Diversidade Cultural
Arlindo Freire (*)

 amelofreire@hotmail.com 

02.08.2007 

RESISTÊNCIA À TRANSPOSIÇÃO COMEÇOU PELA COLONIZAÇÃO

 

Arlindo Freire

 

            O ser humano poderá realizar qualquer plano, desde que esteja imbuído da vontade, decisão, consciência e fundamentação acerca dos seus objetivos, considerando, sobretudo o efeito social do que ele pretende fazer para atender às necessidades do coletivo e individual que caracterizam os  motivos para a sua criação e existência no mundo.

            Este dispositivo apresenta-se de forma invisível na figura coletiva e pessoal, apesar de sua realidade na composição mental em que são geradas as ações e todo o comportamento da vida racional que fazem a história da existência humana na perspectiva do tempo.

Águas Revoltas

            As idéias iniciais são decorrentes das confusões manifestadas sobre a transposição das águas do rio São Francisco para o semi-árido do território de Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará por iniciativa do Governo Federal, em fase de implantação.

            Os meios de informação – falam de acordo com os seus interesses, a favor e contra esse projeto, sem examinar o lado social, ou seja, a necessidade de fazer com que o homem seja preparado, educado e incentivado para receber esse benefício que, de alguma forma, certamente poderá transformar a vida dos pequeno e médio produtores rurais estabelecidos nas terras secas.

            A transformação, também poderá ser negativa ou positiva – se antes mesmo da transposição não houver a capacitação do homem para saber como usar a água no seu meio de produção, mais precisamente na terra  improdutiva.

            Este é o maior segredo da transposição, pois sem o reconhecimento dele, as fortes correntes das águas continuarão levando o homem, os animais, as aves, o solo e toda a natureza para as profundezas do oceano, a exemplo do que vem sendo feito, por falta da racionalidade.

            O lamentável e inexplicável – é a predominância da semi-aridez com seus efeitos irreparáveis em todo o Nordeste, pelo simples fato de não haver a determinação da coletividade humana – para que as águas desperdiçadas na terra e no mar sejam aproveitadas.

            - E daí, o que fazer na transposição?

            A resposta depende de muito raciocínio, equilíbrio, amadurecimento e a vontade indispensável para fazer com que as secas não continuem sendo os maiores empecilhos do bem-estar sócio-econômico para a coletividade do nordeste brasileiro.

            Esta opção tem sido impraticável – segundo o que temos observado nos mais de quinhentos anos da história brasileira, sem haver, pelo menos, algum sinal de mudança em torno da costumeira “fábrica da seca” feita com alicerces políticos, administrativos e até mesmo culturais.

            Além disso, temos ainda, de maneira sistemática, as posições e argumentos de especialistas técnicos, autoridades e figuras elitizadas, assim como de gente humilde, simples e vítimas diretas da aridez climática – as posições de condenação ao PISF – Projeto de Integração do Rio São Francisco.

            TALVEZ possamos admitir que – os adversários da transposição tenham as suas razões, quando emitem as opiniões em defesa da ecologia do Nordeste, sem esclarecer que tanto no passado, como na atualidade, a miséria humana causada pela estiagem, também não é correta.

            - E agora, estamos ou não no caminho sem volta?

 No mundo atual, assim como no antigo, não temos motivos para essa conclusão – se tivermos o bom-senso da existência de soluções nos dois períodos, para fazer com que os efeitos do semi-árido, sejam apenas uma questão física de convivência do homem sobre a natureza.

Iniqüidade ou Pobreza

            O presidente da ACI – Aliança Cooperativa Internacional, Ivano Barberini foi quem disse o seguinte, dia 12 de março deste ano, durante a 8ª Reunião dos Ministros de Cooperativas da Ásia-Pacífico, realizada em Kuala-Lumpur: A sociedade moderna precisa de uma rede cooperativa para refrear a crescente iniqüidade e pobreza no mundo atual.1

            No universo dos 40 milhões de brasileiros vivendo na miséria, dos quais a maioria reside ou anda vagando pelo Nordeste, avistamos “a crescente iniqüidade e pobreza” como fração de 70 por cento da população mundial vegetando pelos caminhos da aridez global em que a ignorância, doença e morte são permanentes.

            - As leis e outros instrumentos, segundo Barberini, permitem às cooperativas competir no mercado global que respeite os critérios universais aceitos pela ONU, OIT e outras organizações internacionais.2

            A rede cooperativa é possível em qualquer parte do mundo, inclusive onde ocorrem as maiores dificuldades sócio-econômicas - a exemplo do Nordeste banhado pelas secas temporárias que desgastam os diversos planos da vida, de acordo com a história do cooperativismo.

            No caso da transposição do São Francisco, os grandes problemas que advirão dessa providência governamental, poderão ser resolvidos, sem dúvidas, pelos produtores rurais que venham ser cooperativados, conforme os princípios desse movimento.

            Para garantir a existência desse suporte, os responsáveis pela transposição, mais precisamente o Governo Federal, poderão fazer com que o programa mencionado especifique, concretamente, a viabilidade para que os futuros usuários de tais recursos – sejam organizados em cooperativas.

            Sem tal providência governamental, a especulação de que a transposição do São Francisco será útil e muito agradável para a ampliação e expansão dos grupos privados da agroindústria – será confirmada em prejuízo da coletividade social que forneceu os recursos financeiros – via recolhimento de impostos, para executar o projeto.

            Se o governo Lula não aceitar esta proposição de incentivo para assegurar os positivos resultados da transposição, através do sistema cooperativo – pode “lavar as mãos” ao modo de Pilatos, entregando o programa a quem não precisa dele ou pretende, somente ter mais capital.

            A escolha do cooperativismo na transposição inclui, ainda, a decisão no sentido do acompanhamento com incentivos e fiscalização, não somente na implantação dos projetos sócio-econômicos, bem como no prosseguimento deles, mediante as condições desse tipo, estabelecidas em harmonia com os participantes das cooperativas.

