Opinião

Ney Lopes de Souza (17.12.2006)

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         EMOÇÃO NA DESPEDIDA

            No último dia 8, justamente quando comemorava 39 anos de graduado em Direito na “turma da liberdade” da UFRN vivi em São Paulo uma grande e indescritível emoção. Na ocasião, entregava ao senador Jorge Pizzaro, do Chile, a presidência do Parlamento Latino-Americano (PARLATINO), que sempre exerci em nome do Rio Grande do Norte.

            Na despedida, assim falei: “Agradeço a todos os parlamentares e Congressos, que na América Latina e no Caribe confiaram em mim e entregaram o Parlatino para dirigi-lo por quatro anos. Agradeço aos humildes funcionários – a todos – pela lealdade e espírito público com que desempenharam as suas funções. Aos Presidentes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Banco Mundial, que sempre atenderam aos meus apelos de colaboração; ao Parlamento Europeu e a União Européia, essa última na pessoa da Ministra de Relações Exteriores, Benita Herrero, com quem fiz amizade pessoal; ao Sr. Wu Banguo – o segundo homem na hierarquia da China e Presidente da Assembléia Nacional; as Nações Unidas; a UNESCO; a OEA, cujo secretário-geral José Miguel Insulza está aqui presente; ao FMI; a OMC e a tantas outras organizações internacionais.

            “Continuarei torcendo fervorosamente pelo sucesso e crescimento do Parlamento Latino Americano, ao qual dediquei parte considerável da minha vida pública. Os anais publicados e o meu Relatório demonstram o trabalho realizado, na linha de aumentar a credibilidade internacional do nosso órgão, o que Graças a Deus foi conseguido. Confio em seu futuro.

            “Deixo a Presidência, levando comigo a certeza do Dever Cumprido. Usei a trincheira institucional dessa instituição para buscar a Pátria Grande, que Bolívar sonhou. Repito as palavras de Theodore Roosevelt: “É muito melhor arriscar coisas grandiosas, alcançar triunfo, mesmo se expondo à derrota, do que formar fila com os pobres de espírito que nem gozam muito, nem sofrem muito, porque vivem numa penumbra cinzenta que não conhece vitória nem derrota”.

            Em português dizem que existe uma palavra que não há tradução direta para o espanhol. É a palavra saudade, que significa lembrar, recordar, querer bem a pessoas e a instituições. Uso a palavra saudade para repetir canção popular da minha região, o Nordeste brasileiro: “Essa palavra saudade eu ouço desde criança; saudade de amor passado não é saudade é lembrança; saudade só é saudade quando se perde a esperança”.

            Meus queridos amigos: terei sempre lembrança de vocês e da nossa luta comum. Saudade não. Porque, nenhum de nós perdeu a esperança de uma América Latina, unida, solidária e integrada na futura Comunidade Latino Americana de Nações. O meu sentimento nessa hora de despedida é o mesmo da oração do teólogo Reinhold Niehbuhr que disse: “que Deus nos dê serenidade para aceitar as coisas que não possam mudar, coragem para mudar as que coisas que possam mudar e sabedoria para saber a diferença”.

            O auditório de pé, com representantes de mais de 20 países das Américas, além de órgãos internacionais, aplaudiu o meu discurso de despedida e o trabalho que realizei, com esforço, abnegação e espírito público. Não me contive e fui às lágrimas. É gratificante para o ser humano ser reconhecido. O mais humilde operário alegra-se com isto. Pensei, naquele momento, nas incompreensões e, sobretudo, nas oportunidades de contacto e “abertura de portas” que o Parlatino me concedeu. Foi sempre meu desejo colocar tudo isto a serviço do povo do Rio Grande do Norte com financiamentos a fundo perdido para combater a pobreza, geração de empregos, um grande projeto de saneamento básico e outras ações semelhantes. Ficarei sem mandato popular, mas não guardo mágoas. Continuarei vivendo o sonho de um futuro melhor e mais justo para os norte-riograndenses.

ACONTECE  

Injustiça com Clodoaldo

            Profundamente injusta a reclassificação funcional feita com o atleta potiguar Clodoaldo Silva, nadador paraolímpico, que espantou o mundo em 2004, quando ganhou na paraolimpíada seis medalhas de ouro e uma de prata. Agora, na África do Sul, após vencer duas medalhas de ouro com quebra de recordes foi vítima da inveja de seus competidores. Ele que já se submetera a três avaliações e compete há sete anos, em nada evoluiu no seu quadro clínico de paralisia. Mesmo assim foi colocado noutra categoria, que lhe traz visível prejuízo. Seria o caso de veemente protesto do Comitê Olímpico e das autoridades brasileiras.

In memoriam

            Perda irreparável a morte do médico mossoroense Leodécio Fernandes Neo. Um homem caridoso e profissional competente. Viveu para servir.

Nova missão

            O Monsenhor Lucas Batista Neto assume novo desafio na sua devotada vida religiosa. É o vigário da Paróquia de Santo Afonso Maria de Ligório (Mirassol, em Natal). Com certeza repetirá o profícuo trabalho apostólico de missões anteriores.

Rejeitando emprego!

            Coisas do Brasil de hoje. O Diário de São Paulo, de 10 último, deu em manchete, que trabalhadores do Espírito Santo na área de produção de café estão rejeitando emprego, com medo de perder o benefício da bolsa família. No Norte e Nordeste esse fenômeno virou rotina.

Justiça com aposentados

            Surge uma luz para fazer justiça aos aposentados e pensionistas. Projeto aprovado no Senado – PL 58/05 - (falta apreciação da Câmara) assegura que os aposentados que tiveram benefícios concedidos um mês antes das datas dos reajustes anuais serão beneficiados com reajustes. Por exemplo: quem tenha se aposentado em abril de 1996, um mês anterior ao reajuste oficial teria direito a um aumento de 63.7%. O projeto prevê a atualização das aposentadorias, de acordo com o número de salários-mínimos que o aposentado recebia na concessão. Vamos aguardar a aprovação final.

 

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