Natal, 08 de março de 2017

       Natal, o Rio Grande do Norte, o Brasil e o Mundo no foco de Walter Medeiros

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REFLEXÃO 


A mulher que fez seu próprio caminho

 

--- Walter Medeiros*

A humanidade tem certas figuras que se sobressaem pelas oportunidades de viver experiências - boas ou más - mas as vivem de forma tão intensa, que depois torna-se difícil até entender como conseguiram viver tanto em uma só vida. Pessoas de tão profunda vivência em épocas e lugares próprios, e respostas capazes de impulsionar com força hercúlea as aspirações que cultivam, pelas quais lutam e se responsabilizam como causas inarredáveis.

Refiro-me a uma mulher que viveu ainda no Império brasileiro, no tempo em que as pessoas do sexo feminino tinham direito apenas de cuidar das casas e dos filhos, e o dever de obedecer aos homens: maridos, pais, etc. Que foi entregue em casamento aos 13 anos, como resultado de negócio de família, que vivia sob as leis de adultério e abandono do lar com rigores difícil de imaginar em certos ambientes atuais. 

Naquele tempo - primeira parte do Século XIX, enquanto Karl Mark e Friederich Engels redigiam o Manifesto do Partido Comunista e conclamavam: "Trabalhadores de todos os países , uni-vos", ela escrevia ali bem perto que as mulheres deviam ter direitos iguais aos dos homens. Algo de significado imenso, numa época em que n'alguns lugares as mulheres não tinham permissão legal nem mesmo para aprenderem a ler, enquanto n'outros podiam ler e contar, mas não podiam entender de negócios nem de política.

Destoando do que previam as leis e os costumes, aquela precursora do movimento feminista rompeu o casamento arranjado e teve a sorte de ser aceita de volta em casa. Casou novamente, porém em sua trajetória de estudo, trabalho de educadora e lutas, ficou viúva. Ao mesmo tempo em que firmava suas ideias e via crescer o respeito pela forma destemida, inteligente, clara e inquestionável com que argumentava por mudanças no tratamento da questão da mulher.

Na Europa, no Brasil e demais regiões do mundo, aquela mulher foi dedicando sua vida a escrever, falar e lutar por melhores dias para as mulheres. Deixo os lugares, fatos, datas e casos aos estudiosos do feminismo, para trazer aqui apenas a minha homenagem fervorosa a nossa conterrânea, a potiguar Nízia Floresta, que foi importante precursora do feminismo no mundo e precisa ter seu nome e sua história cada vez mais destacados por todos os que defendem e lutam por uma humanidade mais justa.

Que sua obra continue inspirando ações mundo afora, a partir da interpretação do seu escrito do século XIX:

"Todos sabem que a diferença dos sexos só é relativa ao corpo e não existe mais que nas partes propagadoras da espécie humana; porém, a alma que não concorre senão por sua união com o corpo, obra em tudo da mesma maneira sem atenção ao sexo. Nenhuma diferença existe entre a alma de um tolo e de um homem de espírito, ou de um ignorante e de um sábio, ou a de um menino de quatro anos e um homem de quarenta. Ora, como esta diferença não é maior entre as almas dos homens e a das mulheres, não se pode dizer que o corpo constitui alguma diferença real nas almas. Toda sua diferença, pois, vem da educação, do exercício e da impressão dos objetos externos, que nos cercam nas diversas circunstâncias da vida." (FLORESTA, 1989a, p.47. [Do livro “Direitos das mulheres e injustiça dos homens”]).

Viva Nízia Floresta! Viva o 8 de Março!

 

*Jornalista

08.03.2017


Carnaval, Zé Pereira e o Tempo

 

 

Uma tradição humana de 2.600 anos. Assim talvez possamos chamar o Carnaval, esta festa que a cada instante vai se adaptando às culturas e aos tempos. Dizem estudiosos que certamente teve origem na Grécia, ambientada e amparada por uma divindade, o Deus Momo. Ele era o Deus do riso. "Quanto riso, oh quanta alegria!". E o Carnaval permeou por pelo Egito, por Roma, por todos os continentes e tempos.

Para nós, brasileiros, vem o registro do Zé Pereira. "Viva Zé Pereira!". Português animado, que ganhou a imortalidade com o sábado de Carnaval dedicado a ele. O sábado é do Zé Pereira. E foi num desses sábados, há mais de trinta anos, que o vi passar seu bloco, de forma inesquecível, pelas ruas do Alecrim. Um bumbo; apenas um bumbo, nada mais, e uma multidão pulando cidade adentro, formando uma imagem eterna para a memória de todos que tiveram o privilégio de o ver.

Mas para a minha memória o Carnaval começou antes, lá nos anos 50 do século passado, quando morava em Mata Grande, alto sertão de Alagoas, e não tinha idade nem tamanho para ir às festas carnavalescas, mas já podia ficar meio assombrado com as danças ameaçadoras dos papangus. Era o tempo de "Felinto, Pedro Salgado, Guilherme, Fenelon..." e "O bloco da vitória está na rua / Desde que o dia raiou.".

