PASSADAS

Thaís Marques - luzaltaides@ig.com.br

 

MEMÓRIAS JANEIREIRAS

--- Thaís Marques

Final de ano é um prato cheio para dizermos às pessoas o que pensamos que sentimos.  De buscarmos, num período curtíssimo, manifestar aquilo que deveríamos revelar diariamente a todos os seres humanos que nos dizem respeito (ou não). Bem, pelo menos temos essa chance de praticar a fraternidade. E não devemos desperdiçá-la.

Como ainda estamos em pleno momento natalino e de virada de ano, quero transmitir  o meu sentimento de alegria por ter passado mais um ano privando das amizades. Poucos, pouquíssimos contatos físicos, escassas correspondências eletrônicas e raríssimas comunicações telefônicas. Quem vê de longe pode até pensar  que estamos bem distantes, morando em continentes diferentes. Mas não é o que parece.

Desde o início da década de 80, quando cheguei nessa cidade, tenho ligações, por exemplo, com o colega Walter Medeiros. A propósito, soube que Dermi Azevedo esteve (ou ainda está) na cidade. Quem me disse foi o Jacinto Filho (nosso eterno contador).  Não tive oportunidade de vê-lo, mas agora escrevendo esse texto me veio à lembrança nossa convivência na  Associação, posteriormente Sindicato dos Jornalistas, e depois na criação da Coojornat – Cooperativa dos Jornalistas - e o jornal Salário Mínimo, que é cara do Luciano Almeida. 

Não posso me esquecer do apoio que tive do  Dermi, quando Luiz Maria Alves, para vingar-se de Paulo Tarcísio, meu amigo desde quando morávamos em Brasília, por ter trocado o Diário de Natal  pelo Imparcial, de São Luis (Ma), resolveu me demitir. Eu  estava havia oito meses em Natal, tinha assumido aluguel e outras despesas. Mas o velho Alves era impiedoso, apesar do seu vinho do Porto.

Do curto tempo no Diário de Natal, a matéria que mais me marcou foi uma viagem ao Recife para cobrir, com Moraes Neto (fotógrafo), o depoimento do Odilon Ribeiro Coutinho e do Coronel Veiga, na 7ª Região Militar,  a respeito do famoso comício do Grande Ponto.

Então desempregada,  Dermi me acolheu, dando-me oportunidade de fazer matérias para alguns impressos com os quais a Associação mantinha correspondência. Fui pautada para ouvir o à época  reitor (biônico) Diógenes da Cunha Lima, da UFRN, sobre a ASI, entulho estúpido criado pela ditadura para ser o SNI do meio universitário. Dermi me informou que a longa entrevista chegou a ser publicada num jornal alternativo de Porto Alegre. Depois, todos nos envolvemos no projeto Coojornat.

Mas eu precisava me sustentar. Então, Walter entrou no circuito e me apresentou a Nilson Patriota, à época diretor-presidente da Companhia Editora do Rio Grande do Norte (CERN), responsável pela edição do  jornal  A República. Fui aceita no quadro, de onde saí pelo Prodevir, após o longo período de fechamento do jornal, pelo então governador Geraldo Melo (um jornalista...). Foi uma época rica, de convívio familiar: Alderico, Macedo, Lígia, Braga, Flamínio, Wellington, Pequeno, Toinho Sales, Argemiro/Sonia, Auxiliadora, Aparecida, Nelson Patriota, João Gualberto, Beth, Petit, Magela, e por aí vai.

Como vê, nossa história vem de longe. Não há distância, embora estejamos entrando,  em 2009, no 29º ano de convivência. Bote tempo, emoções e labuta.

Faço esse registro para que tenham certeza de que minha história em Natal não teria sido a mesma sem a sua afável e racional presença. São muitos eventos. Lembro uma vez que Walter, num sábado à tarde, recebeu a  “gandaia” na sua casa (ali vizinha ao colégio Padre Miguelinho) e passamos a tarde ouvindo Mercedes Sosa: “hae um niño en la caje....”: “Duerme, duerme negrito...”. Ainda ouço Mercedes e a ligação com essa tarde é inevitável e inesquecível. Graça lá, firme, fazendo tira-gosto. Hoje ela prepara lautos almoços e os serve com prazer e alegria só para os amigos que podem se somar à maravilhosa família que os dois construíram.

Outro evento inesquecível foi a viagem (com o partido, lembra, Walter?) a João Pessoa, para o comício das Diretas Já! Um momento histórico, quando pisamos o mesmo solo com Tancredo Neves, Ulisses Guimarães, Leonel Brizola e outros líderes que viram ruir aquele projeto, com a derrota da Emenda Dante de Oliveira. Lá, naquele palanque, reencontrei meu professor de publicidade, da UnB, onde me formei em jornalismo e relações públicas. Foi aquela alegria.

Pois é. Cá estou  eu relembrando esses fatos. Agradeço a Deus pela dádiva da vida. Por estar em 2009 podendo falar sobre amigos tão queridos. Muita luz e harmonia nesse ano novo. São meus desejos profundos e sinceros.

 

*Thaís Marques é jornalista

 

 

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