

 

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