HUMANIZAÇÃO E

ATENDIMENTO

Walter Medeiros  walterm.nat@terra.com.br 


23.06.2007

Medicina desumana

 

--- Walter Medeiros *

 

A crise do atendimento em saúde no Brasil é algo devastador, a ponto de alimentar a idéia de que a medicina moderna, equipada, competente e ética é a exceção, quando antigamente era a regra. No SUS, ao invés de avanços com vistas à solução dos problemas, aumentam os casos de serviços sucateados, atendimento precário e já existe quem não fique indignado ao saber que em algum lugar a decisão tomada pelos médicos é para saber quem terá direito de viver ou morrer, em vista da falta de condições para atender a todos. Mas esse agravamento chega também ao atendimento médico aos que têm planos de saúde, onde alguns médicos deixaram de atender pelos planos e só fazem atendimento particular, a um preço dez vezes maior.

Trata-se de uma realidade sofrida por muitas pessoas que vinham sendo tratadas por médicos tecnicamente qualificados e especializados, mas que tiveram ou estão tendo de mudar de médico ou ficar desassistidos, já que não podem pagar consulta particular regularmente. Haverão de dizer: “mas o médico tem direito de atender somente consultas particulares”. Estará certo quem disser isto. Acontece que os médicos que passam a atender somente através de consultas particulares e suspendem o atendimento pelos planos de saúde – UNIMED, principalmente, continuam cooperados e, além de onerar os clientes, usurpam do plano de saúde os exames, alguns caríssimos, ou seja, para os que atendem particular a UNIMED só serve para pagar os exames. Se considerar que, pelo fato de serem usuários da UNIMED, e mesmo que vão ao médico particular têm direito aos exames, a atitude do médico que assim procede é, no mínimo, antiética.

Mas nos chega um relato mais grave que as despesas que a cooperativa ou seus associados possam ter. Uma senhora com uma doença crônica, era acompanhada por uma médica que atendida pela UNIMED. A médica deixou de atender pelo plano e passou a cobrar a consulta, mas propôs continuar pedindo exames como antes. Ocorre que atendimento médico não devia ser somente o cuidado com a doença e o caixa. A cliente de anos chegou para a Doutora e fez um apelo, para que ela levasse em consideração aquele vínculo forte e emocional que estavam mantendo. Foi algo muito chocante: a médica, fria e desumana, disse que não podia ter prejuízo e que a cliente desse um jeito de conseguir o dinheiro para a consulta particular ou procurasse outro médico. Foi uma desilusão lamentável, vivida no consultório e que certamente se multiplica por todos aqueles que vêem o descaso com que aqueles médicos atendem, colocando o dinheiro acima da sua missão. Nem mesmo uma exceção para atender àquele apelo afetivo aquela médica admitiu fazer. Aquela “paciente” só merecia seus cuidados quando sintonizava com a escala financeira da médica.

A atitude desses médicos que deixam de atender pela UNIMED, mas solicitam exames através daquele plano, traz uma certa desqualificação para a própria cooperativa. A rigor, todos os médicos, saídos da sua especialização, devem ter a qualificação suficiente para tratar dos usuários e merecem todo respeito da sociedade. Mas a impressão que fica é a de que o plano de saúde é usado, de forma espúria, como trampolim para alguns médicos divulgarem o seu trabalho e formar a sua clientela, seleta, por sinal, pois quem não pode pagar a consultar particular está de fora das suas luxuosas clínicas. E a UNIMED fica como apêndice, para acatar e autorizar quaisquer exames que aqueles cooperados mandarem. Uma relação meio desequilibrada para os cooperados que agem com toda correção. Muitos cooperados atendem também através de consultas particulares, mas reservam espaço em suas agendas para receber os clientes do plano de saúde.

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*Walter Medeiros é jornalista e advogado em Natal-RN. Autor dos livros “Onde está o atendimento?” Ed. Viena e "Abelardo, o alcoólatra" ( http://paginas.terra.com.br/arte/cordel/ap009Abelardo.htm ).

 

 

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