            As prerrogativas dos princípios cooperativas: livre adesão, gestão democrática pelos sócios, participação econômica eqüitativa, autonomia e independência; educação, conhecimento e informação; cooperação entre cooperativas e interesse pela comunidade – são indispensáveis para organização, funcionamento e desenvolvimento.3

            Entre os sete princípios estabelecidos pelo sistema cooperativista – todos eles são necessários e decisivos para a sedimentação da iniciativa, sendo que o da educação, conhecimento e informação tornaram-se uma prioridade básica e essencial – para a história cooperativa em qualquer parte do mundo.

            Sem a prática ou realização desses princípios – a cooperativa jamais poderá ser útil e corresponder às expectativas dos associados e suas famílias, como também da sociedade para que ela foi constituída de formas direta e indireta, por intermédio dos seus componentes.

            Quando esse procedimento está fora do espírito cooperativista – a conseqüência jamais poderá ser outra: fracasso, de modo objetivo e concreto, a exemplo do que tem sido constatado em todo o desenrolar desse movimento que já passou por mais de século e vem marcando progresso ou superando crises sociais, guerras, desastres e toda espécie de desafios.

            - A pobreza no mundo atual, constituída de 1 terço da população mundial, poderia ser a cinza do papel queimado, ou seja – não existir mais, se a coletividade humana com o apoio de seus governantes, representantes políticos e as elites bem favorecidas, baixassem suas cabeças e aceitassem ou admitissem o pensamento de Barberini – em defesa do cooperativismo e da humanidade, quando esta se devora, fazendo um novo canibalismo.

            O grito do presidente da ACI ficou sem eco no plano internacional, não porque teve origem em Kuala Lumpur, na Ásia do Pacífico, mas pelo fato de haver encontrado a barreira do som – feita nos meios da comunicação social pelos veículos da globalização fortalecida com os dólares do capitalismo manobrado por 250 famílias globais, possuidoras das maiores riquezas.

            - E, será possível que a miséria do mundo chega ao Brasil?

            Os fatos mundiais dizem que sempre foi assim – antes e depois da

colonização, desde 1500, quando este país foi ocupado pelos exploradores fugitivos das guerras de 100 anos, devastadoras da Europa e outros continentes, então na fase de construção.

            Depois de ter sido conquistado e explorado pelos colonizadores, o nordeste brasileiro foi abandonado – entrou em decadência: perdeu as riquezas naturais – foi devastado das especiarias, pau-brasil, minérios de ouro, prata,  animais e plantas, etc. e tal, dos rios, do mar, céu e terra.

            O pior da natureza brasileira - ficou para os indígenas que, por sua vez  foram dizimados, juntamente com os 70 milhões4 deles, na América Latina, naquele mesmo período colonial, certamente porque as suas terras eram aproveitadas sob o regime de cooperação, entre as pessoas e tribos, sem o método do mercantilismo individual.

            Desde aquele tempo – as secas duplicaram a miséria do Nordeste, foram triplicadas pelo oportunismo político-partidário e o desinteresse governamental nas providências para solução dos problemas que aumentaram – êxodo, desemprego, fome, abandono, doença e ignorância do sertanejo mais atingido pela semi-aridez.

            A resistência social contra as secas – foi realizada em proporção considerável, isto é, mais na zona rural do que na urbana, motivo pelo qual  não obteve os efeitos esperados – houve pouca união dos setores, apesar de ambos serem vítimas da situação.

            Por falta de trabalho e outras condições para sobrevivência no campo destituído da ação cooperativa – o êxodo populacional do campo para a cidade, vem sendo uma constante geradora de favelas, onde a minoria vive na linha marginal da periferia urbana.

Maré Secante

            AS FORÇAS contrárias ao cooperativismo estão soltas, são mais capazes do que as favoráveis, sempre ganham mais terreno – dispõem dos instrumentos que podem virar a mesa, deixando as cartas no chão e ganhar a partida do jogo sem cooperação.

            - Como será possível – jogo tem cooperação?!

            Entre os jogadores de cada time, tudo bem, mas de equipe para equipe, existe somente competição, rivalidade, vencedor e vencido que se dividem em torno da bola, fama, prestígio, dinheiro, danos e perdas, alegria e tristeza, vitória e fracasso.

            No cooperativismo o jogo é diferente: todos os jogadores ficam unidos em torno do mesmo objetivo, respeitando os direitos de cada parceiro, sem prejudicar o seu, para que desse modo a unidade consiga caminhar de mãos dadas e chegar fortalecida ao ponto indicado.

            Com mais de 7 mil e 600 cooperativas existentes, atualmente, constituídas por 7 milhões, 393 mil e 75 associados5  - a expectativa sobre os princípios desse movimento, neste país, permanece, sem alterações, em atendimento às necessidades do ser humano.

            O lado da Maré Secante ou baixa do cooperativismo nacional – reside em alguns setores que fogem da ética, comprometendo assim, todo o cenário e suas finalidades, a exemplo de acontecimentos negativos, espalhados pelo país, Nordeste e Rio Grande do Norte.

            No plano da autocrítica – visando à reformulação e correção das ocorrências perturbadoras da Cooperação entre Cooperativas, retrocedemos aos anos de 1980 quando houve a constituição e fundação da Coopermel – Cooperativa de Produtores Rurais da Serra do Mel.

            Após alguns anos de trabalhos acerca do aproveitamento da produção do caju, e sua castanha – eis que aquela organização caiu no fundo do poço – foi liquidada, abandonada e arrasada por divergências pessoais, partidárias, políticas e sociais.

