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NOTÍCIA NATAL RN 

20/02/2008

Trote

--- Walter Medeiros

Algo estranho vem acontecendo há alguns anos, tomando um vulto sempre maior e criando uma cena completamente inconseqüente. É aquele “trote” promovido pelos estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN pare receber os calouros. Nos primeiros dias de aulas – como ocorre esta semana e certamente ocorrerá nas próximas – os novatos são obrigados a ficar na avenida Roberto Freire pedindo moedas e cédulas aos motoristas, sem apresentar nenhum motivo que justifique.

Alguns acanhados, outros embriagados, pintados com uma pintura primitiva, sem camisa, copos ou latas nas mãos, os calouros abordam os motoristas nos cruzamentos. Num lugar próximo, muitas vezes em bares, fica uma concentração dos colegas que conferem os resultados e promovem uma algazarra tribal. E bebem, fumam, se agarram, gritam e sabe-se mais o que ocorre naqueles momentos.

Acho que seria justo os calouros festejarem a entrada na universidade e os veteranos promoverem uma confraternização para recebê-los. Nos dias de hoje seria até comum que parte deles bebessem e fumassem. Mas qual a justificativa educacional e pedagógica que pode ser apresentada para esse estilo de festa que fazem? Que sentido tem os motoristas ajudarem aquele bando de gente a fazer uma farra no meio da rua?

Mas há outra questão que precisa ser levantada a respeito. Como a UFRN encara esse chamado “Trote”? Não pode tratar com indiferença pelo fato de ser feito fora do campus, pois é feito em seu nome; são os calouros da UFRN e eles fazem questão de ostentar orgulhosamente essa condição.

Durante vinte anos foi travada uma luta de vida ou morte por um Brasil diferente, onde os estudantes empunhavam as bandeiras das liberdades democráticas, pelo estado de direito. Em 1988 veio a nova Constituição brasileira e com ela o mágico sentido de cidadania extraído e disseminado pelo deputado Ulisses Guimarães como uma transmissão de energia para todos os brasileiros. A partir dali muita coisa importante foi feita. Mas muita munganga também passou a fazer parte do nosso cotidiano.

Aqueles calouros e os veteranos têm a liberdade de escolher o que querem fazer nessas ocasiões. Mas será que têm consciência do significado estúpido que têm umas comemorações como aquelas? E a UFRN não teria obrigação de apresentar alguma opção melhor para a recepção aos seus novos alunos? Se permite aquilo no meio da rua, no dia seguinte permite em todos os seus espaços e mais tarde o ensino, a formação e o conceito da instituição findam também na sarjeta.

A UFRN tem uma estrutura, uma tradição e um conceito dos mais elevados que se pode imaginar. A seriedade do trabalho que sempre foi feito ao longo da sua história a coloca entre os modelos universitários para qualquer parte do mundo. Mas para muitos que não tiveram a sorte de conviver entre aqueles corredores de tanto valor podem passar a ter como única impressão da nossa universidade aquela cena dos sinais da Avenida Roberto Freire: estudantes bêbados pedindo ajuda aos motoristas para beberem mais.

 

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