Diversidade Cultural
Arlindo Freire (*)

 amelofreire@hotmail.com 

13.07.2006 

GUERRAS SEM PAZ 

 

 

Arlindo Freire

 

O extermínio dos povos indígenas na região Nordeste brasileira é, sem dúvida, um absurdo que se tornou realidade, de forma parcial, exceto no Rio Grande do Norte e Piauí – onde, neste caso, foi radical, ou seja, a população dos “gentios” nativos deixou de existir desde 1825, quando 60 índios foram trucidados.

-Quais as explicações para essa ocorrência que se tornou, praticamente desconhecida no decorrer dos últimos 180 anos?

Aqui, começa o grande questionamento acerca deste assunto, especialmente agora, diante das informações feitas pelo IBGE, de que no território norte-rio-grandense ainda vivem mais de 3 mil indígenas.

            No mistério desta situação apresenta-se a confirmação do contexto sobre a grande diversidade cultural em que vivemos, desde o tempo da colonização, por efeito dos acontecimentos europeus caracterizados pelas guerras de 30 a 100 anos, que resultaram na fome, desemprego, doenças e miséria na Europa de 4 séculos, depois do Império Romano.  

              Recorde-se que a corrida para a conquista da América foi causada, não somente pelos destroços das guerras, mas, também pelas idéias elaboradas pelos iluministas, entre os quais Montesquieu, Rousseau e outros que deram início ao movimento de renovação nas estruturas européias.

            Sob essa perspectiva mundial – estão os motivos do etnocídio nordestino, mais precisamente no território potiguar, feito pelos colonos luso-brasileiros com as garantias governamentais do reinado espanhol-português, visando dominar a terra e os recursos naturais brasileiros.

            Para que esse plano fosse efetivado, segundo a concepção colonialista, havia somente uma saída: usar todos os meios para a extinção das populações primitivas que se recusaram à entrega do patrimônio e escravidão aos exploradores.

            A resistência nativa sobre a colonização, logo foi manifestada de formas variadas e contraditórias, não somente no meio interno – entre os naturais da terra, assim como nos diferentes grupos de europeus de nacionalidades diferentes, os quais faziam as manobras contrárias entre as tribos.

            Com essas habilidades intrigantes ou manobras políticas foi construída no Brasil, durante todo o tempo colonial – uma monumental torre de babel, sem ter o reconhecimento dos índios, pois na sua forma de ser desconheciam esse comportamento dos homens brancos ou civilizados.

            As intrigas tiveram o ritmo progressivo, desde os primeiros dias da ocupação, sempre fazendo com que os indígenas fossem explorados, até que a partir de 1581-1598, no reinado de Filipe II – Espanha-Portugal, as coisas se agravaram em todo Brasil de então, sobretudo no Rio Grande.

            Por motivos religiosos e econômicos, as guerras da Europa foram exportadas para América que passou a ser local de refúgio dos perseguidos europeus dispostos em reiniciar suas vidas no Novo Mundo, sob as mais diversas condições, mesmo sabendo, teoricamente que poderiam ser ricos em poucos anos.

            Foi no âmbito do Rio Grande que se localizou a maior resistência aos colonizadores, mediante a provocação destes para que os povos do mato fossem descartados de seus bens naturais e ficassem em condições inferiores aos animais.

            Daí por diante, as lutas e guerras causadas pelos brancos levaram mais de 200 anos, com algumas tréguas silenciosas e acordos de paz feitos com os índios, sem o cumprimento dos governantes.

            - Existe a comprovação histórica acerca desta afirmação?

            As numerosas respostas sobre esta indagação figuram nos livros de Câmara Cascudo – 1955, João Ribeiro – 1908, Pedro Puntoni – 2000, André Ribard – 1964, Darcy Ribeiro – 1965, Frank Lestringant – 1997, Boris Fausto - 1998 e outros.

            Os autores em questão apresentam vários pontos diferentes acerca deste assunto, mas, no fundo são iguais quando afirmam que a Guerra dos Índios, denominada Guerra dos Bárbaros foi o maior acontecimento de resistência aos governos do Brasil colonial.

            As diversidades em torno dos relatos assinalam que no universo de 40 autores, nem um deles estabeleceu o mesmo período para a Guerra dos Índios, fato este que revela a falta de organização sobre o estudo da história que, no sentido racional e sistemático – seria um fator de conhecimento e orgulho para as gerações do futuro.

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(*) Arlindo Freire é Jornalista, sociólogo – UFRN, pesquisador, sócio do IHG-RN.

. Esta coluna será atualizada periodicamente

 

 

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