Com meus sete anos de idade, queria crescer para vestir uma roupa daquelas e sair de papangu, com um chicote na mão. Nem imaginava como o Carnaval é amplo e o que seria possível viver com ele, através dos anos. Em cada canto assimilava uma beleza carnavalesca, como a Jardineira, tão "Mais bonita que a camélia que morreu".

Carnaval, Zé Pereira e o Tempo - Década de 60

Um dos períodos de maior irreverência, criatividade e ebulição carnavalesca no Brasil ocorreu nos anos 60 do século passado. Aquele período, que chegou a ser definido como "A década que mudou tudo", sucedeu o romantismo dos boleros, a fossa do samba canção, e melodramas de telas e palcos. E deu vez a uma enxurrada de marchinhas novas e frevos, atraentes e animados, que levaram os temas do dia a dia do Brasil e do mundo para as ruas e os salões de baile.

Era um tempo em que a irreverência do Carnaval se dava de forma meio comedida, embora o destaque de revistas, jornais, rádio e a ainda iniciante TV fosse para as partes mais ousadas. Assim, grassavam belas fantasias, pó, confetti, serpentina e lança-perfume. Tudo para se apresentar em corsos, bailes, blocos e desfiles, tendo como condutor central a alegria, a diversão e o que mais surgisse de surpresa.

O vozeirão de Claudionor Germano já levava para os salões, o rádio e as radiolas o convite: "Vamos prá casa de Noca, que lá é bom, tem tudo que se quer". Brigitte Bardot virou tema de marcinha, com a indagação: "... BB, por que é que todo mundo olha tanto prá você?". As cantoras do rádio faziam sua parte deslumbrante, e Dalva de Oliveira eternizava Zé Kéti com o aviso: "Vou beijar-te agora, não me leve a mal, pois é Carnaval". Nosso conterrâneo Dozinho estava presente, com a explicação: "Se parar eu tombo e caio".

Logo no começo da década de sessenta, o que hoje é tido como preconceito e politicamente incorreto, fazia a festa, enquanto lança-perfume - de inesquecível cheiro e perigosos efeitos -  passava a ser proibido. A graça era por conta da dúvida sobre Zezé: "Será que ele é?".  As brigas de casais já iam para a delegacia, como a que resultou na exclamação do delegado: "Será o Benedito!".

Tinha versos que tocavam forte os corações, também: "Quem nesta vida / Não amou nem sentiu saudade / Certamente desconhece também / A felicidade.". Os que apelavam para a economia: "Me dá um dinheiro aí". Além do descaramento do "Ou dá ou desce!". Da irreverência dos que queriam "Sair com três mulheres".  E da preocupação de quem indagava: "O que é que eu vou dizer em casa / Quando chegar, quarta-feira de cinzas?".

Naquela década também vivemos momentos marcantes que definiriam o novo formato do Carnaval brasileiro. Depois da Máscara Negra, chegava Caetano Veloso, dizendo que "Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu". Isto, anos depois de cantarmos emocionados "A noite é linda / Nos braços teus / É cedo, ainda / Prá dizer adeus".

As coisas da folia tiveram grande influência também nas campanhas políticas do Rio Grande do Norte. Basta vermos dois exemplos. No primeiro, Aluízio Alves usou a melodia e animação do frevo Vassorinhas, para fazer a campanha do Monsenhor Walfredo Gurgel, dizendo: "Aluízio apareceu / E o povo acompanhou / A Gentinha elegeu / Seu fiel governador / Dessa vez é com Walfredo e Clóvis Mota prá Valer / Agnelo e Ernani / Todos, todos vão vencer". No outro exemplo, a campanha de Denarte Mariz foi mais longe, e entrou na era do trio elétrico. Trouxe para Natal, nada mais, nada menos que um "Carro da Bahia", que desfilou imponente pelas ruas de Natal, com sua pintura em vermelho e preto.

Imperadores do Samba, antes de tornar-se a escola de samba que fez história no nosso Carnaval de rua, era um bloco e desfilava com belos carros alegóricos, disputando com os demais pela cidade afora. Num desses carnavais, com meus catorze anos, tomei aquele banho à tarde, vesti uma bermuda caqui, uma camisa branca, engomadas com o capricho da minha mãe, Dona Cristina, e saí para assistir ao desfile dos blocos. Depois de três passos pela calçada, o vizinho, meu primo Antônio Freitas, extremamente brincalhão, acertou-me um banho com uma caixa inteira de Maizena.

Carnaval, Zé Pereira e o Tempo - Década de 70

Os carnavais de Natal na década de 70 do século passado tiveram particularidades que precisam ser realçadas, para que se tenha uma boa noção daquela época. O legado musical tem histórias interessantes e até chocantes,  em vista da vida que se levava em anos de liberdades tolhidas. Mas a vida continuava e em fevereiro tinha festa de Momo, com o reinado inigualável de Paulo Maux.

