MEU ALECRIM
Espaço dedicado ao Alecrim - centenário bairro de Natal - Rio Grande do Norte - Brasil
 

Pegadas

--- Walter Medeiros

Manhã quente, o povo ferve
Nas calçadas do Alecrim,
Onde piso umas pegadas
Deixadas há tanto tempo,
Nos dias da juventude,
Aos sonhos das madrugadas.

Na passarela da praça,
Crotes e flores resistem,
Para abrigar um pássaro
E uma borboleta amarela
Que parecem guardados
Para me verem passar.

Não tem terrenos baldios,
Tanto estacionamento,
E a Farmácia Bendita
Também se foi com o tempo,
Que fez a Amaro Barreto
Mudar toda sua vida.

IGREJA DE SÃO PEDRO, PADROEIRO DO BAIRRO


SAUDADE DO TEMPO DA AVENIDA DEZ
Música de Babal dedicada àquela rua do Alecrim

Avenida 10

--- Babal

Desde o tempo de menino eu brincava
Com ar de sonhador
Conheci a natureza beijando meus pés
O movimento da vila, da rua
O ronco do tambor
Em todos os arredores da Avenida Dez
Os guaranis festejando na paz
O guerreiro bumbum
Éramos todos devotos, meninos fiéis
Quando não era possível ter sonho
A gente tinha um
E ele girava em torno da Avenida Dez
O movimento do parque
O jogo de bola na lama
A bandeirinha, o poste
Com um barquinho eu quero passar
A lata no carnaval
Pra nós, tudo aquilo era vida
Em meio àquela alegria
A bagunça saía a tocar


Minha casa, a bananeira, o jardim,
Os meus amigos, eu
Tinham convívio Élcio, Neguinho e Moisés
Galvão, Fernando, João, Iomar,
Todos eram irmãos eris
Hoje nós somos saudade da Avenida Dez (3x)

Desde o tempo de menino eu brincava
Com ar de sonhador
Conheci a natureza beijando meus pés
O movimento da vila, da rua
O ronco do tambor
Em todos os arredores da Avenida Dez
Os guaranis festejando na paz
O guerreiro bumbum
Éramos todos devotos, meninos fiéis
Quando não era possível ter sonho
A gente tinha um
E ele girava em torno da Avenida Dez
O movimento do parque
O jogo de bola na lama
A bandeirinha, o poste
Com um barquinho eu quero passar
A lata no carnaval
Pra nós, tudo aquilo era vida
Em meio àquela alegria
A bagunça saía a tocar


Minha casa, a bananeira, o jardim,
Os meus amigos, eu
Tinham convívio Élcio, Neguinho e Moisés
Galvão, Fernando, João, Iomar,
Todos eram irmãos eris
Hoje nós somos saudade da Avenida Dez (3x)


ARTIGO

Noites do Alecrim

--- Walter Medeiros

Noite fria de domingo
Hora daquele vazio
Que cada semana chega
E tão claro cá distingo.

Agora vem a saudade
De dias da mocidade
Pelas ruas da cidade
Pelos cantos do Alecrim.

Saudade de uns batentes
Na calçada da Igreja
O olhar chega mareja
Lembrando dias contentes.

Na Praça Pedro II
Tinha as meninas do Neves
Em suas passagens breves
Coisa mais linda do Mundo.

Lá da Rafael Fernandes
Contemplava Bela Vista
Vi chegar aquela pista
E outros momentos grandes.

Vivi arraia na rua
Tinha amigo em cada casa
Cantava “é uma brasa”
Debaixo de bela lua.

Estudar no Miguelinho
Ver filme no São Luiz
Era uma vida feliz
Imitando o meu padrinho.

Os barracos de Agnelo,
O centro comercial,
A bela Base Naval
O Quitandinha tão belo.

Propaganda de Cinzano,
Café Maia e Caiana,
Oficina do Bacana
Os vendedores de pano.

A praça Gentil Ferreira
Miudezas do Atraente,
Casa Azul, Pão do Vicente,
E aquela paz da Feira.

Picado de Dona Zefa,
Calçada do João Tibúrcio,
Quisera até que Confúcio
Visse por uma sanefa.

Sete bocas, Benjamin,
Ocidental, Soledade,
Engrossam essa saudade
Das noites do Alecrim.

