OBSERVANDO

Wellington Medeiros (*)

welingtonmedeiros@bol.com.br 


 

EIN, afinal restaurada

            Wellington Medeiros*

 

Exato daqui a um mês ocorrerá a reinauguração do prédio da antiga Escola Industrial de Natal, localizado na Avenida Rio Branco, 743. É a concretização de uma reivindicação de professores, ex-alunos e de quantos manifestaram ao longo dos anos e de diversas formas o desejo de ver aquele patrimônio público preservado. Quem acompanhou com atenção o desenrolar dos fatos até que se chegasse à decisão pela completa restauração, sabe que o caminho foi marcado por muitos obstáculos, a começar pela desocupação do prédio. Para tanto, louve-se a compreensão da Associação dos Veteranos de Guerra que saiu na paz, mas houve a resistência de grupos de artistas que tentavam permanecer irregularmente no imóvel.

Desocupado no início do ano passado, graças à firme decisão do juiz federal Magnus Delgado, titular da 1ª Vara Federal do RN, que atendeu a uma Ação de Reintegração de Posse movida pelo Cefet (agora Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia - IFRN), deu-se início à restauração, ora em fase de acabamento. Se nos últimos seis anos, este JH publicou uma dezena de artigos, mostrando que o prédio da antiga Escola Industrial havia se transformado num verdadeiro mostrengo no centro da capital, hoje a avaliação é o inverso: para registrar o excelente trabalho ali é realizado, com prazo para terminar – 10 de setembro - mês do centenário da implantação do ensino profissionalizante no Brasil.

Referência na vida de muitos norte-rio-grandenses - entre os quais me incluo – a Escola Industrial de Natal, na qual ingressei há precisamente 50 anos e que atravessou nos últimos 20 anos uma fase de deterioração, caminhando para o desabamento, volta a ser motivo de orgulho. Foi o que senti nesta quinta-feira, dia 6, durante a manhã, ao conhecer de perto a obra em sua fase final. Depois de observar por fora a fachada e as laterais completamente recuperadas, encontrei na entrada para o estacionamento, a arquiteta Érica Emerenciano, responsável pela execução do projeto. Bastante solícita, apesar da movimentação dos operários, se dispôs a percorrer sala por sala, detalhando o que está sendo preservado, restaurado e até mesmo construído para esta revitalização.

Do orgulho de ali ter iniciado os passos mais firmes da minha vida, passei momentos de emoção, ao adentrar – como diriam os professores Arnaldo Arsênio, Francisco das Chagas Pereira, Eulício Farias, José Melquíades ou Alvamar Furtado – as amplas salas-de-aula, numa delas com o quadro negro - hoje é verde - originalmente preservado. A do antigo auditório, onde desde cedo a gente aprendia a discursar – ou perder o medo de falar em público - através das reuniões do Centro Lítero Recreativo Nilo Peçanha. As salas da Direção – para onde nenhum aluno gostava de ser chamado – ou do médico e dentista, aos quais tantos devem o vigor físico que a maioria detém, mesmo transcorrido mais de meio século. Por fim, a mais agradável de todas - o refeitório, localizado ao lado da antiga quadra de esporte que tem parte agora ocupada pela complementação da reforma. Graças à Dra. Érica Emerenciano, vi em detalhes a concretização do desejo de uma geração para o qual muitos contribuíram.

Enfim, o prédio é dividido em dois espaços: a área antiga – histórica – e outra de construção mais recente. No conjunto é dotado de salas de aula, laboratório de informática, salas de audiovisual, ateliês, salas de oficinas, lanchonete, incubadora cultural e um teatro para 94 lugares. Três áreas serão abertas à visitação, com destaque para o Memorial do Ensino Técnico e Profissional do Rio Grande do Norte, com todo o acervo histórico, fotográfico, de equipamentos e fardamento da instituição ao longo desses 100 anos. É que tudo começou no dia 23 de setembro de 1909, quando o Presidente Nilo Peçanha assinou o decreto de criação de 19 Escolas de Aprendizes Artífices, entre elas a de Natal.

Quanto ao novo nome, uns defendem Liceu das Artes, o IFRN divulga Centro Cultural e de Formação Profissional e Unidade de Ensino da Cidade Alta. Qualquer que venha a ser a nova denominação, uma certeza: tudo começou há um século com o presidente-advogado Nilo Peçanha, ao afirmar “O Brasil de hoje saiu das academias, o Brasil de amanhã sairá das oficinas”. De onde, registre-se, saiu para chegar aonde chegou o atual Presidente da República, o torneiro mecânico Luiz Inácio Lula da Silva, hoje o responsável pelo resgate do prédio histórico da instituição que escreveu uma das mais importantes páginas na história da educação do Rio Grande do Norte.

 

 

(*) Wellington Medeiros é Jornalista. 

. Artigo publicado também no Jornal de Hoje, edição de 10.08.2009

 

 

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Leia também a coluna Notícias, de Wellington Medeiros, no Site da Rede Tropical

 

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