OBSERVANDO

Wellington Medeiros (*)

welingtonmedeiros@bol.com.br 


 

Além dos 12 anos

            Wellington Medeiros*

 

Início dos anos 60, morando algum tempo com avós paternos que residiam próximos à Igreja de São Pedro, no Alecrim – meu avô Francisco Bezerra de Medeiros, mariano de fita azul larga e a avó Constância, da Irmandade do Santíssimo Sacramento – além de acompanhá-los aos domingos à tradicional missa das 06h30min, adquiri um hábito. Voltava sempre da igreja com um exemplar do jornal “O Poti”. O ano que foi marcado pelo desaparecimento daquele jornal que se tornara uma tradição dominical em Natal, chega ao final com novidades.

O JORNAL DE HOJE, ao celebrar nesta segunda-feira o seu 12º aniversário, além desta edição comemorativa, a partir de amanhã, passa a ser o único jornal brasileiro com duas edições ao dia. Essa reengenharia representará a concretização de mais uma idéia pioneira do jornalista Marcos Aurélio de Sá. Entre outras, vale lembrar a criação de um jornal – o JH Primeira edição – que no ano de 2005 era distribuído gratuitamente. Objetivo: conquistar segmentos que não eram consumidores de jornal e fazê-los adquirir o hábito da leitura.

Atribuo à leitura de “O Poti” e outros momentos mágicos da vida, o ingresso no jornalismo ainda nos anos 60, primeiro no Jornal do Comércio, do majó Theodorico Bezerra e depois na rádio Cabugi e daí por diante uma escalada de 44 anos pelas mais diferentes invenções da mídia. E a existência d´O JORNAL DE HOJE pelo hábito de escrever um artigo semanal. De 22 de março de 2004, lá se vão quase seis anos, graças as portas abertas deste jornal e o binômio liberdade com ética, me inseri entre os seus colaboradores. Já se vão 279 artigos – com este - cujos temas saem livremente e até hoje nenhuma interferência ou reparo ao conteúdo.

Neste JH o leitor já percebeu que não se torce o nariz para qualquer que seja o tema, desde que haja algum conteúdo de interesse público. Quantos temas polêmicos aqui foram abordados nesses 12 anos de circulação? Esta página – Opinião – é na verdade uma tribuna livre para quantos procuram expor seus pensamentos, idéias, opiniões, elogios, críticas e sugestões. Mas é, também, uma verdadeira usina de novos escritores, com textos inseridos ao lado de autores já consagrados. Nesses 12 anos, foram muitos os livros que surgiram da coletânea de artigos publicados nas suas 3.594 edições. E todos reconhecem o mérito maior, além do espaço editorial, que é a completa liberdade de expressão.

Se o JH Primeira Edição, de circulação matutina, fez com que milhares adquirissem o hábito da leitura, a vespertina tem o mérito de estimular em muitos o hábito de escrever regularmente. Algo parecido ocorrera com o suplemento “Cultura”, que instituímos no jornal “A República” e que era editado pelo jornalista Francisco Macedo, com a assessoria cultural de Veríssimo de Melo, então secretário da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, o que facilitava a tarefa. Mesmo com todo o espaço, nunca arrisquei um texto no suplemento, até porque reconhecia maiores méritos em outros, imortais ou não, que podiam muito melhor traduzir o poema-processo, contracultura e outros movimentos que davam charme na época. Preferia escrever matérias para o jornal, algumas políticas que acabaram me rendendo alguns processos por se tratar do jornal do governo e a coluna Observando. 

Hoje – escrevo no aniversário da Proclamação da República - é fácil e oportuno associar o jornal “A República”, criado em 1889 para defender os ideais republicanos, ao jornalista-empresário Marcos Aurélio de Sá, às vésperas de colocar na rua um novo projeto – o único jornal brasileiro com duas edições ao dia. É que no final dos anos 70, se deve a ele o ressurgimento do jornal do governo, cujo único similar no Brasil é “AUnião”, da Paraíba, ainda em plena circulação. Foi Marcos, então diretor da Imprensa Oficial quem convenceu o governador Cortez Pereira a ressuscitar “A República”, fechada na década anterior.

O jornal voltou, permaneceu em circulação nos governos Cortez Pereira, Tarcísio Maia, Lavoisier Maia e José Agripino e novamente fechado em 1987. Fez história, foi escola para muitos que estão aí militando na imprensa. São lembranças que somente atestam o espírito arrojado e empreendedor do jornalista de uma geração, cujo exemplo pode e deve ser seguido.

 

 

(*) Wellington Medeiros é Jornalista. 

. Artigo publicado também no Jornal de Hoje, edição de 16.11.2009

 

 

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Leia também a coluna Notícias, de Wellington Medeiros, no Site da Rede Tropical

 

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