Diversidade Cultural
Arlindo Freire (*)

 amelofreire@hotmail.com 

24.07.2006 

MITOS OU FANTASIAS 

 

 

Arlindo Freire

 

O estudo de organização da Guerra dos Índios ainda está para ser feito no Brasil e especialmente na região Nordeste, onde, neste caso, tudo começou, quando este país estava resumido ao litoral nordestino.

Os numerosos autores da história dos indígenas brasileiros permanecem com as suas informações cheias de confusão e, talvez contradição, sem haver a preocupação para uma definição verdadeira e sistemática.

Nos demais paises sul-americanos, felizmente, a pesquisa abriu e criou os caminhos para a organização da história feita pelos índios de forma objetiva e racional, sem as confusões e tampouco as negativas que fazem dos nossos primitivos os “animais sem fé e sem Deus.”

- Qual a importância do índio na história do Nordeste?

Esta questão jamais foi analisada, de forma coletiva ou social, nos estudos em torno dos povos nativos que viveram em terras situadas às margens de rios e do oceano, na dependência exclusiva de seus recursos naturais e em regime comunitário.

Apesar disso, os costumes e hábitos nordestinos estão, profundamente, marcados pelos povos das selvas, desde o amanhecer até a noite, durante 24 horas, segundo os fatos relatados nas páginas da história e reconhecidos em algumas investigações feitas à luz da antropologia.

Os grandes conflitos dos civilizados europeus com os selvagens brasileiros foram iniciados em 1530, nas aldeias de Copaoba1, onde o Ouvidor Geral Martim Leitão com sua tropa, exterminou cerca de 20 mil indígenas Potiguar e queimou vinte aldeias localizadas naquela área.

Naquele mesmo ano, o rei Filipe II da Espanha e I de Portugal, iniciou as guerras contra os Inca, a partir do Peru, visando destruir todo o patrimônio econômico e cultural dos nativos na América do Sul2, com o fim de obter, também, toda reserva de ouro e prata.

Em decorrência desses acontecimentos – o mais certo e razoável, de acordo com a lógica do tempo e da história, é sem dúvidas, reconhecer que a Guerra dos Índios no Nordeste ou Brasil de então, não foi iniciada em 1687, como assegura a maioria dos historiadores, mas em 157 anos anteriores.3

Quando houver o reconhecimento desta afirmação, aí certamente será aberta a luz da verdade sobre os mitos e fantasias situados nas formas de escrever e analisar os fatos que constituem a história indígena.

Sem haver esta dimensão – seria praticamente inviável guardar o respeito e a convicção sobre os relatos da história indígena, mesmo considerando que estes foram efetuados por viajantes e observadores interessados no menosprezo, correção e extinção dessas populações.

Os europeus da colonização fizeram tudo que podiam com o fim de eliminar ou substituir a vontade dos índios, pois estes serviam de impedimento às explorações que tinham sido adotadas visando à recuperação da Europa4 arrasada e destruída pelas guerras dos Cem Anos.

Apesar de tudo isso, a diversidade cultural indígena ou indodiversidade tem sido negada pela maioria dos civilizados ou brancos do presente e passado, sendo este outro fator de incoerência5 na perspectiva da cultura brasileira que se diz – procura se afirmar de modo democrático.

- Como organizar o estudo da história acerca dos povos indígenas massacrados na imensidão do Nordeste?

Após os cinco séculos do êxodo em questão, agora podemos afirmar que neste assunto não existe, assim como noutros, os donos da verdade espalhados pelas bibliotecas das instituições, inclusive as universitárias, os quais admitem ser intocáveis.

No mundo atual da Internet – o conhecimento tornou-se acessível, muito mais do que em todos os tempos, para qualquer pessoa, desde que disponha5 do meio de acesso ao sistema internacional da comunicação que se expande em cada segundo.

O como organizar é simples, objetivo e viável.

Antes de qualquer iniciativa – basta ter a vontade e decisão para conhecer mais o patrimônio nativo que restou da exploração do Nordeste, depositado no subsolo, assim como na vida real dos sucessores que fazem à nação brasileira.

A objetividade para esse trabalho – poderia ser constituída, através de reuniões, seminários ou encontros para o estudo, debate e conclusões em torno deste assunto, ou seja – organização da história sobre as guerras indígenas – suas causas e efeitos.

Com essa providência, a partir do Rio Grande do Norte e da Paraíba, seria possível recuperar o que foi perdido na estrada de 500 anos, coberta pelo esquecimento e abandono dos civilizados sobre os indígenas.

A recuperação dos valores primitivos – seria um passo decisivo para superar toda a alienação cultural de cinco séculos em que vivemos separados e divididos das mulheres e homens que fizeram as nossas bases de origem.

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Notas:

1.Copaoba, atual Serra da Raiz, município da Paraiba, 120km de Natal e 92, de  

    João Pessoa, onde a 24 de dezembro de 1530, Martim Leitão incendiou mais de   

   15 aldeias habitadas por cerca de 20 mil índios Potiguara aliados dos 

             franceses, segundo a narração escrita Por Um da Companhia de

             Jesus, Anônimo – no final do século 16, edição do Senado Federal, 2006.

2. Documentário em History Channel – sobre os povos Inca – Peru, divulgado em   

    Julho-2006.

3. Lyra, A. Tavares de – 1982, História do Rio Grande do Norte.

    Cascudo, Luis da Câmara – 1955, História do Rio Grande do Norte.

4. Ribard, André – 1964, A Prodigiosa História da Humanidade.

5. Sites sobre história dos Índios, na Internet – para estudo e pesquisa.

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(*) Arlindo Freire é Jornalista, sociólogo – UFRN, pesquisador, sócio do IHG-RN.

. Esta coluna será atualizada periodicamente

 

 

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