HUMANIZAÇÃO E

ATENDIMENTO

Walter Medeiros  walterm.nat@terra.com.br 


01.09.2008

Cuidado com as flores

--- Walter Medeiros

Uma vez senti forte emoção ao ver a declaração de uma jovem de que nunca tinha vivido a felicidade de receber flores. Sempre gostei de guardar informações a esse respeito, desde os idos da “Sabatina da Alegria”, com Rui Ricardo, aos domingos pela manhã, no Cinema São Pedro (Rua Amaro Barreto – Alecrim) ou domingos à tarde no “Vesperal de Atrações”, com Fonseca Junior e Alnice Marques, no Cinema Poti (Avenida Deodoro). Naquele tempo, Gilliard (então Giliardi Cordeiro) cantava “Rosas Vermelhas Para Uma Dama Triste”, Música, que, aliás, era (talvez ainda seja) a melodia preferida do Presidente do Senado, Senador Garibaldi Filho.

Aquela moça que nunca tinha recebido flores ficou emocionada quando na sua formatura foi surpreendida com um bouquet que lhe entregamos: um momento inesquecível, com aquele belo colorido das rosas e seu aroma encantador. Momento que não teria o mesmo brilho, a mesma emoção e o mesmo significado, não fosse a dedicação com que aquelas flores foram escolhidas e preparadas para alegrar e tornar mais feliz aquela jovem formanda.

Outra vez a história foi diferente. Minha mulher sentiu a falta das pessoas que lhe atendiam bem naquela mesma floricultura. Ela passou lá por volta das 18:30 horas, com a intenção de levar umas rosas a uma amiga que estava aniversariando. Porém o atendimento que lhe deram  foi o pior que se pode imaginar. Para atender a clientela havia um casal de jovens, mas ela chegou justamente no horário de um jogo, hora ”imprópria” para quem não tem interesse de vender.

O rapaz estava no balcão e a moça sentada num batente de uma escada usada para acessar o subsolo. Em meio àquela falta de atenção, a cliente indagou sobre alguns preços, uns arranjos artificiais que estavam sem a indicação de preço e, apesar de não mostrarem nenhuma disposição para efetuarem a venda, escolheu um arranjo artificial. Àquela altura a moça havia se levantado e com a sensibilidade de um tiro de canhão foi logo alertando que estava sem o papel para embalagem de presente e que para o arranjo só tinha o de cor vermelha. A cliente disse que queria assim mesmo, mas, incrivelmente ela colocou mais obstáculos.

Sem alternativa, a cliente saiu da floricultura sem fazer a compra, chateada e disse que não chorou para não dar o cabimento. Tinha hora marcada e por cima teria de procurar outra floricultura. A vontade era de nunca mais voltar lá, apesar de conhecer os proprietários do estabelecimento. Na sua opinião, quem tem funcionários assim não precisa de concorrência. Achou-se na obrigação de levar o fato ao conhecimento, indagando: “será que foi a primeira vez que aquilo aconteceu?”, completando: “fui comprar o presente da minha amiga em outro lugar”.

Como dizia o poeta, “até nas flores se nota a diferença da sorte”.

 

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*Walter Medeiros é jornalista e bacharel em Direito em Natal-RN. Autor dos livros “Onde está o atendimento?” Ed. Viena, "Abelardo, o alcoólatra"

( http://paginas.terra.com.br/arte/cordel/ap009Abelardo.htm ) e "Humanização nos Serviços de Saúde", Ed. Minelli, 2008.

 

 

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