HUMANIZAÇÃO

Walter Medeiros

walterm.nat@terra.com.br 

 

A higienização do doente

 

--- Walter Medeiros

 

O direito ao tratamento humanizado deve abranger todos os aspectos do atendimento hospitalar. A cada momento vemos surgir algum ângulo importante, que precisa ser normatizado, em respeito aos usuários. Encontramos freqüentemente situações lamentáveis, em que atitudes errôneas denigrem a imagem da instituição. Pois temos afirmado freqüentemente que quando existe falha no atendimento ninguém sai dizendo que foi mal atendido pelo funcionário fulano de tal. O que informa é tão somente o nome do hospital ou unidade onde o fato ocorreu. Quem sofre prejuízo é a imagem da instituição.

 

Algumas opiniões que cheguei a veicular em artigos sobre o trabalho do pessoal da enfermagem chegaram a gerar algumas reações. Houve até quem achasse que eu teria alguma predisposição para com a categoria. Acontece que tudo que cito é baseado em fatos e mesmo que sejam fatos que envolvam profissionais, não significa que a categoria age conforme aqueles maus profissionais. Ao contrário, cada categoria precisa cuidar para que aqueles fatos não se repitam.

 

Existem certos momentos em que as questões não deixam claro quem são os responsáveis pela atribuição. Ocorrem situações em que questões técnicas podem ser encaradas como administrativas e neste ponto é preciso que sejam feitas correções, a fim de evitar maiores problemas. Quanto mais organizado for o serviço, preferencialmente através de normas claras e precisas, menor possibilidade de surgirem problemas.

 

Sei que haverá quem não goste de ver tratado mais um fato relacionado com a enfermagem, mas é indispensável que analisemos uma ocorrência recente. O fato se deu num hospital particular, que tem anunciado esforços para assegurar a qualidade do serviço e fala até em humanização do atendimento. Mas na prática não se viu nem qualidade no serviço nem humanização do atendimento.

 

Depois foi a vez de constatarmos outra desorganização, agora num hospital público de médio porte. Havia uma senhora idosa internada na UTI e os familiares tinham de se deslocar mais de trinta quilômetros para visitá-la. As visitas eram marcadas para as 11:30 às 12:00 horas, e das 17:00 às 17:30 horas, diariamente. Ocorre que em dias seguidos foi impossível efetuar a visita. Motivo: as visitas foram canceladas porque naquela mesma hora estava sendo feita a higiene dos enfermos, devido a atraso da lavanderia na entrega das roupas.

 

É bom lembrar que as técnicas desenvolvidas para o atendimento ao doente atingem níveis muito qualificados. Até mesmo a forma de fazer a higiene é detalhada em protocolos que impressionam a qualquer leigo e até mesmo aos estudiosos do assunto. Nada mais justo que sejam empregadas e disseminadas nas instituições hospitalares. Entretanto, há sempre a necessidade de sintonizar a técnica com a pessoa, a fim de que seja tratado o doente como um todo, e não somente a doença.

 

Volto ao fato, então. Uma senhora de 78 anos estava na UTI do hospital havia três semanas. Problemas cardíacos, diabetes e outros complicadores. Já não estava sequer medicada, tão grave era seu caso. Os parentes estavam providenciando a extrema unção, procurando fazer com que a sua passagem fosse tranqüila, como é normal. A visita dos familiares era sempre a partir das 17:00 horas e somente por trinta minutos. Nada mais. Mas é inacreditável o que foi presenciado pelos familiares na última tarde em que a mulher ficou naquele local.

Tão logo autorizaram a visita, montaram em torno da cliente aquela aparato da higienização. Sentaram-na numa cadeira e fizeram o procedimento exatamente durante o período da visita. Não conseguimos encontrar algo mais dantesco para completar aquele quadro já tão martirizador. No mesmo dia a senhora foi a óbito. Passou, portanto, mais um momento completamente avesso a tudo que se tem construído no rumo da humanização hospitalar, da qualidade do atendimento e dos cuidados paliativos.

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