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Mata Grande Por Walter Medeiros
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O AR DE MATA GRANDE
Remi Bastos MATA GRANDE - Um pedacinho de saudade...
Wellington Medeiros MATA GRANDE
CORDEL
A HISTÓRIA DE SEU OTACÍLIO
.

CORDEL DE SEU OTACÍLIO

 

A volta do homem

que foi dado como

morto por 15 anos

 

--- Severino Rio Grande

 

Nesta vida aventureira

Muita história já contei

Não digo tudo que sei

Para não fazer besteira

Agora me deparei

Com esta que contarei

Até no meio da feira.

 

É a história de Otacílio,

Que tem 71 anos,

E um dia teve planos

Nem precisou de auxílio

Prá viver meio profano

Curtindo algum desengano

Sem ter mulher e nem filho.

 

Natural de Mata Grande

Era bem relacionado

No Sítio Serra Sobrado

Mexia até com flandre

Noventa e um é chegado

Ele era muito danado

Provocou um susto grande.

 

Um dia ganhou o mundo

Sem sapato e sem meia

Foi prá Delmiro Gouveia

Num alvoroço profundo

Não foi parar na cadeia

Mas a coisa ficou feia

E sumiu em um segundo.

 

Ele foi e não voltou

Era tudo que sabiam

Familiares sentiam

Diziam “oh! Que horror!”

Os seus dois irmãos queriam

Sem saber por onde iam

Mostrar que lhe tinham amor.

 

Mas o tempo foi passando

Esvaiu-se a esperança

Adulto, jovem, criança,

Tudo ia se conformando

Não existia vingança

Nem quebra de aliança,

Otacílio ia andando.

 

Ninguém sabia de nada

Queriam a conclusão

Se ele não volta, então,

Deve ser fava contada

Morreu num aluvião

Ou nalguma confusão

Qualquer coisa era esperada.

 

Foi um tempo de tristeza

Naquela honrada família

Onde cada dia brilha

O melhor da natureza

Até a mente fervilha

Pois nada mais descobria

Sentiam até na mesa.

 

Os anos foram passando

Vez por outra se lembravam

Alguém sempre perguntava

Mas iam desconversando

Quinze anos completavam

Cada vez mais se chocavam

Iam se desenganando.

 

Nem mais tavam esperando

Quando eis que de repente

Um contato diferente

Na família ia chegando

Seu irmão tão paciente

Ficou logo sorridente

Com o que foram lhe contando.

 

Disseram de um Otacílio

Um homem localizado

Distante, em outro estado,

Seus olhos ganharam brilho

Aquilo que era narrado

Parecia amilagrado

Soava como estribilho.

 

Do Rio Grande do Norte

Vinha aquela tal notícia

Um delegado de polícia

Foi quem mudou sua sorte

Parece até fictícia

Ou uma coisa de malícia

A emoção foi bem forte.

 

Sargento Jota Pereira

Era esse delegado

Um homem bem dedicado

É assim a vida inteira

Pois ele tinha achado

O homem desabrigado

Não era prá brincadeira.

 

O homem foi abordado

Levado para o distrito

Não tentou nenhum conflito

Ali ficando guardado

Num aposento restrito

Não lhe mandavam palmito

Mas era alimentado.

 

O tempo foi se passando

Todo mundo já sabia

Sobre o homem que vivia

O delegado guardando

Porém em um certo dia

Quem o fato conferia

Era o Anaximandro.

 

Jornalista de Upanema

Ele foi saber de perto

Prá contar o caso certo

E evitar qualquer problema

Com o coração aberto

Ele foi bastante esperto

Prá não criar um dilema.

 

Pesquisou na internet

O que Otacílio falava

Até e-mail mandava

Para não ficar inerte

Pois um deles já chegava

A alguém que se importava

Até com quem pinta o sete.

 

Na internet ele achou

Sáite sobre Mata Grande

A notícia se expande

Alguém se interessou.

Na hora um homem responde

Dizendo logo por aonde

Seu Otacílio morou.

 

No caso Walter Medeiros

Que já morou na cidade

Tem amigos de verdade

Pelo município inteiro

Pediu solidariedade

E com força de vontade

Germano foi o primeiro.

 

No dia da eleição

Todo mundo veio à praça

Parece até uma graça

Para aquele nosso irmão

No meio daquela massa

Onde todo mundo passa

Encontrou a solução.

 

A família se animou

Com aquela novidade

Que circulou na cidade

E todo mundo gostou

Com grande ansiedade

Só queriam, na verdade,

Saber o que se passou.

 

Todo mundo se mexia

Prá resolver o problema

Mata Grande, Upanema,

Cada noite, cada dia,

Preocupação suprema

Era coisa prá cinema

A comoção que se via.

 

Criando um bom esquema,

Jorge Oliveira, ligou

Para o Fernando Lou

Discutindo o problema

Naquela hora acertou

E Mata Grande pagou

A viagem a Upanema.

 

Um sobrinho de Otacílio

Nome Cícero Ferreira

Não tava prá brincadeira

Era como um delírio.

Com a mala fez carreira

E num dia sem bobeira

Mostrou que é um bom filho.

 

Chegando à delegacia

Encontrou o delegado

Seu tio já acordado

Mesmo amanhecendo o dia

Ficou bem emocionado

O momento era chegado

De voltar para a família.

 

Depois assinou um termo

Que registrava o fato

Mostrando que melhor trato

Ele não teria a esmo

E seguiram prá viagem

Comprando nova passagem

Pois não estava enfermo.

 

De Upanema a Natal

Foi uma tranqüilidade

Viram a bela cidade

E foram a outra capital

Prá Recife, na verdade,

Mas numa variedade

Quase acontece um mal.

 

Sem querer reembarcar

Otacílio insistiu

Até que o carro saiu

E teve que apelar

Mas um passe conseguiu

E em duas horas partiu

Para os seus reencontrar.

 

Na chegada à sua terra

Todo mundo esperava

A gente comemorava

Bem lá no meio da serra

Não tinha para quê farra

Mas foi um agarra-agarra

E quase e história encerra.

 

Para falar no paradeiro

Tudo que aconteceu

Seu sobrinho percebeu

Que ele era um romeiro

E acha que se perdeu

Numa viagem que se deu

No rumo de Juazeiro.

 

Mais o tempo explicará

Esta história passada

Depois não faltará nada

Para a gente indagar

Mas nesta hora chegada

Demos por comemorada

A forma dele voltar.

 

Pois de tudo o que interessa

É que está resolvido

Mesmo de jeito sofrido

Teve até quem fez promessa

Prá ver o homem trazido

De onde havia sumido

E tava longe à beça.

 

Aqui termino esse verso

Feliz por participar

Desse fato exemplar

Muita oração eu peço

Prá Otacílio conquistar

No mundo melhor lugar

Assim distância não meço.

 

Agradeço a quem leu

Também a quem escutar

Peço para propagar

O fato que aconteceu

Pois toda volta ao lar

É algo de admirar

Tem todo apoio meu.

 

FIM

 

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