            Os governos Estadual, municipais e Federal ficaram nas esquinas das Vilas Rurais vendo a “banda passar” – deixando tudo acontecer até o “circo pegar fogo” no interior da Coopermel feita pelos colonos das Vilas Rurais implantadas com recursos do governo Federal, através do ex-governador Cortez Pereira.

            - Onde estava, então a solidariedade cooperativa?

            Esta pergunta – ainda está no ar, talvez dentro da OCB-RN- Organização das Cooperativas do RN e todo esse movimento, desde o seu passado, presente e futuro, para que os fatos semelhantes, jamais sejam esquecidos e deixem de se repetir – Coojornat – Cooperativa dos Jornalistas de Natal foi outro guardado na memória do fracasso.

            - Como e porque esses fatos acontecem sem a revisão, estudo e análise das suas causas e efeitos para o cooperativismo?

Outra resposta para ser dada pela OCB-RN, governos Estadual, Federal, municipal e também por especialistas nesta área sócio-econômica, seguidos pelos órgãos do Judiciário, Legislativo e outras instituições sociais.

            No panorama amarelo, preto ou cinzento tem mais: as sete cooperativas de artesãos incentivados pelo ex-Idec, atual Idema – foram implantadas em diferentes regiões do RN, para que fossem criados trabalho, emprego, renda e organização no setor artesanal de grandes dificuldades.

            O sonho de funcionamento dessas cooperativas – foi relativamente curto, menos de 10 anos, por razões desconhecidas e jamais analisadas, sabendo-se, entretanto que os propósitos sobre os artesãos – fizeram com que a cortina do silêncio fosse aberta para salvar os políticos do público.

            O investimento governamental feito naquele projeto artesanal – ficou perdido, sem retorno econômico e social, tornando-se, assim, igual ao tiro que sai pela culatra, ferindo o dono da arma, porque este não foi preparado para usar o seu instrumento.

Aporte sem Porto

            Os dirigentes e associados das cooperativas estão cansados de esperar o apoio real dos políticos ao sistema, sem haver o compromisso de retorno eleitoral de modo obrigatório e infalível – quando algum futuro candidato atua com esse fim.

            Se houvesse maior atenção dos políticos sobre o cooperativismo brasileiro, certamente a situação dele poderia ser mais significativa em qualidade e quantidade para o movimento em si, quanto para a sociedade, a exemplo do que está ocorrendo em outros paises.

            - Como pensar nisso, diante das questões consideradas?

            O passo inicial, neste sentido, deveria ser em cima da organização sócio-econômica na transposição do rio São Francisco – via unidades cooperativas, as quais evitariam que somente as empresas capitalistas entrassem no esquema.

            A porta de entrada – para essa iniciativa poderia ser aberta, inicialmente, pelo sistema ou representação maior, desde o MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, após sintonia com a Presidência da República e outros órgãos federais.

            O titular do Mapa, Reinhold Stephanes revela, pelo seu currículo, que conhece, não somente a Sociologia, Economia e Administração rurais, como a necessidade do cooperativismo no setor primário do Nordeste.

            A sintonia ou aproximação sobre transposiçãoxcooperativismo com o Presidente Lula – parece não ser complicada, tendo em vista o seu passado de líder sindical e o fato de ter sido retirante das secas, com profundas marcas em sua vida, desde a infância

            No aporte sem porto dos políticos – é reconhecível a existência de 104 deputados federais e 11 senadores, na atual legislatura, formando a Frencoop – Frente Parlamentar Cooperativista6 – como fator de grande importância para o suporte desta pretensão.

            Se os dois grupos de parlamentares tiverem a firme convicção de apoio às cooperativas, não resta dúvida que haverá uma conquista fácil e rápida nas hostes da administração Federal – para fazer com que o trabalho com esse fim, seja admissível na transposição.

            O jogo da verdade está aberto – como um forte desafio aos deputados e senadores da Frencoop – para que as lideranças em questão manifestem as suas teoria e prática quanto ao sistema cooperativista nacional formado de aproximadamente, 35 a 40 milhões de dependentes diretos e indiretos.

            Nos tempos de crise social – desemprego, fome, ignorância e doença – a coerência humana torna-se cada vez mais solidária, ativa e presente, quando

consegue se unir e lutar, visando à solução desses impasses degradantes, não apenas da unidade, mas do coletivo afetado por tal circunstância.

            Nesta oportunidade – seria muito bom considerar que foi pela falta de conhecimento sobre os propósitos adotados pelos colonizadores, que os indígenas perderam grande parte de seus direitos à natureza, a partir de 1500 e até o presente.

            Esta lição ficou na história – para que todos sejam capazes de analisá-la e aprender com os fatos que foram repetidos secularmente, como fatores de acomodação cultural para muitas pessoas esclarecidas e de pequena visão sobre as ocorrências.

Porta Aberta

            No âmbito internacional – a fome, desemprego e demais resultados de tais mitos fabricados pela maioria da classe política7,  são de pouco significado para quem tem consciência e responsabilidade sobre a maneira de resolver essas anomalias.

            Com pouco esforço e tranqüila receptividade positiva, o Presidente Lula e seus auxiliares diretos – poderiam encontrar no exterior, as portas abertas para a negociação dos recursos técnicos e financeiros em função das cooperativas na transposição das águas do São Francisco.

            O melhor sinal deste tipo – já está configurado na presidência da ACI – mediante a concepção do seu titular, no sentido de que as cooperativas têm  o compromisso de abrir os caminhos para atender às necessidades das populações em situação de miséria.8

            A diretoria da ACI, pelo seu presidente Barberini tem consciência e disposição para o trabalho com a finalidade de atender aos produtores que venham ser beneficiados pelas águas do São Francisco, em decorrência do incentivo governamental.

            Outro sinal verde ao cooperativismo e, relativamente ao aproveitamento dos recursos hídricos daquele rio, nos vales do semi-árido – foi recentemente adotado pelo Mercosul durante a primeira reunião da Câmara Social desse organismo, realizada a 14 de dezembro, 2006 no Rio de Janeiro.

