OBSERVANDO

Wellington Medeiros (*)

welingtonmedeiros@bol.com.br 


 

União dos contrários

            Wellington Medeiros*

 

Que pensar de uma causa em que o Presidente Lula e o senador José Agripino - um dos líderes da oposição no Congresso Nacional - estão de mãos dadas, ou seja, unidos na mesma direção. E, com atitudes, dentro das respectivas atribuições, a demonstrar respeito e preocupação com uma parcela ponderável da população que, antes tratada com desdém, começa a ser vista com dignidade e respeito, que é a pessoa idosa ou até mesmo velha como alguns ainda preferem.

É que nesses últimos dias, ambos deram passos importantes, sempre na busca da consolidação de outro instrumento para o qual os dois líderes também tiveram participação decisiva: o Estatuto do Idoso, de 1º de outubro de 2003. O Presidente da República, ao sancionar a Lei 12.008/2009, aprovada pelo Senado que regulamenta a prioridade na tramitação de processos judiciais para idosos e portadores de doenças graves e o Senador ao apresentar projeto de lei que obriga as faculdades de Medicina a incluírem em seu currículo escolar a disciplina de Geriatria.

Se o ato do presidente Lula reduz a prioridade para idosos na Justiça de todas as instâncias, de 65 para 60 anos – antes, muitos morriam e não viam a conclusão de processos - e ainda estende o benefício para as pessoas portadoras de doenças graves, a iniciativa do Senador leva em conta que um dos maiores problemas que o país vive é não ter condições de atender, na rede primária de saúde, o número excepcional de crescimento dos idosos e a falta de médicos geriatras. Sabe-se que a geriatria é uma especialidade de poucos, quando no mundo desenvolvido, com extensão das perspectivas de vida, ganhou enorme expressão.

O Brasil possui cerca de 19 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o que representa mais de 10% da população brasileira, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Estimativas do órgão indicam que esse contingente atingirá 32 milhões de 2025 e fará do País o sexto em número de idosos no mundo. É o grupo etário que mais cresce no Brasil.

O envelhecimento da população é reflexo, principalmente, dos avanços da medicina moderna, que permitiram melhores condições de saúde à população com idade mais avançada, fato que repete em vários países. Além de viver mais, os idosos brasileiros também obtiveram melhoria da renda nos últimos dez anos. Mais de 80% das pessoas acima de 60 anos ganham ao menos um salário e a grande maioria recebe aposentadoria e pensões.

Mas, apesar de estarem aposentados, muitos idosos continuam no mercado de trabalho. Segundo o IBGE, quase 6 milhões de pessoas com mais de 60 anos trabalham, representando 30,9% do total. Hoje, graças ao Estatuto, muitos são tratados com reverência e consideração, e até com alguns benefícios, como não ficar em filas, vagas exclusivas de estacionamento, medicamentos e passagens gratuitas e descontos em eventos culturais, de esporte e lazer. É o respeito a essa parcela da população já de personalidade formada, experiência acumulada e que pode contribuir para a volta de muitos valores perdidos.

São atitudes e números que daqui a um mês - 27 de setembro, Dia Nacional e 1º de outubro Internacional do Idoso – farão com que entre em pauta o desdobramento da tramitação do projeto de lei do senador José Agripino e da aplicação da lei 12.008/2009, de 29 de julho último, que altera artigos do Código de Processo Civil. E que, segundo o presidente da Associação dos Magistrados do Rio Grande do Norte, juiz Madson Ottoni “foi uma lei criada com base nos princípios da Efetividade da Justiça e da Dignidade da Pessoa Humana”.

Tudo isso, estimula a uma reflexão sobre o velho e o idoso. Para uns, o velho é aquele que tem carregado o peso dos anos, que em vez de transmitir experiência ás novas gerações, demonstra pessimismo e desilusão. Para o velho, não existe ponte entre o passado e o presente. Existe um fosso que o separa do presente pelo apego ao passado. Já o idoso é aquele que tem a felicidade de viver uma longa vida produtiva. De ter adquirido uma grande experiência. É uma ponte entre o passado e o presente, como o jovem é uma ponte entre o presente e o futuro.  

 

(*) Wellington Medeiros é Jornalista. 

. Artigo publicado também no Jornal de Hoje, edição de 17.08.2009

 

 

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Leia também a coluna Notícias, de Wellington Medeiros, no Site da Rede Tropical

 

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