OBSERVANDO

Wellington Medeiros (*)

welingtonmedeiros@bol.com.br 


 

Nossa autocrítica

            Wellington Medeiros*

 

A conclusão de alguns teóricos da comunicação é a de que jornalista escreve para jornalista ler. Segundo eles, um texto submetido à avaliação de um colega é o melhor passaporte para a chegada até o leitor. Pelo menos durante muito tempo - até o advento da editoração eletrônica – uma das presenças mais fortes nas redações era a do copidesque. Ou o revisor/auditor do texto elaborado pelos repórteres, antes da matéria ser encaminhada ao editor geral. Além da revisão, também lhe competia dar sugestão de títulos, muitas vezes para diferentes dimensões de colunas do jornal. Já exercia esta função nos anos 70 na Tribuna do Norte ao lado de Djair Dantas e tínhamos a consciência de que os repórteres gostassem ou não algumas matérias tinham que ser alteradas ou reescritas. Outras até mesmo engavetadas no cesto de lixo mais próximo.

Hoje, embora as matérias passem pelos editores, o ideal é que os repórteres estejam focados para que seja deles o texto final. Uma prova disso pode ser observada nas notícias inseridas, muitas vezes de forma apressada, nos sites dos próprios jornais. Os erros às vezes vão desde os títulos, pontuação, concordância verbal, sem se falar no conteúdo. Fácil de corrigir na Internet, mas de difícil reparo para o internauta que acessa casualmente. O positivo é que a maioria dos redatores – até mesmo na chamada blogosfera - prima pela qualidade, consciente de que com os nomes dando crédito aos textos, não somente os colegas lêem, mas um número infinito de pessoas. Tudo dito até aqui vale para o rádio e televisão, com as devidas adequações.

Se o copidesque muitas vezes arranjava encrenca com alguns repórteres, imagine o profissional que critica a própria empresa, no caso o jornal, mais especificamente o ombudsman – palavra de origem sueca que significa representante do cidadão. Ele é a presença dos leitores dentro do jornal. Responsável pela autocrítica do próprio veículo. Para exercer o cargo com independência, o jornal Folha de S. Paulo, pioneiro no Brasil, instituiu o mandato de um ano para cada ombudsman, com a possibilidade de apenas uma única renovação de mais um ano. Essa possibilidade, posteriormente, foi expandida, para duas renovações (três anos de mandato). O profissional não pode ser demitido durante o mandato e tem estabilidade de mais seis meses no jornal após deixar a função.

Adotado na Folha de S. Paulo desde o dia 24 de setembro de 1989, o cargo é exercido atualmente pelo jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva, também professor universitário e escritor e que esteve semana passada em Natal. Veio fazer a palestra de abertura do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Mídia, PPGEM/ UFRN. Falou sobre “Mídia e Sociedade”, no auditório da Escola de Música. Deve ter percorrido os mesmos corredores do campus onde há 30 anos foi professor visitante, ministrando aulas sobre “Opinião Pública”, num período em que opinar era correr risco e hoje ele conta em entrevistas, além dos bons momentos – que devem ter sido muitos – também os maus, que sintetiza em demissões – depois revogadas pela pressão de estudantes e professores – devido a participação nos primeiros ensaios de greves, em pleno regime militar.

Do jovem paulista, na época aos 27 anos, os colegas da Turma Berilo Wanderley, que em 2009 completa 30 anos de formatura, lembram a maneira descontraída com que ministrava as aulas, algumas vezes sentado descalço sobre o birô e já ensinando que “a Opinião Pública é via importante na estrada de mão dupla que deve ser a Comunicação Social”. O trecho é do discurso deste orador, proferido em 14 de dezembro de 1979, na Sala dos Grandes Atos da Fundação José Augusto, aos listá-lo entre os professores com os quais convivemos entre 1976/1979.

Além de professor da primeira turma de Comunicação formada a partir da instalação do curso no campus da UFRN, aqui fez pesquisa de doutorado, objetivo inicial da vinda para Natal. Tratava da recepção de programas de TV entre trabalhadores das classes pobres. Nesse tempo a recepção era ruim em todos os sentidos. Também analisou o uso dos meios de comunicação de massa – o rádio, claro – pelo líder Aluízio Alves. Aí, certamente deitou e rolou. Foi diretor-fundador da ADURN - Associação dos Docentes da UFRN. Fora da Universidade, foi editor do jornal Salário Mínimo, da Coojornat (Cooperativa dos Jornalistas de Natal) e de curta duração e, engajado na luta pela redemocratização do país, um dos fundadores do PT em Natal. Incursão pela política com boas intenções. Não tem culpa se depois fizeram o que fizeram.

 

 

(*) Wellington Medeiros é Jornalista. 

. Artigo publicado também no Jornal de Hoje, edição de 07.12.2009

 

 

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Leia também a coluna Notícias, de Wellington Medeiros, no Site da Rede Tropical

 

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