            O ponto 18 das conclusões sobre os estudos feitos naquele encontro determina que os participantes do Mercosul ressaltam “a necessidade de que se estabeleçam ações e uma legislação comum de estímulo ao cooperativismo, à capacitação, à formação e ao intercambio entre esses setores, estimulando a estruturação das cadeias produtivas.” 

            Hoje em dia, o Mercosul tem a participação de cinco dos mais de 20 paises sul-americanos, em conseqüência, principalmente da oposição e competição dos Estados Unidos, no sentido de que a Alca criada pelos norte-americanos não venha ficar sem América do Sul e Caribe.

            O segundo adversário do Mercosul está dentro de casa, na pessoa do presidente Hugo Chavez – Paraguai, dizendo-se socialista de oposição ao governo da globalização que, segundo ele, vem sendo acompanhada pelo seu colega Lula, do Brasil.

            Chavez, por sua vez, está namorando com a Rússia por intermédio de Fidel Castro e seus companheiros cubanos que preferem, assim, recusar às providências em favor do Mercosul, isto é, continuar a luta pela liderança nos paises latino-americanos, sem depender dos Estados Unidos, mas, talvez, de outras nações ricas e poderosas.

            A compra de modernos aviões russos, pela Venezuela parece ser o primeiro cartão de visita apresentado por Chavez – para o início das operações de crédito com o governo global de Putin – sucessor das reformas em que a URSS foi extinta.

            No meio dessa complexidade internacional, a transposição de um pouco – 2% das águas que o Velho Chico despeja no mar, deveria constituir motivo de atenção do Programa Fome Zero para efeito de inclusão do movimento cooperativo nas atividades de expansão hídrica do Nordeste.

 - Mas, o que tem Fome Zero com a transposição?

            Onde existe escassez de água – também falta trabalho, alimento, produção, educação, saúde, paz e disposição para qualquer iniciativa, entre as quais o sono ou repouso, lazer, relações humana e social, união, esperança e vontade de superar as decepções guardadas no silêncio.

            O retalho da solidariedade brasileira – reside no Fome Zero com o seu ato de conceder o paliativo necessário, a quem não consegue ter os meios para adquirir o pão indispensável ou básico para a sobrevivência diária, resultante do trabalho e produção.

            A cooperação do Fome Zero com a transposição-cooperativa causaria uma frente de três forças capazes de avançar a favor de uma só – água para a fertilidade da terra seca.

            Isto será viável – se houver na esfera de governo, a porta aberta ou disposição, vontade e bom-senso para o trabalho solidário em qualquer circunstância, sem competição e divisão internas.

            No panorama das contradições sobre a transposição, ainda temos, infelizmente os resultados de pesquisa feita recentemente, pelos quais nada mais de 1,1 por cento da população do país, confiam no Congresso Nacional, depois de conhecidos os resultados dos processos relacionados com os atos de corrupção, denunciados em 2006.

            Portanto, temos mais uma forte justificativa – para que todas as forças abram os seus braços e se abracem entre si, com firmeza e segurança, mantendo o propósito para que sejam construídos os canais e adutoras do rio

São Francisco para molhar o solo previsto.

Resistir é Preciso

            Os movimentos sociais de resistência à transposição estão em andamento nas universidades, meios de comunicação, escolas, comunidades rurais e urbanas localizados nas capitais dos Estados e nos municípios que serão atingidos pelos canais físicos em que as águas serão despejadas.

            As manifestações contrárias a esse projeto são naturais e necessárias, fazem parte do comportamento humano diante de qualquer mudança pretendida, sob alegação de que ela poderá ser inconveniente ou prejudicial às pessoas que estão com situação definida, mesmo quando não sabe o que vai acontecer no seu futuro.

            Nas últimas quatro décadas – tivemos diversos acontecimentos governamentais em que a resistência foi assinalada em proporção muito inferior ao que vem se dando com a transposição: Transamazônica, Sudene e outros empreendimentos que ficaram no passado – guerra da borracha, na região amazônica, com os Soldados do Nordeste, dos quais morreram mais de 20 mil nas matas, durante a Segunda Guerra Mundial.

            No governo militar – 1964-1985, a Sudene foi esvaziada e extinta, sob o pretexto da subversão e até mesmo da corrupção que ficou na impunidade, enquanto o seu arquiteto-criador, Celso Furtado, apoiado pelo governo anterior e pela CNBB, foi cassado e deportado porque não estava de acordo com os governantes daquela época.

            O ser humano foi, é e será – sempre a bandeira da resistência de modo certo ou duvidoso, em decorrência do espírito dialético constituído pelo negativo-positivo, sim-não, otimismo-pessimismo, verdade-mentira e outros pressupostos da vida com eiras e beiras indefinidas.

            Faz mais de quinhentos anos que as gerações do Nordeste resistem às secas e suas numerosas conseqüências, de maneira tranqüila, pacífica, calma, acomodada, alienada, revoltada, incoerente, desajustada, com e sem paciência – esperando a chuva chegar.

            Depois da chegada de Cabral à terra Brasile – a maioria dos indígenas existentes, foi extinta pelas pequenas secas de então, guerras, doenças e perseguições feitas pelos colonizadores – invasores do patrimônio nativo.

            O movimento da resistência dos índios, iniciado no Rio Grande do Norte teve repercussão em todo o Nordeste, daí porque hoje em dia, somos o único Estado da Federação, sem a presença viva do indígena verdadeiro.

            As ocorrências desse nível podem ser exemplos de atenção para outras, semelhantes ou diferentes, em termos de justificativas quanto à existência de modo repetido e inusitado, para que assim a concepção do homem seja ampla e universal.

