OBSERVANDO

Wellington Medeiros (*)

welingtonmedeiros@bol.com.br 


 

Na cabeça de todos

            Wellington Medeiros*

 

A expressão Espada de Dâmocles é usada em discursos e textos para simbolizar situações difíceis e perigosas, mas quem a cita, normalmente não tem tempo/espaço nem mesmo para resumir essa passagem da mitologia grega. É que havia um rei chamado Dionísio que governava Siracusa, a cidade mais rica da Sicília, fundada em 734 a.C. No Palácio, cercado de coisas belas e caras, era invejado e entre os que o exaltava pelo poder e riqueza, um amigo chamado Dâmocles. Este desfrutava de regalias, mas não conseguia evitar que se percebesse a inveja que sentia do amigo rei.

Para corrigir essa impressão de que desfrutava de uma vida agradável, deleitosa e aparentemente despreocupada que o trono lhe proporcionava, Dionísio preparou um banquete e o colocou sentado em seu próprio trono. Dâmocles, cercado de empregados com vestes reais, sentou-se à mesa do salão de banquetes e fartos alimentos foram-lhe ofertados. Vinhos caros, flores bonitas, perfumes raros e uma música envolvente. Entre macias almofadas sentia-se o homem mais feliz do mundo. Mas, para surpresa dele, ao levantar a vista para o teto, diretamente acima da cabeça dele havia uma espada que pendia ameaçadoramente do teto, presa apenas por um único fio delgado.

O rei Dionísio, percebendo o amigo pálido, mãos trêmulas e querendo sair do trono, indagou se ele tinha perdido o apetite. Foi aí que Dâmocles indagou sobre a espada. Disse o rei: “Eu a vejo a cada dia sempre pendurada sobre minha cabeça e há sempre a possibilidade de alguém ou alguma coisa cortar a fina linha. Talvez um de meus próprios conselheiros que passe a ter inveja de meu poder e tentar me matar. Ou alguém pode espalhar mentiras sobre mim, para virar o povo todo contra mim. Pode ser que um reino vizinho envie um exército para conquistar este trono. Ou eu mesmo posso tomar uma decisão estúpida que traga minha queda. Se você quiser ser um líder, deve estar disposto a aceitar estes riscos”.

A partir desta história, que resume os bônus e os ônus do poder, dizer que alguém está sob a espada de Dâmocles, significa que, a qualquer momento, algo de ruim pode acontecer. Se a insegurança atormenta quem está no poder, o que dizer dos demais mortais no seu dia a dia. Os exemplos surgem a cada instante a começar pela discriminação, o preconceito, o desemprego, proliferação das drogas, baixos salários passando pela falta de segurança pública, e agora de forma mais dramática que é a deficiência na rede pública de saúde e as ameaças que rondam os cidadãos que a cada dia vêem surgir um novo tipo de doença. Ou o ressurgimento de outras que já se esperava erradicadas.

Depois da dengue, doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti e que está espalhada por 60% dos municípios, agora é a gripe A ou influenza H1N1, anunciada pela Organização Mundial de Saúde em março deste ano e que se apresenta firme como uma espada rondando a cabeça da população. Segundo os médicos, o novo vírus apresenta sintomas semelhantes ao de uma gripe comum, acrescidos de febre abrupta, acima de 38 graus, ocorrendo em alguns casos, diarréias. Assim como em outras gripes, o contato com secreções nasais e partículas de saliva de pessoas adoecidas por este tipo de influenza, são as principais formas de contágio.

A 72 horas do Carnatal – a abertura será às 18h30min desta quinta-feira, 3 - vê-se que a espada pende mesmo é sobre a cabeça de todos. De um lado, como numa guerra, o poder público articulando ações e estratégias para evitar um grande número de baixas, ou seja, a proliferação da gripe entre os cerca de 1 milhão de pessoas que deverão circular no local durante os quatro dias. Do outro, uma tropa que antes recebia milhares de camisinhas para outro tipo de prevenção, agora é orientada a usar álcool gel, lenços e corpos descartáveis e beijar com moderação ou nem isso, caso haja sinais de gripe.

Tem ainda a tropa de risco, orientada a sequer chegar perto da festa: gestantes, crianças com menos de dois anos, cardiopatas, asmáticos, hipertensos, obesos, diabéticos, pessoas com idade superior a 60 anos e pacientes de doenças imunodepressivas. Se essas cautelas serão adotadas ou não, impossível saber. O que não se pode ou não deve é fazer dessa gripe o único foco de risco. Ao lado estão outros igualmente preocupantes: a violência, o alcoolismo, as drogas que como um vírus se espraia independentemente de ser época ou não de Carnatal. Mas que o evento é um grande cenário de alegria, descontração, mas também o hospedeiro de muita coisa que não presta, ah, isso é.

 

 

(*) Wellington Medeiros é Jornalista. 

