HUMANIZAÇÃO E

ATENDIMENTO

Walter Medeiros  walterm.nat@terra.com.br 

 

Psicologia no Hospital

 

--- Walter Medeiros

 

A especialização desenvolvida na área de saúde, que chega em certos pontos a parecer exagero, vem formando uma nova realidade, com a incorporação de novas e até velhas categorias profissionais no tratamento dos clientes. Nesse ambiente, a aplicação de apetrechos tecnológicos já foi suficiente para tornar o atendimento meio antômato, realçando a necessidade de re-humanizar a atenção e a gestão. No que se refere às atividades dos profissionais, essa nova realidade que se forma parece buscar um ponto de equilíbrio, para convivência saudável, civilizada e ética entre todas as categorias da área de saúde.

Uma das atividades que precisam ser incorporadas com firmeza nesse ambiente é a psicologia. O trabalho do psicólogo no hospital é algo que precisa ser normatizado e efetivado institucionalmente, uma vez que a cada dia fica mais claro o papel que pode e deve desempenhar junto à clientela. Muitos momentos importantes do atendimento hospitalar têm, com certeza, necessidade de respostas técnicas com a participação do profissional de psicologia. Desde a natureza dos problemas, que podem ter origem em fatos anteriores, até a abordagem das perdas, elaboração do luto e outros acompanhamentos.

O psicólogo é quem está habilitado e qualificado para perceber muitas situações e dar respostas no dia-a-dia do atendimento, pois sabe-se que em muitas ocasiões a falta de um profissional à altura do questionamento pode trazer prejuízos à clientela e à imagem da instituição. É o caso, por exemplo, de uma jovem que chegou a um hospital de urgência e emergência à procura da mãe que havia sido atropelada e ao pedir notícia na recepção foi informada de chofre que a mulher havia chegado morta. Faltou sensibilidade e organização para definir no estabelecimento quem seria responsável para dar notícia sobre a morte dos clientes.

Contrariamente a esta situação, relataram-nos o exemplo do trabalho de uma psicóloga na sala de reanimação de um hospital, onde um senhor idoso em estado terminal passava por cuidados paliativos na presença da sua mulher. Chegada a hora da passagem, o homem deu seu último suspiro e a esposa quis achar que ele havia adormecido. A profissional indagou tão somente: “você sabia que o caso dele era muito grave e sem jeito, não era?”. O simples fato de empregar o verbo no passado de forma tão sutil já mostra como o trabalho nesses casos precisa ser algo meticuloso.

Outra área onde o trabalho do psicólogo é algo impressionante é a perda, notadamente os casos de morte dos enfermos, na preparação do espírito dos familiares e a divulgação da notícia do óbito. É a psicologia que muda o cenário e apresenta a nova realidade com toda competência, pois a sociedade e os profissionais de saúde no geral nunca aceitaram bem a idéia de conviver com a perda. Embora o hospital seja um lugar aonde as pessoas morrem, a ânsia de salvar as vidas findou sendo tão forte a ponto de qualquer morte ser encarada como uma derrota, mesmo quando se esgotam todos os recursos médicos e técnicos disponíveis para o tratamento, a cura e a recuperação do doente.

Como a presença do psicólogo ainda não é algo institucionalizado e regulamentado, muitas dessas tarefas findam nas mãos dos médicos, enfermeiros, assistentes sociais e outros profissionais, que dão conta porém de forma não tão qualificada. O trato dessas questões finda se dando em meio a todas as outras atividades, correndo o risco de deixar brechas, dúvidas e questões mal resolvidas.

A necessidade do psicólogo, como de outros profissionais, precisa ser bem dimensionada dentro dos hospitais e outros serviços de saúde, para evitar certas sobrecargas e desequilíbrios. É preciso estabelecer formal e tecnicamente a quantidade de profissionais necessários para cada grupo de pessoas atendidas no serviço. Desde que saúde deixou de ser definida apenas como “ausência de doença”, são feitas elucubrações visando estabelecer a nova definição: bio-psico-social e espiritual. Deixando a parte espiritual para cada usuário decidir conforme suas crenças, princípios e culturas, o bio-psico-social é a tarefa dos profissionais de saúde, a ser desempenhada plena e satisfatoriamente.

 

 

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*Walter Medeiros é jornalista e advogado em Natal-RN. Autor do livro “Onde está o atendimento?” Ed. Viena.

 

 

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