            Na ótica comparativa, a história do Nordeste com sua população, tem fortes indicadores aliados aos hebreus que fugiram do Egito para Israel, em 1250 – AC – antes de Cristo, sob a proteção do Deus Javé e a liderança de Moisés, rompendo 430 anos de vida na miséria faraônica.

            - Mas, o que é isto, para que tanta loucura?!

            O rompimento com a escravidão no Egito foi realizado por mais de 3 milhões de pessoas, das quais 603 mil 550 homens9 que viviam em condição desgraçada nas obras dos faraós, então os maiores do mundo, construindo pirâmides que ainda causam grande admiração.

            No curso dos 300 anos da colonização do Brasil – foram mortos mais de 4 milhões10 de índios, enquanto nos 40 anos do êxodo Egito-Israel, a mortalidade foi quase total11 – cerca de 3 milhões de homens, mulheres e crianças.

            Depois do início em 1899 – a barragem de Assuã – Egito foi concluída em 1964, durante 16 anos de trabalhos em quatro etapas12 com períodos e motivos diferentes, especialmente os relacionados com os escassos recursos financeiros daquele país.

            Na bacia daquele reservatório são armazenados quase 169 bilhões de m3 de água, aplicados em 283 mil hectares irrigados e na produção de 15 por cento da energia13 consumida pelos egípcios.

            A maior barragem do Nordeste, situada no município de Itajá, região Vale do Açu – RN, construída durante os anos de 1979-83, tem capacidade para 2 bilhões e 400 milhões de m3 de água, de onde poderão ser irrigados 25 mil hectares, dos quais apenas 4 a 5 já foram realizados.14

            Nos últimos anos, as denúncias feitas no Vale do Açu indicam que as águas daquela barragem15 – são contaminadas pelas bactérias cianofíceas, depois de fortalecidas pelos resíduos da mineração de ferro, localizada na Serra do Bonito, no município de Jucurutú, de onde saem, diariamente mais de 100 carretas daquela matéria prima destinada à China.

            As discussões feitas no período de execução das obras de engenharia daquela barragem – assinalam que no sub-solo da bacia existe uma volumosa reserva de urânio16 registrada, anteriormente por satélites – para ser futuramente aproveitada por grupos internacionais.

            Com esta última massa de informações contraditórias – pretendemos somente, mostrar que em qualquer parte do mundo, os projetos são contidos de inúmeras questões positivas e negativas, a exemplo do que acontece em qualquer situação, sob os olhos do ser humano.

            No futebol costuma-se dizer que cada torcedor é um juiz, isto é, o indivíduo tem a liberdade de emitir a sua opinião sobre cada jogador e a partida, segundo a sua convicção, interesse, paixão e preferência, a exemplo do que se verifica com a arte, mais precisamente uma peça exposta ao público.

Pensar e Fazer

            As recomendações extraídas do bom-senso assinalam que o acerto de qualquer ação, consiste infalivelmente, no pensar sempre sobre o que se pretende fazer – para que desse modo seja possível o resultado positivo em torno dos planos e projetos feitos pelo homem.

            Na realidade, até mesmo desta maneira – muitos empreendimentos são falíveis, ou seja – não atingem os objetivos esperados por motivos que jamais foram considerados pelos planejadores e executores que estavam seguros da viabilidade de suas intenções.

            Pensar e fazer – qualquer coisa, no fundo é uma incógnita ou tem o seu X, pois no fazer, também existe a possibilidade de falha, desacerto e até mesmo

o fracasso que chega a ser de 80 por cento17 nos projetos feitos pela pessoa humana – aqui e no resto do globo terrestre.

            O que fazer com o fim de solucionar o problema – é o primeiro passo ou decisão objetiva e concreta, quando a boa intenção, disposição, responsabilidade e compromisso estão no consciente do ser humano, como fator de orientação18 para o ato social.

            Como fazer entra no segundo passo, para que seja feito a análise, estudo, exame e reconhecimento do processo ou dos meios que devem ser usados para a realização do projeto de qualquer natureza, preferencialmente em se tratando do coletivo social.

            - E o que isso tem a ver com o assunto da transposição?

            Se cada pessoa tivesse isto na cabeça, diariamente, seria mais esclarecida, teria maior conhecimento, poderia fazer opinião, tomaria decisões acertadas e necessárias, viveria em melhores condições no seu presente, futuro, sem as incertezas, insegurança e fragilidade existencial.

            Onde, quando e porque – são mais três perguntas indispensáveis para a racionalização técnica e científica de qualquer ação humana, desde a casa onde a pessoa reside, o meio de trabalho, a escola e demais locais de sua presença, inclusive nos momentos de lazer.

            Esta pequena e simples metodologia não ficou somente para os técnicos, cientistas, professores, intelectuais e outros sabichões, mas, também para qualquer pessoa que aspira uma vida digna, normal, justa e necessária, como  direito e dever de cada ser humano.

            Com as mencionadas cinco colunas da racionalidade: o que, como, quando, onde e porque fazer a transposição do rio São Francisco, aplicando o cooperativismo na organização sócio-econômica dos trabalhos posteriores e conseqüentes desse projeto, podemos acreditar na viabilidade de resultados que venham ser positivos para o Nordeste e todo o país, mediante o sistema de trabalho participativo a ser organizado e estabelecido na dimensão social da região.

            Acreditar nessa possibilidade, não seria um sonho ou ilusão, pois ela depende, essencialmente do homem e sua capacidade no plano da responsabilidade, consciência e vontade de fazer o que lhe é necessário, de acordo com a sua convicção, decisão e prática, através da união com os demais – cooperação e solidariedade, sem a prepotência, competição e egoísmo.

            Em virtude da baixa incidência desses valores19 nas camadas sociais do pais e, sobretudo do Nordeste – a desorganização, ignorância e demais problemas já estão com mais de cinco séculos, nos diversos setores da sociedade – até mesmo os religiosos que se dizem zelosos da fraternidade, humildade e caridade.

