Diversidade Cultural
Arlindo Freire (*)

 amelofreire@hotmail.com 

05.07.2006 

RAÍZES INDÍGENAS

 

Arlindo Freire

 

O fato da diversidade cultural na área do Nordeste permanece vivo em toda história do Brasil, desde a chegada de Cabral – quando entrou em processo de evolução com profundas marcas para toda a coletividade.

No plano da cultura - isto constitui uma involução ou retrocesso de efeitos por demais sintomáticos e graves para toda a população, pois o fato em si revela que o país não tem feito as necessárias mudanças no comportamento dos seus variados setores.

Os valores criados pelos povos indígenas para o sistema da brasilidade foram esquecidos e abandonados, sistematicamente, no decorrer de quatro séculos, sem que houvesse os motivos racionais para tanto, mas o propósito dos colonizadores no sentido de que a influência decisória dos primitivos, também fosse exterminada.

Os europeus, mais especificamente os portugueses, franceses, holandeses, alemães e ingleses, além dos judeus marcaram as decisões para que os nativos perdessem o seu espaço na formação brasileira, a partir do século 15 até início do 19, quando tiveram começo e fim as notícias de perseguição e morte dos índios.

O maior exemplo dessa escalada da extinção étnica – foi localizado na serra Copaoba, atual Serra da Raiz, na Paraíba, onde na véspera do natal de 1587, o Ouvidor Geral do Brasil, sediado em Pernambuco, Martim Leitão fez o genocídio de aproximadamente 20 mil índios.

Em seguida – 1597-98, o Rio Grande – Natal de hoje, foi palco da extinção de mais cerca de 2 mil nativos, quando Mascarenhas Homem e Feliciano Coelho, capitães-mores de Pernambuco e Paraíba, vieram em nome do reinado português, expulsar os franceses e fazer as bases da fortaleza.

Outra prova maior das diversidades estabelecidas pelos colonizadores europeus, ocorreu em 1530, quando o senhor de engenho Diogo Dias, estabelecido em Itamaracá, conquistou a jovem Iniguaçu, filha de um cacique da Copaoba, para viver em sua companhia, contrariando a vontade de seu pai e familiares.

Daí surgiu mais um grande conflito: índios guerreiros de Copaoba foram aquele engenho fazer o resgate de Iniguaçu, mas esta preferiu continuar ao lado de Diogo Dias, mesmo contrariando a vontade de sua tribo.

- E, agora qual a solução do problema?

O engenho foi incendiado, transformado em cinzas, enquanto Iniguaçu perdeu a vida sob a violência dos semelhantes, conforme os hábitos indígenas.

Isto e mais alguma coisa, ou seja, inúmeros fatos históricos confirmam a indicação de que a diversidade cultural no Brasil teve suas bases no Nordeste, onde foi plantada com sementes de grande resistência e criou raízes profundas que continuam crescendo no interior do solo e da sociedade.

 

 

(*) Arlindo Freire é Jornalista, sociólogo – UFRN, pesquisador.

. Esta coluna será atualizada periodicamente

 

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