A prefeitura organizava e ajudava na realização do desfile de escolas de samba, onde os grandes destaques eram sempre Malandros do Samba, do lendário Melé, e Balanço do Morro, do Mestre Lucarino. Antes das escolas, desfilavam tribos de índios, com destaque para os Guaranis, que tinham à frente do cacique Bum Bum. Na taba, provamos a bebida predileta da tribo, o Caoin. Blocos e troças seguiam com suas agendas de desfiles e assaltos.

Até aquela década o Carnaval de clubes era organizado e bem frequentado em todos os chamados sodalícios, em todos os níveis. Assim, a agenda de Paulo Maux e a rainha do Carnaval, bem como a nossa, dos repórteres de rádio, incluíam visitas ao América, Aeroclube, Albatroz, Assen, AABB, Alecrim, Camana, Quintas, Intermunicipal da Cidade da Esperança, Atlântico e outros, além do carnaval popular que era promovido no Palácio dos Esportes, sob as ordens de Pacheco, e com animadas orquestras.

Os ventos da década anterior trouxeram temas como Paz e Amor (Guerra não senhor), marchinha popularizada na voz de Clóvis Bornay; O importante é ser fevereiro, de Wando, popularizado na voz de Jair Rodrigues; Eu quero é botar meu bloco na rua, de Sérgio Sampaio;  Lá vem Portela - o mundo melhor de Pixinguinha, samba-enredo que transpôs décadas; e Madrugada, carnaval e chuva, um poema carnavalesco inspiradíssimo, de Martinho da Vila, narrando o sofrimento da escola de samba que se preparou para desfilar e uma chuva estragou a festa.

Em meio a este musical carnavalesco, algo lamentável se dava a cada ano, quando as emissoras de rádio preparavam em suas discotecas as seleções de músicas a serem executadas no período de Momo. Na Rádio Cabugi, Alnice Marques, Vera Lúcia, Glorinha Victin e Anunciada elaboravam a lista das músicas tinha de ser enviada para a censura federal. O mesmo fazia Macrino Gomes, da Rádio Poti, e os discoterários das demais emissoras: Nordeste, Rural e Trairi. Normalmente, pelo valor da obra e toda sua lógica, era listada a música Bandeira Branca, com Dalva de Oliveira:

"Bandeira branca, amor

Não posso mais

Pela saudade

Que me invade

Eu peço paz."

Pois por anos e anos seguidos essa marcha rancho foi censurada, e teve sua execução proibida nos carnavais. Existe uma Bandeira branca de autoria de Geraldo Vandré, e este seria o motivo automático para censurarem, e ponto final.

Os corações batiam forte, mesmo assim, com os acordes de Retalhos de cetim: 

"Mas chegou o Carnaval

E ela não desfilou

Eu chorei, na avenida, eu chorei...".

Em seguida veio o acorde veloz de Vassorinha elétrica, com Novos Baianos, que fortalecia a linha melódica dos trios elétricos. Por fim, ali surgiu também uma música que marcou profundamente a década carnavalesca: Turbilhão, com Moacyr Franco:

"A nossa vida é um Carnaval

A gente brinca escondendo a dor...".

 

Carnaval, Zé Pereira e o Tempo - Década de 80

O Carnaval de Natal esteve meio desnorteado nos anos 80 do século passado. Os bailes carnavalescos dos clubes foram fraquejando, na medida em que começava uma corrida para as praias, um verdadeiro modismo que levou natalenses para lugares como Barra de Maxaranguape, Jenipabu e Pirangi, esvaziando a capital.  Os desfiles de blocos acabaram e os desfiles de escolas de samba e tribos de índios foram promovidos em lugares incerto de ano para ano.

No ano de 1984, a festa das escolas, blocos e tribos foi transferida para o Alecrim, sendo realizada na avenida 1 - Presidente Quaresma, em frente à sede da Rádio Trairi, que se tornou Tropical em seguida. Naquele ano ocorreu a tragédia do Baldo, na qual um bloco carnavalesco foi atropelada por um ônibus, resultando na morte de mais de vinte pessoas.

No ano seguinte, o Brasil viveu o que foi denominado de Carnaval da Democracia, em vista da campanha das Diretas Já, que resultou na eleição de Tancredo Neves Presidente da República no Colégio Eleitoral. Era uma época onde vinha sendo fortalecido o Carnaval da Bahia, disseminando na região o chamado Axé.

Em 1986, seguindo essa influência, a Prefeitura trouxe para Natal o trio elétrico de Dodô e Osmar, que fez um percurso do CCAB até a praia, descendo a Ladeira do Sol com uma potência impressionante. Daquela festa nasceu o compromisso de Osmar para fazer uma música sobre  a cidade, e nasceu Natal, como eu te amo, que ganhou bela gravação na voz da baiana  Margareth Meneses: " Na terra do sol / Beleza sem rival / Não há nada igual".

A década de 80 teve outras músicas que marcaram para sempre o Carnaval. Entre elas, Pombo Correio, com Moraes Moreira - "Voar o mundo / Se preciso for / O mundo voa / Mas me traz uma notícia boa". E a bela Gal Costa lançou um dos maiores sucessos da música brasileira em todos os tempos: Festa no Interior - "Nas trincheiras da alegria / O que explodia era o amor".

 
 

01.03.2017

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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