            Se as igrejas cristãs20 olhassem com afinco para o cenário da semi-aridez e suas conseqüências sócio-econômicas, políticas, mentais e, também religiosas – poderiam encontrar objetivamente, os caminhos para a solução dos numerosos problemas.

            O maior exemplo de afirmação dessa possibilidade – reside, por incrível que pareça, no interior do Rio Grande do Norte, onde, no período de 1980-90 e início de 2000, o Mons. Expedito Medeiros, após muitos anos de luta, fez com que os governos construíssem21 as adutoras de água para o sertão.

            Depois daquele vigário da paróquia de São Paulo do Potengí – os braços dos demais, foram cruzados – nada mais se falou, exceto os políticos que tomaram conta desse empreendimento, fizeram suas campanhas eleitorais em cima dele, disseram que foram eles, exclusivamente, os responsáveis pela transposição das águas.

            No desenrolar do seu trabalho, o Mons. Expedito foi sábio, paciente, humilde, determinado e responsável com os políticos, governantes, administradores e as coletividades rurais impacientes – mantendo sempre, em todos os momentos, o sorriso, diálogo, explicação, entendimento e persistência no seu objetivo.

            A hierarquia católica jamais deixou de apoiar as ações expeditianas pelo abastecimento de água nas residências interioranas do Agreste norte-rio-grandense, com silêncio de orações e poucas ações sistemáticas que foram adotadas na sua dimensão estrutural – como poderia ser feito, com efeitos maiores do que os obtidos.

            Depois da morte do Mons. Expedito -16.01.2000 caiu a cortina do esquecimento acerca do seu trabalho pioneiro que deveria ter sido continuado em direção a todo o Nordeste, dando prosseguimento ao projeto social da Igreja, como testemunho dos princípios evangélicos, mais especificamente ao Sermão da Montanha feito pelo filho de Deus – Jesus Cristo, no meio do povo em pleno deserto.

            Antes do seu falecimento, após 20 anos de ações pelo abastecimento de água potável às populações do interior, foram atingidos 53 municípios com aproximadamente, 146 mil habitantes das cidades que não dispunham desse benefício.

            Entre as contradições ao que foi realizado por aquele sacerdote, hoje em dia – temos o depoimento feito em nome da CPT – Comissão Pastoral da Terra, pelo seu coordenador22 Roberto Molvezzi, radicalmente contra a transposição do São Francisco.

            Molvezzi defende a expansão do projeto para a construção de cisternas, nas zonas rurais – onde as águas das chuvas continuam sendo, cada vez mais escassas por causa do efeito estufa, desmatamento e outros fatores do clima no âmbito regional e global.

            No comentário agressivo sobre a transposição e seus responsáveis, Molvezzi acrescenta que o governo Federal poderia, em vez da transposição do rio São Francisco – para beneficiar apenas 12 milhões de pessoas, liberar os recursos necessários para executar os planos de recursos hídricos da ANA – Agência Nacioal de Águas, para zona urbana e da ASA – Articulação do Semi-Árido – para zona rural, com os quais seriam atendidos 44 milhões de nordestinos.23

            Isto é muito bonito, mas, na prática, a coisa é diferente: as cisternas poderão ter água o ano inteiro sem a ocorrência de chuvas anuais?

            Durante as poucas chuvas do semi-árido, as cisternas existentes recebem pequena quantidade de água escorrida dos telhados das pequenas casas, choupanas e casebres nas dimensões de 20 a 40m2, onde se abrigam as famílias de 4 a 6 pessoas, sem os meios de ter uma moradia maior.

            As idéias e pensamentos em profusão – sobre a questão da água, nunca deixaram de existir no país, ao contrário do que deveria ter sido feito pelo desenvolvimento social e cultural da população nordestina, como providências dos governantes constituídos pelos eleitores.

            As instituições, assim como os políticos, com raras exceções, estão preocupados em conseguir os recursos para seus projetos, criar projeção social, ter o poder na mão, fazer massa de manobra e, no futuro próximo, ter um colégio ou curral eleitoral.

            Quando, por acaso, surge alguém para o trabalho independente, crítico, objetivo e racional – visando basicamente, à mudança cultural, política e social, as portas dos projetos são trancadas com sete chaves, as atividades ficam isoladas do mundo, limitadas ao finito.

            As secas do Nordeste são caracterizáveis pela imagem do câncer destruidor das gerações, desde a pré-história regional, seguida pelo tempo dos civilizados e seus governantes que não pretendem encontrar as soluções para esse grande desafio, a exemplo do que têm feito os médicos especializados na oncologia, quando preferem seguir o receituário dos laboratórios sedentos dos lucros mercantilistas.24

            O meio de curar as mazelas e doenças do semi-árido está na terra e no homem do Nordeste, sob a dependência do estudo e pesquisa com essa finalidade, baseados nos recursos naturais da região, partindo da flora e fauna, minerais e demais recursos físicos e geológicos.

            No cooperativismo coerente, todos esses problemas são tratados de maneira relativa com os princípios básicos desse sistema que pretende ser um instrumento para a sobrevivência do homem, grupos sociais e da sociedade originários da pobreza, desemprego e fatores correlatos da miséria.

            Aviso aos navegantes: sem a filosofia cooperativa, até mesmo o povo de Deus, fugitivo do Egito, durante 40 anos, perdeu-se no retorno ao seu país – Israel, viajando pelo deserto, sob as bênçãos divinas recebidas por Moisés e Aarão para o cumprimento dessa missão.

- Mas era só o que faltava – acreditar numa história ou lenda da Bíblia com     

mais de 3 mil anos!

            O conhecimento do homem – permanece com apenas 10 por cento da capacidade do cérebro sobre os mistérios do universo, sendo este um dos motivos pelos quais – ele não conseguiu afirmar a existência de mentira em torno dessa passagem bíblica.