. Artigo publicado também no Jornal de Hoje, edição de 30.11.2009

 

 

COLUNAS ANTERIORES

FUTEBOL-MALA ALÉM DOS 12 ANOS OBSERVANDO O TWITTER PERIGO PREMIADO DITADURA DA JUSTIÇA MARTÍRIO E OS JOVENS DR. PET PAZ NO TRÂNSITO TÚNEL DO TEMPO AGORA É SEM LIMITE CARTEIRADA UNIÃO DOS CONTRÁRIOS EIN, AFINAL RESTAURADA OS DECANOS RESGATE ECOLÓGICO TRAGÉDIA E ÁLCOOL CAMINHO DAS PEDRAS MOMENTOS MÁGICOS O TRABALHO E A CRISE A SEMANA, A PÁSCOA E NÓS DANO MORAL DO PAPEL AO CD-ROM LINGUAGEM CELESTE LUTA DESIGUAL ORAÇÃO E METEOROLOGIA DIA DO REPÓRTER REALIDADE E FICÇÃO TEMAS EM PAUTA DIVALDO FRANCO O PODER FAZ AUTOCRÍTICA MUDANÇAS DE HUMOR O INSTITUTO DOS LUSÓFONOS HAJA SAUDADE NATAL DOS SONHOS DEBATE PELA PAZ ASSÉDIO LEGAL AS DIFERENÇAS CASOS DE POLÍCIA PERSPECTIVAS ENCONTRO COM O SILÊNCIO FIO DE ESPERANÇA A CAMPANHA E A LEI  AS ARIRANHAS E O JH LAVOISIER, ANOS 80 O REENCONTRO O PODER DO VOTO TUDO POR UM CLIPE CRIANÇA NO TRÂNSITO O DECÁLOGO ELEITORAL A CAMINHO DO CENTENÁRIO NO LIMITE DA PACIÊNCIA O PALANQUE E O TEMPO DÚVIDAS E RESPOSTAS A IRONIA DO SACRILÉGIO ESCOLA NA MEMÓRIA O BLOCO DO TEMPO MÉDICOS VETERINARIOS MEDO DE CHUVA TOLERÂNCIA ZERO VÉSPERA DE SÃO JOÃO RESSONÂNCIA MAGNÉTICA FATOS E FESTAS DENGUE E COMUNICAÇÃO A BATALHA DO BEM VIAGEM PRÉ-ELEITORAL A DERROTA DE TODOS ISABELLA E AS MÃES PROIBIÇÃO EM DOSE DUPLA POSSE E HOMENAGEM HISTÓRIA PASSADA A LIMPO DENGUE NO ROL DAS MAZELAS APESAR DE TUDO REFLEXÕES EM CLIMA DE FÉ NÓS E A INSEGURANÇA QUESTÃO DE TEMPO CBN 12 ANOS ESCOLA EM RECUPERAÇÃO JUSTIÇA E CIDADANIA RESGATE DO CARNAVAL TRÂNSITO EM MÃO ÚNICA CAMPANHA 2008 CARROÇA E MEIO AMBIENTE A FESTA E O RETROVISOR É NATAL! ESPAÇO 24/31 RAIVA LICEU, O BOM DEBATE A FAMA E O ÁLCOOL JH, DEZ ANOS O LIVRO DE AGNELO A LENDA E A LÓGICA PROGRAMA DE FINADOS GALERA DAS ANTIGAS O LICEU DE TODOS IMPÉRIO DA LEI O PERIGO MORA AO LADO NOVO RUMO SEMANA DO TRÂNSITO OS ANIMAIS E A POLÍTICA SINAIS DE ALERTA UMA ESCOLA E SEUS PARADOXOS O JOVEM E O TRÂNSITO PRESTANDO CONTAS GRITO QUE INCOMODA RABO DE FOGUETE THEODORICO - 104 ANOS OS HERÓIS E AS SEMELHANÇAS SEARA ALHEIA SERVIÇO PÚBLICO LICEU DAS ARTES CERCO AO TRÁFICO CAFÉ SÃO LUIZ O DEVER DE TODOS ÁLCOOL É POLÍTICA MARKETING RELIGIOSO O BENEFÍCIO DA DÚVIDA  A SEMANA DAS MÃES O MESTRE E A MÁQUINA O GRANDE GIBSON DO TWI AO GESPÚBLICA - O DIREITO E O TEMPO DE TEMPOS E TEMPOS DIA DE SÃO JOSÉ CRIME AMBULANTE  AS INTERNAUTAS DOS MALES, OS PIORES TEMPERATURA MÁXIMA ELAS E A LEI DESORDEM NO PROGRESSO FAÇA-SE JUSTIÇA WANILDO NUNES A PRECE DO POVO ATÉ 2007 FM, NOVO DESAFIO AS IMAGENS DANÇA NO GELO A PADROEIRA A VITÓRIA DE BABÁ SEMPRE VERÃO A FESTA CONTINUA CONTAGEM REGRESSIVA MATA GRANDE FATOS E VOTOS BOAS E MÁS NOTÍCIAS ASTRAL DOS CANDIDATOS ORTEGA E O VOTO DO LICEU AO CEFET A RETA DE CHEGADA BARRIGA DO ALUGUEL FOLCLORE ELEITORAL CLARICE PALMA DO BOATO À INTERNET LOCUÇÕES ELEITORAIS MEMÓRIA VIVA RÁDIO RDJ SEGUNDO TEMPO CEMITÉRIO DO ALECRIM OS AVANÇOS DA JUSTIÇA A SEMANA ANTIDROGAS É UMA FESTA SÓ DA NOSSA NATUREZA HORA DE DECISÕES OS COMERCIAIS ONDE ESTÁ O ATENDIMENTO? ALUÍZIO ALVES

Leia também a coluna Notícias, de Wellington Medeiros, no Site da Rede Tropical

 

TOPO

MENU

INDIQUE SITES

CIDADES DO RN

FALE CONOSCO