10.10.2011

ALECRIM

--- Alderico Leandro Álvares

 

Alecrim faz cem anos. A 23 de outubro de 1911 o prefeito da cidade, Joaquim Manoel Teixeira de Moura desmembrou o Alecrim da Cidade Alta, primeiro bairro de Natal-RN. Por um longo período o Alecrim passou a ser bairro residencial. Porém de1940 começou a se formar casas de comércio – pequenas – e foi assim de ter o conglomerado, hoje em dia, se tornado em um grande bairro comercial, suplantando o bairro da Ribeira, - nascido para o comercio -, e o da Cidade Alta que com o tempo, desde 1960 se torno área comercial tirando-se então o açougue e a feira do peixe que já funcionavam da Cidade Alta, no local onde hoje é a agencia do Banco do Brasil.

Mas o Alecrim se tornava o bairro dos pobres. Tudo alí era de preço baixo. Quando um comerciante procurava algo na Ribeira, mandava ver no Alecrim onde o preço era mais barato. Também aí a qualidade do artigo era menor. Em 1950 havia comercio de madeiras, farmácias, cinema, ferragens, um pouco de tecidos, bebidas, bares, postos de gasolina, casas de secos e molhados. Enfim: era tudo por um preço mais barato. Se em 1911 foi criado como o quarto bairro da cidade, hoje, o Alecrim é um mundo do comercio.

A definição do nome: Alecrim – deve-se a duas versões. A primeira era de uma mulher residente próximo a Igreja de São Pedro que depositava flores e ramos de alecrim, planta bem comum naquele bairro quando passava o caixão de um “anjinho” para ser sepultado no Cemitério alí existente. A segunda versão era de que havia plantações de alecrim por extenso bairro.

Em 1911 o bairro não tinha nada. Apenas a Igreja de São Pedro e uns casebres da taipa em seu redor. Com o tempo surgiu Abel Viana instalando próxima a Igreja de São Pedro uma padaria. Era o inicio da vida comercial do bairro. No restante do bairro eram roçados de milho, feijão e mandioca. Os caçadores de cutias e tatus sentiam enorme prazer de se aventurar pelo bairro, pois só o que havia ali eram bichos de caça. Do Cemitério em diante, para os lados da chamada Quintas, eram apenas sítios. A distância de uma casa para outra era enorme havendo apenas fazenda de gado.

Em 1925 deu-se inicio a coleta de lixo feito em carroças e depositado em uma parte do bairro onde hoje é um conjunto habitacional próximo ao Rio Potengi onde o trem faz a curva do seu percurso para a estação da Ribeira, ponto final da tração. Aliás, a Estação da Ribeira veio tomar impulso com a inauguração da ponte sobre o rio Potengi, em 1916, pondo fim a Estação da Coroa, na margem esquerda do rio Potengi. A incineração do lixo depositado entre dois capinzais, nas cercanias do rio se deu em abril de 1942. Apenas em 1972 o lixo foi depositado em Cidade Nova, na época ainda era o lixão.

Mas de lixo não só vive o bairro. É tanto que em 1919 surgiu a feira livre. De inicio era uma feirinha para ocupar o espaço onde hoje é a Praça Gentil Ferreira. Com o passar das horas, a feira cresceu e ocupou mais espaço seguindo para então – não chamada ainda – Avenida UM. No seu começo era aos domingos e com o passar dos dias foi transferida para o sábado. E ainda hoje é assim. O interessante dessa feira foi um pé de manga.

No inicio do século XX os operários eram chamados para fazer a abertura de um caminho para as Quintas. E a mangueira existente em um local que se chamou tempos depois de Praça Gentil Ferreira era o ponto de referencia. Para alguém vindo de outros bairros e acertar com o caminho foi erguida uma bandeira no alto da mangueira. E na certa de que se estava seguindo o caminho certo os trabalhadores se orientavam na bandeira.

Outro ponto de alegria: o primeiro mercado público do bairro do Alecrim foi inaugurado do dia 10 de novembro de 1938 Na oportunidade o prefeito declarou que os moradores do Alecrim não podiam viver de uma feira ao redor de uma mangueira. Eis a história de um bairro de Natal.

 

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