            Agora, diante de tais indicações, o melhor é fazermos o que for necessário – visando evitar que o nosso êxodo pelo Nordeste25 venha ter os mesmos resultados do que houve com os hebreus nos desertos africano e oriental, sem levar em conta o manancial do rio Nilo.

            O grande perigo – para a execução desse projeto estaria no prazo de 25 anos para a conclusão das obras, pois no decorrer do mesmo, os próximos governantes poderão criar uma série de motivos para que os trabalhos não tenham prosseguimento.

            Na construção da Barragem do Açu – RN foram gastos quatro anos, inclusive cerca de um, na reformulação do projeto e novas providências para resolver os defeitos causados por uma depressão do solo, pelo que houve manifestações de protestos, reclamações e debates.

            Açuã ou Assuã, no Egito, às margens do rio Nilo, teve 16 anos para a sua realização no meio de grandes problemas, sendo que o maior deles foi a guerra no Canal de Suez, durante a qual os serviços da barragem foram suspensos, também pela escassez de recursos financeiros.

            Outro lado negativo aos futuros resultados da transposição: a temperatura do Nordeste ensolarado aumentará, consideravelmente a incidência de contaminação das águas paradas nos açudes, com a maior produção de algas que causam grandes problemas de saúde na população.

            A cianovícea26– alga azul, por exemplo, comum nas águas de mananciais, sem controle biológico e sanitário, tem sido uma das maiores causas para as

infecções nos intestinos de humanos e animais, após um médio e longo período de consumo dessa substância. 

            Os pesquisadores assinalam que até mesmo o câncer no fígado, intestino e na pele humana – vem sendo provocado pela cianovícea dos reservatórios

aquáticos, com pouco monitoramento de combate às bactérias dessa espécie, além de outras comuns nesses ambientes.

            No manancial da Barragem do Açu, por exemplo, assim como em São Paulo e Blumenau – Sta. Catarina, a cianovícea está preocupando os responsáveis das companhias de águas, sem haver dos seus consumidores, o necessário conhecimento acerca do problema.

            Já foi constatado que em barragens de São Paulo27 a cianovícea teve a sua reprodução duplicada pelos resíduos de ferro despejados nas margens da bacia ou leitos de rios, em diversos municípios daquele Estado.

            O peixe, de preferência a Tilápia, da barragem e rio Açu, de elevada produção e comercialização, em todo RN e demais Estados, vem sendo bem alimentado por essa alga, a qual deposita-se por longo tempo no intestino e carnes dessas espécies que servem de condutoras das infecções para o organismo animal.

            A energia solar e os restos minerais de Jucurutu28 – fazem com que a cianofícea seja mais forte e poderosa, a ponto de ter, pela sua reprodução,  26 sub-espécies derivadas da matriz original – todas causadoras das mais variadas infecções, inclusive as cancerígenas no aparelho digestivo.

            Com relação aos legumes e frutas irrigados com as águas da cianofícea, no Vale do Açu, ainda não se tem notícias de contaminação, mas... talvez isso venha ocorrer, quando houver pesquisa com essa finalidade, sem o controle das algas e a continuação do despejo dos resíduos minerais naquela área.

            Esta hipótese poderá ser inviável – pois a cianofícea serve também, como adubo29 para agricultura, podendo ainda desempenhar funções complexas que somente a investigação cientifica poderá esclarecer.       

Hora de Agir

            A coincidência desta matéria e a corrida ao DNOCS – Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, por representantes da OCB e outras organizações de cooperativas, no sentido de que o órgão federal examine a possibilidade para inclusão social das cooperativas, em todos os perímetros de irrigação, é o grande passo para o início do entendimento.

            No dia 27-06 houve uma reunião30 sobre este assunto, em Fortaleza-CE com a diretoria do DNOCS, conforme notícia desse órgão distribuída pela Internet, dando ciência do fato e, ao mesmo tempo abrindo as margens para que a transposição, também venha ter a participação do cooperativismo, de preferência na organização da produção.

            Naquela mesma oportunidade, o grupo Bahma Busness31 levou ao conhecimento do DNOCS, o seu plano de ação visando trabalhar no perímetro irrigado Tabuleiros de Russas, de 68,27 hectares, com o plantio de uvas – produção de vinhos, suco e vinagre.

            - Entre os dois, qual o mais forte?

            Na prática experimental do negócio, provavelmente o Bahma esteja acima das cooperativas, quanto ao capital e sua influência no meio empresarial, mas, no plano sócio-econômico, certamente jamais, ou seja – para o governo representativo e democrático32 a OCB tem mais razão de ser presente no projeto em questão.

            Se esta maneira de ver, julgar e agir – tiver respaldo governamental para  fortalecer a democracia com liberdade, solidariedade e fraternidade, através da Presidência da República,  do Congresso Nacional e demais instituições brasileiras, então vamos ter um novo tempo na política de aspiração social.

            Agora, a direção do DNOCS, pelo Eng. Elias Fernandes, de muita experiência  na expansão de água potável para o interior do Rio Grande do Norte, está dispondo do interesse das cooperativas, no sentido de que elas sejam incluídas nos projetos de irrigação.

            Os dirigentes do sistema cooperativo – esperam que as negociações, neste sentido, venham ser realizadas de maneira efetiva, não somente com as organizações de cooperativas do RN, mas, de todo Nordeste, em tempo adequado e abreviado, para que desse modo – torne-se possível o resgate das providências que deveriam ter sido adotadas antes.

            Se Elias Fernandes quiser a solidariedade do sistema cooperativista para a transposição, trabalho, irrigação, produção e organização com a finalidade de iniciar o desenvolvimento social e econômico no meio rural – será o ponto de partida para a longa caminhada em direção ao Nordeste de futuro novo, seguro e digno, sem miséria, nos próximos 10 a 20 anos.

