WALTER MEDEIROS

walterm.nat@terra.com.br 




 

28.06.2011

 

Arraiás da memória

 

 

--- Walter Medeiros* – waltermedeiros@supercabo.com.br  

 

 

Os festejos juninos, principalmente para nós, nordestinos, proporcionam momentos agradáveis e felizes, que vêm das nossas raízes e ligações com a terra, a caatinga, o sertão. Algo como ouvir aquele acorde da sanfona e as batidas da zabumba e do triângulo; como comer aquela espiga de milho cozido ou assado; aquele pratinho de canjica; aquela pamonha. Tudo isso junto forma aquele tradicional arraiá, que antigamente era feito quase por rua, e há alguns anos passou a ser concentrado na disputa para saber quem faz o maior do mundo.

Meus arraiás estão guardados na memória, e deles tenho aquela saudade de quem já sabe que foram felizes e ficaram lá no passado. O “Arraiá do Xico Careca”, do tempo da Av. Rafael Fernandes – anos 60; o arraiá da Rádio Cabugi e Tribuna, feito aos pés da antena que ficava nos transmissores da estrada da Redinha, à época tão longe; o arraia do Movimento Estudantil, onde dançamos até ao som de Belchior; o Arraiá do Pinguinho de Gente, acompanhando a criançada; o Arraiá do SESC Taguatinga, quando morava em Brasília; o Arraiá de Alfama, com o manjerico, dois anos atrás (foi de lá que vieram tantos trejeitos bons); e hoje o “Arraiá da UNICAT”, nosso local de trabalho.

Sempre que se fala em arraiá, vêm à mente aquelas músicas que tanto marcaram os citados momentos: “Ai, São João / São João do Carneirinho...”, “Tem tanta fogueira / tem tanto balão...”, “Zabé como é que pode / eu viver longe de você...”, “Eu fiquei tão triste / eu fiquei tão triste naquele São João...” mas para marcar as quadrilhas eram sempre as marchas animadas, porém não tanto. Hoje multiplicaram as batidas e as quadrilhas dançam num ritmo frenético e desconforme, que as distancia daquele passo tão confortável de antigamente.

Movimentando o arraiá, agora vemos gente fantasiada com trajes meio carnavalescos, e na TV dizem também que a estrutura de confecção das vestes é idêntica à dos barracões das escolas de samba, algo meio Carnaval. Aos poucos foram sumindo aquela fogueira em que se assava milho e elegia os compadres, as comadres, os afilhados e as afilhadas, sob os versos inesquecíveis do “São João Disse / São Pedro confirmou...” tão fortemente cantado por Luiz Gonzaga.

Não sou contra os grandes forrós. Apenas não consegui ainda me situar neles. E até mesmo por bairrismo, torço para que Mossoró ganhe de Caruaru e Campina Grande, para que nossos conterrâneos passem a ostentar o título de maior São João do Mundo. Apesar da discriminação da mídia, que mostra até coisas menos importante, pois deixa de mostrar qualquer festejo junino do Rio Grande do Norte, haja vista o Globo Repórter passado.

*Jornalista

 


ESPECIAL - DIA DA POESIA 2011 - JAPÃO/TSUNAMI

 
   

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