OBSERVANDO

Wellington Medeiros (*)

welingtonmedeiros@bol.com.br 


 

Futebol-mala

            Wellington Medeiros*

 

Perturba, incomoda, chateia, enche o saco e, por isso, recebe a pesada denominação: mala sem alça. É algo presente em todos os setores de atividades que se imaginar. Está na política, economia, saúde, segurança, educação, religião, intelectual, jornal, rádio e televisão, mas nenhum conseguiu superar a nossa mais importante e discutida modalidade esportiva: o futebol, ou mais especificamente, as campanhas dos mais queridos clubes do estado, ABC e América na temporada de 2009.

Não precisa sequer ir fundo em qualquer análise para constatar que 2009 vai mesmo ficar marcado como o ano do bate-cabeça nas duas equipes, a partir do campeonato estadual, disputado no começo do ano e que teve tanto o Campeão (o Assu) como o Vice-Campeão (o Potyguar de Currais Novos), equipes representantes de cidades do interior do Estado.

Sem demérito, até porque os títulos foram conquistados de forma legítima e quem assistiu o campeonato transmitido pela televisão, percebeu logo que era a primeira demonstração de que as duas principais equipes da capital até então não estavam bem preparadas para o certame estadual e muito menos para a disputa seguinte, na segunda divisão do futebol brasileiro – a série B.

Na semana que antecede a 38ª e última rodada da chamada Segundona, os números espelham uma triste realidade para as duas torcidas – uma mais, outra menos. O ABC, rebaixado para a terceira divisão, lanterna da competição, depois da derrota neste sábado – 3 x 1 – para o Campinense-PB, na cidade de Patos. O América, depois de mais uma vitória sofrida – 1 x 0 – sobre o Ipatinga-MG, no Machadão, chega a comemorar a performance na reta final fora da zona de risco, mas ainda sob a ameaça de rebaixamento.

É muito pouco, um fiasco para os representantes de uma capital escolhida para ser uma das sedes da Copa do Mundo. E cujos torcedores têm se mostrado fiéis quando convocados. Até mesmo no ano em que, pelos resultados adversos – 37 jogos, América com 13 vitórias, 18 derrotas e seis empates; o ABC, 10 vitórias, 22 derrotas e cinco empates - estiveram mais para sofredores ao tentar empurrar desde o dia 8 de maio duas verdadeiras malas sem alça.

A propósito, esta história de mala – essa até com definição de cor – surgiu na semana em que o ABC conseguiu o resultado mais convincente de toda a campanha – 6 x 2 – sobre o Brasiliense. Tendo ocorrido ou não o estímulo para a vitória – o complicado é que fica sempre a dúvida que isso possa ocorrer para um resultado inverso – a verdade é que se tem de prestar mais atenção nos times de base.

O melhor exemplo está na própria temporada de 2009. Depois da 1ª divisão conquistada pelo Assu e Currais Novos, os resultados das modalidades Sub 18 e Sub 15, em ambos o ABC em primeiro e América em segundo. Independentemente de colocação, é na chamada prata de casa onde deveria estar a base para os times principais. Sem esquecer o futebol de bairros, pouco divulgado e muitas vezes até desestimulado, pela falta de estádios bem conservados.

Que belo exemplo dariam América e ABC – agora também o Alecrim - ao se apresentarem em campeonatos nacionais formados por seleções dos melhores jogadores que atuam em equipes da capital e do interior do estado. Nêgo e Wallysson são exemplos recentes de que existem atletas até mesmo para exportação. Por que não investir pesado em atletas locais, ao invés de onerosas contratações, até via internet, de verdadeiros pernas-de-pau. Lembrar os treinadores é coisa para masoquista.

Mas, mesmo no futebol local nem tudo deixou os torcedores de mau humor. Pelo menos os que acompanharam as transmissões pela rádio CBN puderam observar uma cobertura competente, conduzida por três jovens jornalistas. Glauber Nascimento e o seu estilo de narrar compartilhando cada lance com Ana Paula Davim, descontraída e sempre bem humorada e Alexandre Othon o comentarista que veste a camisa do esporte.

Este, que já faz tudo em televisão e rádio, se deixarem ele veste uma camisa e joga melhor do que muitos malas que custaram o que custaram este ano para ABC e América. Ana Paula Davim, por muito pouco não ingressou no time das celebridades da TV. Ela chegou à final do CQC (Custe o Que Custar), programa da Band inspirado no argentino Caiga Quién Caiga. Calma, faz sentido, mas esclareço que a tradução é Caia Quem Cair. E um deles já caiu e com direito a segurar a lanterna da série B.

 

 

(*) Wellington Medeiros é Jornalista. 

. Artigo publicado também no Jornal de Hoje, edição de 23.11.2009

 

 

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Leia também a coluna Notícias, de Wellington Medeiros, no Site da Rede Tropical

 

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