            Depois da sua experiência com Mons. Expedito, agora o diretor do DNOCS, Elias Fernandes está em condições de fazer com que sejam mantidas as necessárias relações de entendimentos da Igreja Católica com o Governo Federal, em se tratando da transposição do rio São Francisco, visando ao bem-estar social dos pobres.

            - Como fazer tal coisa, diante da indicação de que o agronegócio está com seus olhos voltados para as terras da transposição?

            Aí começa a decisão do equilíbrio político, ou seja, a inclusão do cooperativismo em todos os projetos de irrigação, sem estabelecer a preferência exclusiva pelo agronegócio e suas imposições a serem feitas com o capital oficial nas mãos – para a produção dirigida ao mercado externo – frutas, camarão e outros.

            A greve de fome34 feita em 2005, pelo Bispo Dom Luiz Flavio Cappio, da diocese de Barra – Bahia, foi o estopim da bomba que tomou conta de todo o país, objetivando o cancelamento da transposição do rio São Francisco, sem haver um programa de governo para atender aos diversos problemas em que o manancial está inserido, inclusive do meio ambiente e da população nordestina.

            O pacto 35 da transposição, nesta altura, tornou-se uma providência indispensável, urgente, inadiável, legítima e verdadeira, em decorrência da greve de fome cappiana, pois somente  com essa resolução será possível atender às expectativas de harmonia entre Igreja-Governo e, naturalmente da população.

            As instituições sociais, econômicas e educacionais seriam convocadas para a decisão final, através do pacto da integração pela transposição do rio São Francisco como decorrência de ato presidencial do governo Lula, através de seus auxiliares.

 Isto seria uma atitude política coerente, respeitável e adequada, sem a necessidade de estancar o andamento de execução das obras do projeto, mas, reforça-las com a inclusão de outras que venham ser estabelecidas como fruto de acordos que venham ser feitos.

A integração seria efetuada, de modo indispensável, com a participação de representantes dos sindicatos, associações, cooperativas, universidades, ongs e demais instituições relacionadas com o povo das secas.

 

 

 

 

                           Notas:

01-  ICA-Digest, 55 – 2007,  p.6. ICA ou ACI.

02-  Idem, idem, idem

03- OCB-Agenda Legislativa do Cooperativismo, p. 12 – 2007.

04- Brasil de Fato, N. 221, p. .12 - 2007

05- Idem, ídem -  nota 3, p.10.

                       06- Idem – nota 3, pp. 17,18.

                       07-Ver – Desemprego é Mito Criado pelos Políticos, 31.05.2007, www.rnsites.com.br

08- Idem, nota 1 – idem.

09- Bíblia Sagrada, Números – p.150, 1990.

10- Estima-se que em 1500, quando Cabral chegou ao Brasil – havia 5 milhões de índios, dos quais 1500 foram

       reduzidos ou passaram a viver com os jesuítas, enquanto 4 milhões, 100 anos depois,  foram vitimados pelas 

       epidemias das pestes trazidas pelos europeus, durante os séculos 16 e 17..Ribeiro, Darcy – 1995, p.143.            

11- Os cálculos feitos com base na Bíblia indicam que houve, até o final do Êxodo liderado por Moisés e Aarão

                                  mais de 3 milhões de pessoas mortas, considerando que saíram do Egito para Israel, 603 mil, 550 homens de 

                                  20 anos a mais, pois naquele tempo o censo não contava as mulheres e crianças, segundo os costumes judeus.

                                  Os dados extraídos da Bíblia são de que em cada família israelita havia a média de 4 filhos. Estes somados aos

                                  pais resultaram em 3.017.750 pessoas descendentes e vivendo no Egito. Bíblia Sagrada, Edições Paulinas-

                                  p. 112 – 1990.

                           12- Barragem de Assuã – Wikipédia, 2007.

                           13- Idem, idem.

                           14- SAAP-RN, Projeto Baixo Açu, 2007.

                           15- Barragem do Açu – Wikipédia, 2007.

                           16- Comentários públicos feitos em Natal – anos de 1980.

                           17- Observação sobre comportamento humano, feito por estudiosos sociais.

                           18- Método de estudo para ciências, adotado também em Comunicação Social.

                           19- Valores da cultura e história da maioria dos brasileiros.

                           20- Igrejas cristãs são a Católica mais as Protestantes. Nota do autor

                           21- Azevedo, Aluísio, pp .61 a 73 – 2000.

                           22- Brasil de Fato, N. 224, p. 12 – 2007.

                           23- Idem, idem – nota 22.

                           24- Secas e câncer – comparação do autor.

                           25- Apelo do autor: Êxodo e Nordeste.

                           26- Ver Wikipedia+www.Dnocs.gov.br – Barragem Armando Ribeiro Gonçalves.

                           27- Idem felix.ib.usp.br –  página cyanophyta.

                           28- Idem, nota 27.

                           29- Idem, idem.

                           30- DNOCS-DCS: notícia-27.06.2007. Fortaleza-CE.

                           31- Idem, idem – nota 30.

                           32- Governo nacional e cooperativismo em democracia,  nota do autor.

                           33- Idéia do cooperativismo no Projeto de Transposição do Rio São Francisco foi levada à assessoria da OCB-         

                                 RN, no inicio de Junho-2007, durante a elaboração deste artigo.

                           34-Alvorada – jornal, N.260, p.10 – 2006.        

 

                           *- O autor é jornalista e sociólogo - UFRN, sócio do IHG-RN.  

 

 

(*) Arlindo Freire é Jornalista, sociólogo – UFRN, Ex-Presidende-fundador do SINDJORN, pesquisador, sócio do IHG-RN e membro da Naya-Argentina.

. Esta coluna será atualizada periodicamente

 

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