WALTER MEDEIROS

walterm.nat@terra.com.br 




 

29.11.2011

 

Música no Natal

 

 

--- Walter Medeiros* – waltermedeiros@supercabo.com.br  

 

A proximidade dos festejos natalinos, que sempre gera algo contagiante e envolvente, realçando a felicidade, a bondade, a ternura, simpatia, amor e tantos outros sentimentos bons, mundo afora, sempre aguçou minha atenção. Quando criança, lembro dos presentes que ganhei; não foram tantos, mas todos foram muito valiosos: do dominó verde trazido pela minha prima Socorrinho, ao Gordini azul presenteado pela minha irmã Clemilda, e o dinheiro que meu irmão Wellington dava para eu comprar o que quisesse e aproveitava para gastar na Livraria Moderna.

 

Guardo na mente também as vitrines da Cidade Alta, que nos anos 70 e seguintes atraiam a freguesia com aqueles motivos de recursos propagandísticos ainda parcos, mas da melhor qualidade. Assim encontrávamos objetos para realizar sonhos no Magazin Jóia, de Auta Vieira e irmãos; na Galeria do Barão do Rio Branco; na Lobrás; Americanas, enquanto não chegava a nova dimensão do comércio de Natal, através do Hiper Bom Preço, Carrefour e shoppings. Até a chegada dessas grandes estruturas, tudo que se tinha para momentos com a família na cidade eram as lanchonetes e a Casa da Maçã. Só depois é que surgiram as pizzarias.

 

Nesse clima natalino, que começou faz tempo, vou olhar as vitrines de um grande shopping, em busca de alguma novidade que justifique novo entusiasmo. E encontro. Numa prateleira ou outra, lá está sempre um objeto que faz brilhar os olhos e toca o coração pela descoberta de algo com a impressão de que quem o receber de presente irá vibrar e valorizar. Ou aquele objeto que fica bem em algum lugar da casa, para tornar o ambiente mais agradável a quem nos visitar. No fundo, todos com aquele aspecto de Décimo Terceiro Salário, gratificação natalina que começou com esse nome, depois passou a ser tratada só como “décimo terceiro” e agora já chamam de “décimo”.

 

Em meio a essa andança, ouço um piano solitário, executando bela música clássica, que me leva para dentro de algum castelo, na Renascença, e aos bailes que embalaram os corações da humanidade através da história. Fico sensibilizado e grato pela feliz escolha do programador do shopping, lembrando inclusive do tempo em que sonhei em ser discotecário da rádio, mas o destino me transformou em repórter. Era uma música daquelas que o popular extraiu do erudito e a transformou em universal. Mas em meio a esta sensação, passa um cidadão com uma impressão diferente, aquela que foi formada no tempo em que a Paixão de Cristo e outros momentos eram embalados pelas músicas clássicas, e exclama: “agora tão tocando música fúnebre, né?”

 

Nem vi o cidadão, que passou rapidamente, mas suas palavras alteraram completamente a cena. Como acontece muitas vezes as coincidências da vida, poucos passos adiante vejo ninguém menos que o Padre Pedro Ferreira, uma das pessoas mais qualificadas para falar sobre música. Aquele mesmo andar calmo, aquela mesma voz forte de sempre. Aí conto o ocorrido. Com a bagagem imensa de pesquisador e músico, ele esboça aquele sorriso que vai além do homem comum que classifica as músicas. E fala com a grandeza do sacerdote: “veja como são diferentes as percepções”. E ao final roga para que Deus me acompanhe. Como a música é mesmo divina, saí me guardando para ouvir, no Natal, aquela música que conheci através da sua regência no coral da UFRN: “Hallelujah”.

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*Jornalista

 


ESPECIAL - DIA DA POESIA 2011 - JAPÃO/TSUNAMI

 
   

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